Felipe González e o desafio das redes sociais na política

Felipe González pertence à estirpe dos estadistas que, de alguma maneira, ajudaram a moldar o mundo nas últimas décadas. E, de certa forma, foram tragados pelas mudanças ocorridas.

Deu-me entrevista de uma hora para o programa Brasilianas.org, dissecando os novos tempos.

Um dos maiores desafios é a maneira de trabalhar as redes sociais. Tem que se acompanhar o debate e de forma alguma partir para a confrontação, identificar as melhores iniciativas.

A velocidade do parlamento é infinitamente menor do que das redes sociais, criando frustrações no atendimento das demandas. Por outro lado, há enorme dificuldade de sair respostas através da política. Na Espanha, diz ele, cada cidadão em rede é praticamente um partido político.

Segundo ele, a melhor política de rede foi a implementada pelo governo Obama. Uma equipe de jovens assessores acompanha permanentemente as redes. Qualquer proposta com mais de dez mil seguidores no Facebook é atendida. Se a proposta é viável, trata-se de incorporá-la à política pública. Se inviável, receberá uma resposta com todas as explicações. Tudo sem pedir voto ou apoio.

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Segundo ele, a revolução da Internet produziu dois fenômenos simultâneos.

O primeiro, o fato da comunicação ter abolido o tempo e o espaço. O segundo, o fato de, pela primeira vez na história, os jovens estarem ensinando os velhos. O terceiro, a hiperinformação.

A grande maravilha da revolução da informação é que ela deixa de ser patrimônio do poderoso: está disponível para todos. Mas o excesso de informação não conduz à verdade no sentido alemão, de constituição de um patrimônio, diz ele. A dificuldade maior não é entender a informação, mas coordená-la de forma inteligente.

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Nesse mundo complexo, qual deveria ser o papel do governo?

O espaço do Estado-Nação se alterou definitivamente por um fenômeno supranacional nacional, global, que nasce do impacto da revolução tecnológica e da globalização.

Com a globalização, fora das fronteiras nacionais tomam-se decisões que impedem a capacidade dos países de decidirem soberanamente. Segundo ele, trata-se de uma realidade irreversível, que precisa ser enfrentada.

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Não há saída fora da democracia, diz ele. Colocam-se muitos adjetivos na palavra democracia. Diz-se que ela está em crise, que é dominada por uma aristocracia, inclusive nos Estados Unidos. Mas quem tenta alternativas não democráticas, fracassa. Mesmo a China é um capitalismo de Estado, diz ele. O motor da economia é a economia privada, com direção forte dada pelo capitalismo de Estado.

González defende o Estado forte e enxuto, forte na regulação e na previsibilidade das políticas públicas, e enxuto na operação, apelando para a parceria com o setor privado.

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No plano social, a intolerância manifestada na Europa, especialmente em relação aos imigrantes, vai arrefecer, diz ele. A migração é uma questão de sobrevivência para o continente, por conta da pirâmide populacional europeia, envelhecida.

Mesmo assim, levará algum tempo para que os eleitores caiam na real. A xenofobia continuará crescente nos próximos anos, ao contrário do Brasil, que é um país essencialmente de convivência, diz ele.

 

16 comentários

  1. O principal problema que os políticos enfrentam na internet,

    É a “memória” sempre à espreita nas hemerotecas.

    Se não quiserem arcar com a responsabilidade dos fatos e atos… NÃO OS COMETAM !!!

    Felipe Gonzalez, se hoje tivesse a ilusão de candidatar-se a síndico, no seu prédio, saberia o que vale, à luz dos seus feitos. Mas certamente é uma conversa interessante, ao menos para não cometer os mesmos erros.

    Abs

  2. o velho e o novo na comunicação

    “A arte da política consiste em desenvolver um projeto de país que ganhe a adesão da maioria social, interesse e ganhe a adesão de todos.”

    o trecho acima é do post “A crise da social democracia, por Felipe González”. recebeu 51 comentários, vários deles de robôs45. absolutamente todos estes comentários nada tiveram a dizer sobre o tema. a Direita e, portanto, as classes dominantes brasileiras, não tem um projeto de pais. nada tem a acrescentar a respeito.

