A 3G e o negócio do século com a Eletrobras, por Luís Nassif

O pano de fundo da privatização da Eletrobrás é o seguinte.

O pai da ideia é o Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, operador colocado para dar as cartas no MME. O Ministro é figura decorativa.

Pedrosa é ligado ao fundo de private equity  GP Investimentos, que nasceu das entranhas do Banco Garantia para administrar parte dos ativos, quando os três fundadores embarcaram na grande aventura Ambev.

GP é Garantia Partners, que comprou a Cemar (Centrais Elétricas do Maranhão) quando essa estava sob intervenção da Aneel depois de ter sido devolvida pela Pennsylvania Power and Light, que perdeu 330 milhões de dólares na primeira privatização da Centrais Elétrica do Maranhão e a entregou de volta por 1 dólar.

Foi dada de graça a esse grupo apesar de haver uma proposta com dinheiro a vista do grupo americano Franklin Park, operador do Fundo Guggenheim, um dos maiores fundos de private equity americanos. Mas foi um leilão de cartas marcadas, no qual o trunfo do comprador estava na facilidade em renegociar os passivos da empresa com a Eletrobrás.

Daí nasceu a Equatorial Energia, que depois comprou a Celpa (Centrais Elétricas do Pará).

Denunciei essa operação quando colunista da Folha de Sáo Paulo., através das colunas

O Caso Cemar, de 5 de abril de 2005

Gato no setor elétrico, de 4 de abril

O quebra-cabeças da Cemar, de 6 de abril

onde mostrava a influência do grupo de ACM e Sarney e dos movimentos incompreensíveis da Eletrobras.

O Ministério Publico da Suíça tem um dossiê sobre as operações com a Cemar,  e chegou a investigar o episódio através da Embaixada da Suíça em Washington. Mas, depois que perderam, os americanos preferiram não se envolver.

Em todo caso, se o MPF brasileiro pedir o dossiê, é possível que o Ministério Público suíço colabore. Na época, tinham rastreado o dinheiro da propina e chegado ao beneficiário final.

A Equatorial faz parte do grupo de controle da Lighr Rio.

Paulo Pedrosa foi Conselheiro da Equatorial, da Celpa, da Cemar e da Light, portanto ligado ao grupo Equatorial que é controlado pelo GP Investimentos, hoje com novo nome de 3 G.
O fundo 3G é hoje o segundo maior acionista privado da Eletrobrás e foi um dos grandes compradores de ações na véspera do anuncio da privatização. A CVM está investigando. Para não aparecer, o 3G usou o J.P.Morgan e mais dois bancos como fachada.
Há vários meses há um grupo de trabalho interno da 3G debruçado sobre os ativos e passivos da Eletrobrás.
A meta é assumir o controle da Eletrobrás, o grande alvo do grupo Equatorial. Se bem sucedido, seria um negócio do “padrão GP”. A Eletrobrás, companhia com ativos avaliados em 400 a 600 bilhões de reais, com dividas de 39 bilhões e passivos ocultos de 64 bilhões, mas que podem ser liquidados por um terço disso e cujo controle pode ser comprado por  R$15 bilhões.

Seria o negocio do século. Com R$ 15 bilhões, o 3G compraria um patrimônio liquido real de 300 a 350 bilhões de reais, um operação na escala da AMBEV e melhor ainda que esta.

Há pouco tempo o grupo 3G tentou comprar o controle da UNILEVER, e foi barrada pelo Governo britânico, desconfiado do estilo corsário do grupo.

É um conflito de interesses gigantesco. Paulo Pedro, o Secretario Executivo do Ministério de Minas e Energia, o idealizador do anúncio de privatização da Eletrobras. Sendo conselheiro de todas as empresas do Grupo Equatorial por trás do qual está a 3G.

22:04 27/08/2017

30 comentários

  1. Discussão sobre o Default da Dívida Interna ou s/Auditoria

    Não estaria na hora de começarmos a discutir o não pagamento da Dívida Interna, ou, ao menos, sua Auditoria?

  2. Nassif, não está na hora de

    Nassif, não está na hora de começarmos a discutir o não pagamento da Dívida Interna ou, ao menos, de uma Auditoria? Samuel Pessoa hoje no Valor fala em “conflito distributivo civilizado”. Isso existe? 

  3. Leio Nassif e gosto de

    Leio Nassif e gosto de Nassif, mas como  também penso (logo existo), gosto de testar suas teorias conspiratórias. Não para contestá-las (não tenho essa capacidade).

    Essa aqui, por exemplo, transforma o primeiro texto dele sobre a venda do sistema Eletrobrás, visto como uma montagem para compra pelos chineses, num negócio agora forjado para o grupo GP investimentos. O secretário executivo do ministério, Paulo Pedrosa – que nesse artigo virou o novo arquiteto do plano de vendas da empresa -, sequer aparecia entre os nomes citados no primeiro artigo, junto com helena Landau, a musa das privatizações.

    Há também uma discrepância muito grande entre o valor patrimonial da empresa, entre óticas de Nassif e  do presidente da mesma. Aqui Nassif o estima em cerca de R$ 400 bilhões (média de 400 e 600 milhões de ativos, menos endividamentos “reais” e “ocultos de 39+64 bilhões). Esse valor parece mais referenciado na citação feita no primeiro artigo da estimativa de investimentos feitos pela sociedade ao longo da existência da empresa. Investimento não se transforma em ativo eterno. Pode perder valor ao longo do tempo. Entre os governos de FHC, lula e Dilma, pode ter havido uma grande destruição desse valor. Como o presidente da eletrobras estima o PL da empresa em cerca de R$ 30 bilhões, Nasssif poderia apontar, em próximos artigos, onde poderia estar essa diferença de cerca de R$ 370 bilhões, considerando a sua enormidade.

    Enfim, o artigo pode estar certo ao dizer que o ministro é uma peça decorativa. Isso ficou claro quando em artigo divulgado por ele mesmo, dias antes do anuncio da venda do sistema, asseverou  que a Chesf não seria privatizada, criando algum alento (logo desfeito) no túmulo de Apolônio Sales. 

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