Depois de legalização da maconha, Uruguai zera mortes ligadas ao tráfico

Enviado por otto mayer

do Jornal O Tempo

LEGALIZAÇÃO DA MACONHA

Após regulação, mortes por tráfico de drogas chegam a zero no Uruguai

Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha

Consumo diário de um ou dois cigarros de maconha tem efeito nocivo
Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia
 
PUBLICADO EM 02/06/14 – 13h28
DA REDAÇÃO

Durante debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no Senado, nesta segunda-feira (2), o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga.

Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Calzada disse que a legalização da maconha talvez aumente o número de usuários, mas ele acredita que a combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderão modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários.

Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.

No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substancia? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?

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Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substancias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas.

Conforme avaliou, a criminalização de usuários de drogas seria ineficiente por fazer com que cidadãos passem a ser tratados como viciados ou dependentes. Uma das consequências, disse, é o sistema de saúde ficar refratário a essas pessoas. Dados citados pelo secretário dão conta de que mais de 90% dos usuários de drogas não buscam ajuda no sistema de saúde.

Calzada afirmou ainda que, como outras drogas, como álcool, por exemplo, há riscos e efeitos colaterais negativos com o consumo de maconha, o que requer regulação e controle do Estado.
A audiência desta segunda-feira (2), que conta com participação popular pelos canais de interatividade do Senado, é a primeira de um ciclo de debates promovido pela CDH para ouvir autoridades, lideranças sociais e intelectuais, visando embasar o parecer da comissão sobre proposta de iniciativa popular (Sugestão 8/2014) que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.

Também participam do debate a coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, Márcia Loureiro; o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil, Rafael Franzini Batle; o relator da Sugestão 8/2014, senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).

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19 comentários

  1. Daqui a alguns anos, talvez décadas

    será forçoso reconhecer a importância para a história mundial do que fez um pequeno pais, num subcontinente castigado pela história.

    Um grande pequeno pais chamado Uruguai.

    Mas também tudo isso não lhe dá o direito de repetir o tal Maracanazo: isso só uma vez na história.

  2. Daqui a alguns anos, talvez décadas

    será forçoso reconhecer a importância para a história mundial do que fez um pequeno pais, num subcontinente castigado pela história.

    Um grande pequeno pais chamado Uruguai.

    Mas também tudo isso não lhe dá o direito de repetir o tal Maracanazo: isso só uma vez na história.

  3. O que o Uruguai está fazendo

    O que o Uruguai está fazendo é histórico. Só acho que temos que ter muito cuidado ao tentar implantar isso no Brasil. Lá está dando resultado, e isso é ótimo para mostrar que há outras maneiras de se lidar com as drogas ilícitas que não seja envover só a polícia. Mas as diferenças entre uruguai e Brasil são imensas – educacionais, geográficas, quantitativas. 

    E mais uma vez parabéns ao Uruguai e ao líder que teve a coragem de implantar essa nova abordagem = Mujica 

     

  4. Sem pressa!

    Há de se ter uma precaução maior ao se tentar implantar uma política pública de liberação ou descriminalização das drogas (neste caso a maconha). O exemplo microscópico do Uruguai, mesmo que bem sucedido, não poderá ser simplesmente copiado no Continente Brasil. Temos problemas culturais, sociais e principalmente educacionais que dificultam uma política pública desta magnitude. O jeitinho brasileiro pode levar esta iniciativa ao caos absoluto. Poderíamos fazer um “laboratório” com alguma cidade ou estado que se propuzer a participar e daí, tiradas as conclusões do seu funcionamento repassar para o resto da Federação. Não há pressa! Podemos fazer devagar. Nosso país ainda é jovem e este assunto, deveras importante, não pode ser decidido simplesmente na base da canetada!

    • É por aí Braga. É complicado

      É por aí Braga. É complicado mas quando tudo está dando errado é necessário que se tome outras medidas, outras providencias e outros olhares. E não só para a maconha mas para TODAS as drogas. De lamentar que os brucutus de sempre vão se pocicionar contra e dificultar qualquer medida racional.

      Interessante na sua colocação é que se faça tudo SEM PRESSA. É fundamental.

  5. Palavra de especialista

    Conheço um professor de Química da UnB, com pós-doutorado na área de Química Medicinal, que afirma reiteradamente ser um absurdo a maconha ser proibida e os remádios pra emagrecer não, já que estes são comprovadamente infinitamente mais danosos para o organismo.

    Segundo a comparação dele, em termos de efeitos para o organismo, a distância da maconha para os emagrecedores é tão grande quanto a que separa uma cerveja do arsênico…

  6. Como o estado não consegue

    Como o estado não consegue acabar com um crime, legalize que o crime deixa de existir.

     

    • Ô Aliança, é sempre assim.

      Ô Aliança, é sempre assim. Vide o comercio e o consumo de bebidas alcoolicas. Vide tambem a pena de morte.

  7. Enquanto isso aqui na Barbárie Coxinha:

    Pequeno comerciante de drogas é chamado de bandido, encurralado nos guetos, criminalizado e o querem morto.

    Quero coxinhas padrão Uruguaio!!!!

    Pela proibição de ficar proibindo!

    • Pela proibiçao de fica

      Pela proibiçao de fica proibindo a proibição de prender pilotos de helicoca!!!

       

      Pequeno comerciante é isso ai, mas se tiver 500kg de coca em um helicoptero de um senador, ai tem erro não, ai pode, ai não tem proibiçao!

      • Eu não falei nada sobre grandes tubarões

        que podem muito bem serem atacadistas de droga ou de qualquer outra coisa…

        Quem vai pra cadeia e quem os coxinhas, e reaças fascistas, querem morto é o negrinho pobre varejista da favela…

        se não estivéssemos na barbárie proibicionista jamais aconteceria o epósódio do helipóptero….

        não vamos confundir as coisas.

        estava falando de um aspecto trágico da guerra as drogas.. e você vem com episódio que adquiriu repercussão política por envolver políticos que não gostamos e que são parasitas do estado.

         

        É o fogo amigo… Mas não confunda as coisas. Sou a favor da legalização das drogas e da completa regulamentação desse setor produtivo. E não estou acobertando nenhum criminoso; esteja ele onde estiver, numa favela ou numa mansão.

         

        O episódio que voce citou apenas mostra o cinismo da proibição e daqueles que mantém essa violência contra os pobres…  trata um varejista favelado como se fosse o próprio capeta e o riquinho como se fosse um anjinho.

         

         

  8. Devagar
    Enquanto, estudamos a ideia a criminalidade cresce m aliada a ela a ganância dos corruptos que vem se beneficiando com a ilegalidade de algo simples. Agora aceleradores metabólicos, vaso ditadores e outras merdas estão ai!!!

  9. Drogas

    A descriminalização das drogas só interessa a drogados, traficantes e narco politicos ou narco empresários. Sim, pois há políticos recebendo dinheiro de traficantes nas campanhas eleitorais. Para quê um drogado usa drogas? Para ter prazer? Para fugir das pressões psicológicas ou sociais? A droga é a solução para os problemas?

  10. + comentários

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