    “Um dos maiores desafios é a maneira de trabalhar as redes sociais. Tem que se acompanhar o debate e de forma alguma partir para a confrontação, identificar as melhores iniciativas.”

    a comunicação via web, incluindo as diversas redes de comunicação por celular, apenas reproduz a comunicação cotidiana: a imensa alienação que nos impede de dialogar para juntos sermos capazes de construir algo em comum.

    exemplo: operação Lava Jato. assunto de ramificações extremamente complexas. quem é quem? o que está em jogo? onde está a justiça e onde estão os criminosos? engana-se quem acha que está compreendendo inteiramente o que está em curso! é algo que só pode ser destrinchado coletivamente. várias mentes pensando juntas e nisto contribuído com seus conhecimentos e informações.

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    • A verdade

      O consenso é uma das formas de verdade…. mas não tráz confiança, esta está, na minha opinião, no blockchain.

      A política mudou, mas não pela internet, e sim pela matemática.

      No fundo, tudo é geometria, astrologia e tarot.

        • Pi day

          Are you a Tau-ist? Pi Day is Under Attack

          Suzanne Tracy, Editor-in-Chief, Scientific Computing and HPC Source 

           

          Tau Day’s revelers are campaigning for a constant twice as large as pi (about 6.28) to take its place, hence the June 28 celebration.As June 28, 2015, approaches, the Internet is once again anticipating controversy as the mathematical constant pi comes under threat from a group of detractors who will be marking “Tau Day.” Tau Day’s revelers are campaigning for a constant twice as large as pi (about 6.28) to take its place, hence the June 28 celebration.

           

          Tau proponents say that, for many mathematical problems, tau makes more sense and makes calculations easier.

          As we learned in school, pi is the ratio of circumference to a diameter of a circle. Tau, on the other hand, is the circumference divided by radius. Tau-ists argue that pi is the wrong figure to be associated with the properties of a circle, which is more naturally defined by radius and not diameter. Therefore, pi, an essential in equations in math, science and engineering, should be replaced by tau. Not all fans of mathematics agree, however, and pi’s rich history means it will be a difficult number to unseat.

          “I like to describe myself as the world’s leading anti-pi propagandist,” Michael Hartl, an educator and former theoretical physicist, told BBC News. “When I say pi is wrong, it doesn’t have any flaws in its definition — it is what you think it is, a ratio of circumference to diameter. But circles are not about diameters, they’re about radii; circles are the set of all the points a given distance — a radius — from the center,” Hartl explained.

          Hartl credits Bob Palais of the University of Utah with first pointing out in 2001 that “pi is wrong” in anarticle that appeared in the Mathematical Intelligencer. However, it is Hartl who is responsible for theTau Manifesto — calling tau the more convenient formulation and also instituting Tau Day to celebrate it.

          Are you a Tau-ist? If so, there are numerous ways you can join with like-minded revelers from around the world in Tau Day celebrations:

          International Tau Day Meetup: This free virtual event will feature a short Tau Talk by Tau Day founder Michael Hartl, a Q&A session, and a chance to (virtually) meet other participants with a love of all things mathematical and true. Accounts of any real-life Tau Day parties will be most welcome, especially those that involve twice as much pi(e). The event will be held on June 28, 2015, 11:00 a.m. PDT/2 p.m. EDT/6:00 p.m. GMT.What Tau Sounds Like: Listen as a musician interprets the mathematical constant Tau to 126 decimal places.Join in on social media (hashtag: #tauday).Wear a Tau Day T-shirt.If you would like to try your hand at memorizing the digits of tau, here are the first 100,000 to get you started.Eat twice as many pies as you normally would on Pi Day!

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          Once-in-a-Century: Celebrating 10 Digits of Pi on 3.14.15 at 9:26:53

           

      • O mundo legal também mudará

        Blockchain Technology Will Transform the Practice of Law

        6 hours ago

        Editor’s Note: The authors of this post are attorneys at Holland & Knight.

        By Joe Dewey, Partner, and Shawn Amuial, Associate, Holland & Knight

        There is no shortage of articles written about the application of blockchain technology to the law.  The majority of these articles, however, have focused on either regulatory concerns raised by the use of blockchain technology — primarily in the context of cryptocurrencies, such as Bitcoin — or its possible implementation in the field of smart contracts. Less has been written about the impact that this technology will have on the practice of law.

        The blockchain is the technological underpinnings of cryptocurrencies like Bitcoin.

        Photo by Steve Jurveston (Flickr/Creative Commons)

        It’s not altogether surprising that the majority of partners at some the largest law firms in the world could not describe or define the blockchain — some of whom, if not most may not even be familiar with the term. What does seem likely, however, is that most of them will be familiar with term in the next few years. Furthermore, those firms that devote resources to being on the cutting edge of this technological transformation will thrive, while those that don’t will operate at a serious disadvantage.

