A tacada da diretoria da Petrobras com os fundos-abutres norte-americanos, por Luis Nassif

A reportagem da Reuters sobre o acordo entre a Petrobras e os acionistas norte-americanos que a acionaram não dá margem a dúvidas. Os investidores decidiram processar a Petrobras depois que os procuradores da Lava Jato acusaram os executivos da empresa de aceitar mais de US$ 2 bilhões em subornos e envolveram nas acusações os ex-presidentes Maria das Graças Foster e José Sérgio Gabrieli.

O que a Petrobras está perdendo com esse acordo é várias vezes mais do que o dinheiro recuperado pela Lava Jato.

Na apuração de responsabilidades, é importante levantar o papel do ex-Procurador Geral da República Rodrigo Janot. Saber que tipo de informações ele levou ao Departamento de Justiça e que acabou ajudando no embasamento das ações.

O acordo da Petrobras com os investidores-abutres norte-americanos tem outros responsáveis. Não apenas o presidente Pedro Parente, mas todos os funcionários que aceitaram o jogo, do Departamento Jurídico ao de Relações com os Investidores.

O primeiro ponto é essa maluquice de estimar a corrupção da Petrobras em R$ 10 bilhões. A corrupção saía do lucro dos fornecedores, não da Petrobras. É corrupção do mesmo modo. Mas entender essa lógica é essencial para saber quem deve indenizar quem.

Depois, o valor de R$ 10 bilhões foi uma maluquice que a ex-presidente Graça Foster, absolutamente jejuns em questões corporativas, acabou endossando. Houve um ajuste patrimonial na Petrobras decorrente da queda dos preços do petróleo.

A contabilidade leva em conta a geração futura de resultados de cada unidade. Quanto maior o preço do petróleo, maior a rentabilidade. Com a queda dos preços, houve um ajuste no balanço, que nada teve a ver com a corrupção. A sede persecutória da Lava Jato e da mídia imediatamente transformou o ajuste em prejuízo decorrente da corrupção.  

Qualquer grande escritório de advocacia não teria nenhuma dificuldade em estabelecer a verdadeira relação de causalidade entre preços de petróleo e das ações das petroleiras. A troco de quê a Petrobras abriu mão de se defender?

Enfim, trata-se de uma grande tacada, uma bilionária tacada que, em um ponto qualquer do futuro, cobrará seu preço dos responsáveis. E não irá parar por aí.

Esse acordo envolve uma das class actions . Ainda há outras, além dos processos não resolvidos no Departamento de Justiça e na SEC (a CVM norte-americana).

Essa ação tem advogados brasileiros associados, cujo próximo passo será montar uma ação dos minoritários brasileiros contra a Petrobras.

Virou uma festa, na qual irão extorquir muito mais do que os propineiros e, agora, sob aplausos da mídia. A inacreditável Globonews saudou a jogada.

 

84 comentários

  1. Só o Brasil

    Nenhum país do mundo colocaria na diretoria de uma empresa estratégica uma turma que é inimiga declarada da própria empresa.

    O psdb, globo, lava jato, tem todo o direito de até odiar a petrobrás, pricipalmente pelo vulto que ela tomou no governo Lula, mas serem colocados no comando da mesma para, como vingança, destrui-la, é coisa que só acontece neste pobre e completamente indefeso país. Completamente indefeso.

    Acho que isto explica tudo, não?

    Depois do golpe, o caos.

     

  2. Seria fácil…

    Seria muito fácil defender a Petrobrás, bastaria mostrar que o ataque à “corrupção” “da Petrobrás” fazia parte de um esquema de demonização do governo PT, que a havia elevado sobre todos os critérios e dado apoio decisivo na descobeta do fantástico pré -sal, e precisava ser caluniado  e destruido para o bom andamento do GOLPE em curso. Parava o processo no ato.

    Mas quem diria isto ao judge de NY? Este governo, esta mídia bandida, estas “autoridades”, este judiciário que dava o golpe? Estes adoradores dos “homes”? Nunca!

    Por isso a perda tão natural da ação.

    Mas país que coloca na direção de sua maior e mais estratégica companhia um comando e uma diretoria feito de pessoas e grupos que sempre odiaram a cia, globo/psdb/direitona/lava jato/parente, procura isto mesmo: destrui-la. Já haviam cedido o pré-sal, doado partes da cia, interrompido seu progresso no pré-sal, etc. Os 10 bilhões de multa foi comemorado pela miriam e pelo merval (na edição matutina os dois elogiaram o saque, depois à tarde sumiu qualquer referencia ao assunto – sintomático e do modo de  agir criminoso da globo) por exemplo.

    Pais triste, elitezinha corrupta e indefeso. Indefeso.

    Depois do golpe o caos.

  3. ….
    Mesmo se fosse condenada pela justiça quem poderia receber a causa ? Não poderia receber quem comprou ações depois do escandalo, apenas antes da lava jato

  4. O que é ESTRANHO o caso

    O que é ESTRANHO o caso Petrobrás, são esses dados que levantei na internet-BOLSA/IBGE;

    LUCROS da PETROBRAS que renderam DIVIDENDOS FANTÁSTICOS aos ACIONISTAS, OU NÃO?

    2006 – R$ 25,92 BILHÕES, 

    2007 – R$ 21,51 BILHÕES

    2008 – R$ 32,99 BILHÕES

    2009 – R$ 28,98 BILHÕES

    2010 – R$ 35,19 BILHÕES

    2011 – R$ 33,13 BILHÕES

    2012 – R$ 21,18 BILHÕES,

    2013 – R$ 23,57 BILHÕES E, em 2014 (- )   R$  21,587 NEGATIVOS. – se A bolsa de valores aceitou esses números, porque os está NEGANDO AGORA?

  5. Não teria ocorrido essa perda

    Não teria ocorrido essa perda internacional de 10 bilhões de reais se não fosse a Lava Jato. A maior farsa da história do Brasil se chama Operação Lava Jato. Instrumento do imperialismo para recolonizar o país, com o aplauso de muitos idiotas analfabetos políticos. Infelizmente, a população pobre foi massacrada pela manipulação de uma mídia vendida – Globo à frente -, canalha e serviçal dos piores interesses, e não soube reagir a tempo de impedir o golpe de 2016 e toda a desgraceira que aconteceu a partir disso. O impedimento da candidatura Lula talvez seja o ato final para a consolidação do golpe, do estado de exceção, do fim da democracia no Brasil. E a confirmação do Brasil como colônia, com um povo escravizado e dominado e uma elite cínica, vira-lata e mau caráter. A Lava Jato e a Globo foram os principais instrumentos desse processo golpista de destruição do Brasil enquanto país autônomo, com alguma possibilidade de virar uma Nação mais justa, mais humana e mais soberana.

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