Brasilianas: Não adianta ter cidades inteligentes sem solucionar a pobreza

Pesquisador do GEE-UFRJ e membro do Instituto Ilumina, Renato Queiroz, avalia desafios das metrópoles brasileiras para se estabelecerem como Smart Cities

Professor Renato Queiroz. Foto: Euler Jr/Cemig
Prof Renato Queiroz. Foto: Euler Jr/Cemig
 
Jornal GGN – Na manhã desta quinta-feira (30), o Auditório Cemig sediou o seminário “Cidades Inteligentes e o novo mercado de energia”. Um dos destaques do evento, organizado pelo Brasilianas em parceria com a Cemig, foi a palestra do engenheiro e mestre em Planejamento Energético, Renato Pinto de Queiroz, dando uma visão geral do fenômeno das cidades inteligentes. Ele explicou, de maneira sucinta, a importância de existir dentros das metrópoles espaços sustentáveis que fazem uso da tecnologia no processo de planejamento, sem deixar de lado a responsabilidade social. 
 
“Não adianta encher uma cidade de sensores se há infelicidade, como pobreza e desigualdade. A prioridade são os cidadãos”, foi categórico. Renato falou, também, sobre a necessidade de uma revisão estratégica no processo de criação e gestão integrada dos diversos equipamentos públicos e privados do Brasil.  Será possível?
 
Apesar de ser um tema recorrente, a preocupação em criar uma Cidade Inteligente (smart city) é mundial. Queiroz conta que, durante encontros com gestores internacionais, algumas pessoas do exterior o perguntaram sobre o setor energético do Brasil, que é referência no mundo. “Apesar de Nova Iorque ser a cidade mais inteligente do mundo, no Brasil temos outra realidade que podemos passar. Temos uma rede fantástica que interliga regiões de hidrologias diferentes. Temos capacidade de desenvolvimento”.

 
Queiroz, inclusive, explicou o porquê de os chineses estarem vindo para o Brasil para atuar nessa área. Muitos falam “Para vender equipamentos”. Mas há uma afirmação que chamou a atenção. “Eles vêm para aprender tecnologia de integração com fontes diferentes do Brasil”. Mais do que vender equipamentos, eles querem conhecer um sistema de distribuição interligado para aplicar em toda a Ásia, avalia.
 
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“Não adianta culpar São Pedro. Não é bem assim”, brinca Renato Queiroz ao falar sobre a energia do Brasil e sobre um dos desafios que o país enfrenta. Segundo ele, mesmo com a crise e com a falta de chuva em alguns locais, o consumo de energia cresceu 10% nas residências. E os obstáculos não param por aí para a “tal” cidade inteligente almejada. “Estamos longe de um mundo desenvolvido. Há uma somatória de questões”.
 
O especialista cita, ainda, alguns problemas enfrentados, como controvérsias ambientais, indefinições no papel da Eletrobras, morosidade na implantação de energia fotovoltaica, dependência de tecnologia internacional, poder público com fraca atuação nas políticas de transporte público e falta de política pública estratégica de Estado. “É preciso que se faça uma política estratégica para definir os rumos das ações”, assinala.
 
Muitas vezes, as pessoas confundem governo com Estado. Ele espera que o Brasil e os estados definam políticas de Estado, que não sejam alteradas pelas mudanças de governo. Falta de definições e mudanças políticas causam inseguranças, atrasam processos e postergam ou inibem investimentos.
 
“É claro que estou falando de ideias viáveis e com resultados. Teve um político que quis fazer uma universidade no Maracanã. Não queremos ideias populistas”.  Não é isso que vai trazer credibilidade. E completa: “As prefeituras devem interagir com os órgãos de planejamento energético para avaliar os impactos das modernizações”.
 
Outro grande desafio citado por Renato diz respeito à transformação e modernização das cidades que necessitam de grandes investimentos que superam a capacidade do município. “O poder público nas três esferas (federal, estadual e municipal) precisa ter parcerias com o setor privado”.
 
Afinal, as Cidades Inteligentes devem trazer melhores condições de vida para seus moradores e as tecnologias devem contribuir para esse objetivo. “Há muito o que ser pensado. O Estado deve capitanear tais transformações com o papel de árbitro pela responsabilidade que tem com o bem-estar do cidadão”, conclui.
 
 
Renato Pinto de Queiroz é mestre em planejamento energético, pós-graduado em administração de empresas e graduado em engenharia elétrica. Pesquisador do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ, integrou o Corpo Gerencial de Furnas Centrais Elétricas SA na área de Planejamento da Diretoria de Engenharia, Planejamento e Construção. Exerceu a função de assistente da presidência da empresa Termorio S.A e o cargo de superintendente de Recursos Energéticos da Empresa de Pesquisa Energética tendo sido o coordenador executivo do Plano Nacional de Energia 2030 e dos Balanços Energéticos Nacionais dos anos 2005, 2006, 2007, 2008. Atualmente, integra o Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ.

 

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1 comentário

  1. Quando o óbvio ululante se

    Quando o óbvio ululante se torna novidade é porque estamos ferrados como sociedade.

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