Os evangélicos progressistas e a refundação do Brasil

Em novo capítulo da série Refundação do Brasil, Luis Nassif conversa com a teóloga Valéria Vilhena e o pastor Fellipe dos Santos

Jornal GGN – A religiosidade é um componente importante dentro da formação de um país, e isso não é diferente no Brasil, fortemente afetado pelas tradições cristãs sejam elas católicas ou evangélicas.

E essa formação acaba influenciando o comportamento e até mesmo a política, onde muitos usam fundamentos cristãos (principalmente os evangélicos) para tomar decisões que acabam afetando a sociedade como um todo. Para entender essa questão, além da participação cristã evangélica na sociedade dentro de uma ótica progressista, Luis Nassif conversa com a teóloga Valéria Vilhena, fundadora da EIG (Evangélicas pela Igualdade de Gênero) e o pastor da Igreja Batista de Água Branca e pesquisador da violência no Rio de Janeiro, Fellipe dos Santos, dentro da série Refundação do Brasil.

Um ponto colocado por Valéria envolve a formação da sociedade brasileira, desde a época do descobrimento, uma vez que o componente exploratório teve uma grande importância na formação da sociedade, gerando uma economia “exploratória, escravocrata, patriarcal, racista, mas cristã”.

“Quando a gente vai pensar qualquer temática em relação a diversos temas que perpassam isso, a gente precisa considerar a religiosidade do nosso povo, mesmo porque 87% dos brasileiros e brasileiras se declaram cristãos, seja na vertente católica, seja na vertente evangélica. E esse recorte evangélico também é diverso, nós não temos só evangélicos fundamentalistas, extremamente conservadores sobre uma base de uma moral inclusive de uma moral sexual muito mais forte, sempre para as mulheres (…)”, explica a teóloga.

“Temos um grupo de evangélicos desde os evangélicos históricos, e também pentecostais, acredito que de maioria conservadora, fundamentalista, mas temos em todo esse viés, essas determinantes evangélicas, também pessoas, grupos, coletivos e movimentos que estão dizendo a todo tempo, não só do ponto de vista religioso, trazendo novas perspectivas, novas hermenêuticas, novas leituras bíblicas e, portanto, novas ações, também um novo grupo de mulheres que estão nessa resistência dizendo “olha, essa bancada evangélica, que infelizmente é a mais visibilizada, ela não nos representa””, ressalta Valéria.

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O pastor Fellipe dos Santos ressalta que a construção do protestantismo brasileiro tem um pano de fundo colonial. “É importante colocar essa perspectiva logo de cara para que a gente saiba como essas leituras, como essas teologias, esses modos de construir religiosidade eurocêntricos, machistas, racistas, os modos da branquitude religiosa, como é que esses modos vão compreender a diferença cultural, étnica e racial de outras matrizes religiosas, as indígenas e as africanas”.

Segundo Santos, a construção do protestantismo brasileiro “é muito dependente dessa matriz colonial, e de uma perspectiva teológica eurocêntrica, vai se compreender essa diversidade, ou essa diferença de expressões, de construções, de manifestações culturais, e uma perspectiva negativa e, como dirá algumas teologias, de uma perspectiva demonizante. Então, esse olhar que o protestantismo hegemônico verte contra as religiosidades indígenas e as religiosidades de matriz africana deriva dessa matriz colonial, dessa matriz branca, a ponto de a gente tentar compreender alguns movimentos contemporâneos pela chave desse racismo religioso, que é uma expressão político-religiosa muito importante de ser demarcada”.

A íntegra da entrevista pode ser vista abaixo. A série completa pode ser vista clicando aqui.

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4 comentários

  1. Não consigo imaginar nenhuma igreja evangélica como algo a ser levado a sério, pois são diversas delas, pra que tantas? De acordo com o IBGE em dezembro p.p., são cerca de 14 mil igrejas, número estratosférico.
    Esta interessante repartição da fé alheia em 14 mil pedacinhos existe por qual motivo? Não será possível uma convivência sadia entre 14 mil bispos macedo , logo, somente um Copperfield para explicar o porquê de existir tanta fé por parte do brazuca.

  2. A fé remove montanhas de dinheiro, avidez capitalista anti-ética porque invadiu a política e conspira contra a laicidade do Estado fragilizado propositadamente pela classe dominante para servir aos seus intentos. Aí, sem a pesada liturgia e paramentação católica, os evangélicos chutaram o pau da barraca sagrada e trataram de abrir pequenas igrejas e obter lucros de variados teor, servindo ao segundo senhor em nome do primeiro. O animal Salim Mattar é um exemplo típico de empresário da espécie Predador brasiliensis. Não podemos esquecer que a Igreja Católica chegou junto com as caravelas e trouxe os Anhangueras armados que pisotearam, além de contaminar, o gentio, aliás, como vemos ainda hoje. Era o sistema mercantilista ávido de… din din (macedo?). O candomblé veio no porão demonizado, escondido dos padres batizadores. Enfim, o resumo dessa ópera sacra é que o cristianismo de colônia coloniza, explora e ou manda numerário para a metrópole religiosa, a Cidade Eterna, ou, mais weberianamente pragmático, enfia no bolso da calça, da batina, deposita na conta corrente ou poupança ou como qualquer político corrupto, carrega nas cuecas, guarda em malas, aplica em imóveis etc.

  3. Que entrevista sensacional! Como presbiteriano convicto e crítico, consegui visualizar perfeitamente as manipulações e reforçar ainda mais a minha fé. Obrigado, Nassif, por essa matéria. Parabéns por quebrar os paradigmas.

  4. “A radicalização brasileira faz com que se generalize tudo”! Luis Nassif.
    Então a pessoa “lê”, “assiste”, falar isso, depois vem nos comentários defender a generalização radical…

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