        Before proceeding further, here are a few notes regarding terminology for those unfamiliar with the blockchain. The term “blockchain” refers to a decentralized digital ledger that combines powerful cryptography algorithms with a system of decentralized computing power that redundantly verifies transactions, which are ultimately recorded on a public digital ledger available to the world.

        The blockchain is the technological underpinnings of cryptocurrencies like Bitcoin. Blockchain technology paired with cryptocurrencies, such as Bitcoin, results in a “trustless” system of transferring assets without any need for a central processor. Think of a payment system with no middle man, where every payment is recorded and verifiable by anyone who accesses the blockchain.

        The blockchain will not replace the need for lawyers. It will, however, change how we approach contract drafting, administration and enforcement among other aspects of the practice.

        In the future, transactional lawyers may draft contracts that resemble how developers code software applications. In fact, future lawyers will likely need basic-to-intermediate training in coding in order to implement smart contracts based on the blockchain — a phenomenon that is already taking hold in the general population. In addition, lawyers will need to understand the intricacies of how these systems work in order to counsel clients on potential pitfalls and best practices in utilizing these systems for their business. Countries, like Honduras, have already committed to replacing their existing real estate records with blockchain technology — which one day could allow for its citizens to sell or buy a house via an iPhone app.

        Countries, like Honduras, have already committed to replacing their existing real estate records with blockchain technology

        Photo by David Holt (Flickr/Creative Commons)

        Human interaction through contract is likely to change dramatically. One area of the law likely to erode is the application of equitable principals. For example, most smart contracts are coded to be self-executing, so if conditions A and B occur and are verified by the blockchain, then cryptocurrency is automatically unlocked and becomes controlled by the other party. A transaction like this is virtually irreversible and demonstrably verifiable. This is compounded by the pseudo anonymous nature of the participants in these types of marketplaces.

        For more commodity-based transactions, the parties may not even know the identity of the other. As a result, if a party feels aggrieved about some aspect of the execution of the contract (e.g., misrepresentation or fraud), the aggrieved party may not necessarily have redress in our court system. This will raise serious issues for policy makers.

        One area of the law likely to erode is the application of equitable principals.

        Attempts to regulate many of these perceived shortfalls (which may not be shortfalls for a nation that prides itself as being established by the rule of law and not men), will likely be ineffective because in many cases there will be no individual upon whom the coercive power of the state may be exercised.

        Remember, the entire underpinning of the blockchain is the decentralized nature of its structure. So who do you fine? Who do you indict?  This is only confounded more by the anonymous nature of the many peer-to-peer economic relations effectuated on the darknet through proxy networks like TOR (the onion relay), which is a network that makes one’s IP address virtually untraceable.

        Ultimately, issues regarding redress will not impede the progress of this technology. Built-in arbitration mechanisms and even the ability to avail a transaction to traditional legal systems are concepts that have already been contemplated. These mechanisms, however, will have to be engineered into the code of individual smart contracts at their drafting stage — provisions that a prudent lawyer familiar with the blockchain and code would suggest to his/her client.

        Rather than drafting an extensive and lengthy contract using a traditional template and editing with Microsoft Word, contracts will be drafted with a handful of lines of code. For example, a code snippet as simple as the following could do 95 percent of the work in generating a credit agreement:

         

        *****

        One benefit to this approach is that as time goes on consensus will develop with code libraries and there will be a uniformity in contracting similar to what ISDA has developed for swap documents. This uniformity will lead to significant transactional savings and expedite the pace at which parties can consummate closings.

        Photo by Yuri Samoilov (Flickr/Creative Commons)

        In many ways, these platforms are self-executing (yes, think “Skynet”) and once released operate outside the coercive powers of the state. Take for example an estate contemplated by an elderly father. A future lawyer would code a trust in accordance with the father’s intent and upload it onto the blockchain.

        Of course, the content of the estate would be encrypted and coded into an algorithmically encoded alphanumeric string whose sole purpose is to objectively identify the trust. If upon his death the father wishes that his home be devised to the first of his three children to get married, then a program coded onto the trust that scans an online death registry would, upon the father’s death, immediately trigger a search through a marriage registry for each of the three children, thereafter devising the home to the child who is alive and married first. The estate would be disbursed, almost immediately, in accordance with the father’s wishes with no need for the estate to be revisited by an attorney or pass through the auspices of a probate court.

        While this technology is only in its infancy, its application to business is developing at a rapid pace. With Goldman Sachs, Nasdaq and many other leading financial firms and companies investing hundreds of millions of dollars into blockchain technologies, one thing is clear — the lasting legacy of the blockchain is likely to be far greater than Bitcoin or any other single cryptocurrency. This has significant implications for lawyers and the business of law. Ultimately, however, this technology offers a great opportunity for those firms who can innovate. Those firms that are willing to adapt and embrace this technology will be able to provide more effective and efficient services, which will lead to a competitive advantage over those firms who do not evolve.

         

  3. Semi verdades, que sucumbirão à inteligência artificial

    Não capturou nem irá perceber que a verdadeira revolução no mundo atual está no tratamento do que a humanidade entende por dinheiro. Esta é a verdadeira terceira onda.

    Seus raciocínios são tautológicos e a matris que usa  para explicar  a linearidade (que não existe) no mundo complexo que ele enxerga é simplória, nem eigenvectors ele parece conhecer.

    Enfim um político dinossauro em extinção, vale a entrevista pelo aspecto pitoresco talvez.

    • por uma inteligência natural

      Ray Kurzweil e outros postulam que os computadores em rede tendem inevitavelmente a desenvolver um tipo de auto-consciência, gerando inteligência artificial: a singularidade científica.

      trata-se de uma concepção mecanicista e de evolucionismo reducionista. a evolução não se baseia na “sobrevivência do mais apto”. mitocôndrias e cloroplastos são a prova definitiva disto. a evolução também não é linear, uma visão tributária do antropocentrismo. a evolução se dá pela simbiose, pela cooperação, pela criatividade, pelas mutações.

      apenas muito recentemente descobriu-se que o oceano possui uma imensa rede de captura e processamento de informações, formada por bilhões de bactérias associadas como uma rede neural inter cambiando impulsos elétricos. já que processam informação, pode-se dizer que o oceano pensa? teria o oceano alguma tipo de auto consciência?

      .

    • ?????? wtf?

      Matrizes? Linearidade? Quem diabos faz política assim? Só o Eduardo Cunha, “CDF de estatuto e lacunas de Câmara de Deputados”, que usa todo esse “conhecimento” para o MAL.

  4. A questão da regulação

    O Brasil é um dos países com legislação mais extensa do mundo. Tão extensa e tão formalista, que a idéia legisladora inicial, ainda que boa, perde-se na miscelânea conflitante de Leis Complementares, CATs, Normas Reguladoras e quantos outros instrumentos surjam para cobrir os famosos “a serem regulados na forma de lei complementar” – que nunca vem, ou, quando vem, é confusa e conflita com outras tantas normas. O cipoal regulatório no Brasil é denso.

    E é inútil. Legislação e regulação não são sinônimos. A complexidade das normas somada à falta de órgãos competentes para esclarecer o cidadão no uso da norma torna todos nós “foras da lei”. Uma vez que é impossível estar completamente dentro da lei, abre-se espaço aos achacadores dos partidos, que levam, erradamente, a alcunha de fiscais (uma profissão honesta, na partida).

    O Estado desmoraliza-se quando legisla confusamente ou quando legisla sobre o que não tem capacidade de fiscalizar. E na desmoralização do Estado abre-se o caminho para o descumprimento das leis pelo cidadão e para a corrupção. No limite, desmoraliza-se a idéia de Estado de Direito, a partir de iniciativas legisladoras dos próprios agentes públicos. Dentro desse contexto, ter um código ruim de leis é pior do que não ter lei nenhuma. 

  5. Ideias e opinioes!
    Sou muito critico. Mais respeito e levo em consideracao as opinioes e neste caso eh a real situacao que encontramos, o executivo e o congresso muito lento e fora do foco da populacao e da classe que atua e possui a informacao na internete.
    Verdade que Obama montou uma rede e venceu assim o primeiro governo e no segundo mandato ja os republicanos estavam juntos. Mais mantem e atua a mesma rede social atravez dele, esposa, vice e os lideres dos democratas na camara e senado. E areas das secretarias, como os ministerios no Brasi, a rede pauta em pontuais de suas areas, como ciencias, interior, saude etc. Uma realidade do governo Obama muito diferente das redes e ataque dos tucanos. Inexistente no PT ou na esquerda em geral no Brasil, muito que se passa aqui no LN e assim esta acontecendo nas redes politicas americanas e leva informacoes e colhem. Muito das vezes as explicacoes vao nestas redes politicas e independentes fazendo e fomentando debates e militancia. Existe um voluntarismo politico muito grande de ideologias.
    A situacao na internete brasileira eh exatamente hoje isto, uma atuacao individual e sem organizacao e orientacao, nao ha comvergencias de ideias e politicamente. O que passou em 2013 foi que explodiu sem lideres, caminhamos ainda assim hoje e tudo pode acontecer.
    O texto mostra a situacao real um politico entre o passado e presente, salva se ai. Nao ficou conservado lah atraz mais carrega parte do seu passado e fantasma que nao se enquadra mais facilmente nos dias atuais. Nao se fez um conservador. A parte economia e social mundial e cada pais como regiao atualmente passa por questoes e mudancas. Nada definido. O sua opiniao tem contrastes.

  6. Lola Sánchez, do Podemos,

    Lola Sánchez, do Podemos, conta como uma camareira tornou-se deputada no Parlamento Europeu, surfando na onda da decepção com os partidos da esquerda tradicional

     

    María Dolores Sánchez Caldentey, Lola Sánchez para os espanhóis que a elegeram para o Parlamento Europeu, em 2014, é uma das estrelas do grupamento político chamado Podemos.

     Lola durante sua entrevista em um hall de hotel na Tunísia, durante a realização do Fórum Social Mundial em 2015. Foto: Mídia NINJA

    Estrela improvável, por certo. Camareira e garçonete, tendo-se formado em Ciências Políticas pela Universidade de Granada, Lola era mais um dentre os milhões de jovens espanhóis colhidos pela crise econômica que varreu os empregos e a esperança daquele país.

    Como muitos de seus colegas, logo depois de formada a jovem Lola foi tentar a vida no exterior e migrou para a Islândia e a Escócia, em busca da sobrevivência como professora de espanhol.

    Não deu certo porque o mercado estava saturado de gente que havia tido a mesma –e nem um pouco original — ideia.

    Sem nenhuma experiência anterior, Lola teve sua iniciação política na grande jornada que ficou conhecida como 15M (o 15 de maio de 2011), quando milhões de espanhóis foram às ruas protestar contra o plano de austeridade proposto pelo governo do socialista José Luis Rodríguez Zapatero (do PSOE –Partido Socialista Operário Espanhol).

    Comprometido com o FMI, com o Banco Mundial e com os ditames da União Européia, em 10 de maio de 2010, Zapatero apresentou ao Parlamento espanhol um plano brutal de ajuste econômico que incluía, entre outras coisas, uma redução geral dos salários, cortes na previdência, saúde e educação públicas. Partido tradicional da classe operária espanhola, tendo lutado na resistência à terrível Ditadura de Francisco Franco (1892–1975), Zapatero e o PSOE traíram seus representados.

    (E se Dilma não vetar o projeto de lei da terceiriração? O 4330? Veta Dilma!)

    Dessa dolorosa decepção surgiu o 15M em que as reivindicações de trabalho e salários dignos, direitos sociais, casa e verdadeira democracia uniram-se a um lamento dirigido a todos os partidos tradicionais: “Não nos representam!” Com a criação do Podemos (a inspiração vem de Barack Obama, “We Can”), em março de 2014, Lola apresentou-se às primárias para definir as candidaturas às eleições europeias, que venceu.

    Abaixo, a entrevista exclusiva que a eurodeputada concedeu neste mês aosJornalistasLivres e ao Facción, diretamente da Tunísia, durante a realização do Fórum Social Mundial 2015.

    #JornalistasLivres — Como você vê o processo do Partido dos Trabalhadores do Brasil, que está em uma crise de representatividade, de comunicação?

    Lola Sánchez — Não se pode trocar uma elite por outra. É a natureza do ser humano. O ser humano é corruptível, o ser humano é orgulhoso e, além disso, o sistema o faz ser assim. Eu sou uma deputada. Tento não me esquecer de onde venho e para que estou aqui. Mas é difícil porque o próprio sistema é programado para que você se
    sinta alguém especial.

    Todos os privilégios que temos, nós políticos… Os orçamentos, o dinheiro que temos que gerir, as pessoas que entram nos escritórios oferecendo coisas! Bem, enfim… O sistema inteiro é podre. Agora somos minoria e não podemos trocá-lo. Então somos como uma espécie de formiguinhas que se meteram em um castelo de ouro e tentam nos cobrir de ouro para que nos tornemos pessoas como eles.

     Foto: Olmo Calvo / SUB Coop

    #JornalistasLivres — Como evitar essa transmutação das formiguinhas?

    Lola Sánchez — Para evitar a troca de uma elite política por outra, o que deve ser feito é uma renovação constante. A limitação de um tempo determinado nos cargos é fundamental, e sobretudo a vigilância das pessoas, a transparência absoluta… Ou seja, nós, os que estamos nos cargos públicos, publicamos na internet todos nossos gastos, os itens parlamentares que possuímos, quem temos contratado, quanto essa pessoa cobra etc. Isso é fundamental. Que haja uma vigilância de absolutamente tudo o que fazemos. Nós publicamos todas as reuniões que temos, para que as pessoas vejam qual é o trabalho que estamos fazemos. O que não pode acontecer é você dizer que está representando alguém e apenas representar a si mesmo, e quando te pedirem a prestação de contas dizer “não”, ou que não quer prestar contas. E tem que fazer isso [prestar contas] constantemente. Eu sempre digo: “Por favor, vigiem-nos!”

    #JornalistasLivres — Todo homem ou mulher tem seu preço?

    Lola Sánchez — Eu não sou corruptível, mas todo mundo tem um preço e se alguém chega e ameaça a minha família… Se eu não sinto que há alguém por trás de mim me vigiando e ao meu lado apoiando-me em meu trabalho, pode ser que eu me sinta tão só que, no final, acabe cedendo às pressões econômicas, às chantagens ou aos subornos. E isso é o que não pode acontecer..

    ..Nunca se deve deixar um político sozinho com a porta do escritório fechada. As portas devem estar sempre abertas. Sempre, a todo mundo. Manifestações de Junho de 2013, Brasília, Brasil. Foto: Mídia NINJA

    #JornalistasLivres — Como você visualiza os processos políticos na Europa e os processos políticos na América Latina?

    Lola Sánchez — Acredito que os processos que estamos vivendo agora na Europa e na América Latina deveriam ser vistos numa perspectiva mais global, e não regional. Temos uma enorme falta de respeito e de conhecimento sobre tudo o que está acontecendo na América Latina. Tudo o que vocês vêm passando há décadas na América Latina está acontecendo, agora, na Europa. Vemos como o capitalismo se enfurece com os países. E não só países em desenvolvimento: agora, são países absolutamente desenvolvidos que estão sofrendo uma espoliação brutal. Na América Latina, temos ótimos exemplos de como solucionar esses problemas; de como cortá-los pela raiz. E isso é uma coisa que deve ser totalmente exportada para a Europa. Acontece que, na Europa, sempre tivemos esse sentimento de superioridade, de que somos nós que exportamos a democracia, nós que exportamos os Direitos Humanos. Agora, muitos governos latino-americanos deveriam vir à Europa nos ensinar como fazer as coisas. O primeiro de tudo é contar com as pessoas — se não contamos com as pessoas, não há como fazer nada.

     Dani Gago / Disopress / Podemos

    #JornalistasLivres — Como assim?

    Lola Sánchez — Para os partidos de direita e para os liberais, as pessoas são um incômodo. Seus direitos são um estorvo. Trata-se de algo que não deve ser ouvido e que tentam excluir. Então, vemos que os partidos de esquerda e os que estão surgindo agora (como, por exemplo, o Syriza, na Grécia, ou o Podemos na Espanha) têm um desafio muito grande. Temos de buscar a participação das pessoas na política, enfrentar nossos próprios governos e os partidos de nossos países. Temos de enfrentar a visão deles sobre os processos latino-americanos (por desconhecimento e por esse sentimento de superioridade que possuem).

    #JornalistasLivres — Você pode explicar como Podemos usa as tecnologias de mobilização do século 21? Como são usadas as redes sociais e as tecnologias de comunicação, principalmente?

    Lola Sánchez — É a construção a partir de baixo. Mas, para fazer com que as pessoas se envolvam na política e que participem da política é preciso, primeiro, fazer com que a autoestima política aumente, porque ela nos foi tirada. Está claro que o sistema representativo no qual vivemos é tudo, menos representativo. Isso eu sempre digo no Parlamento. Fico indignada. Nós estamos ao lado do grupo socialista e vejo as coisas em que eles votam. Muitas vezes, fico cansada com eles, porque sei que estão votando em coisas que seus eleitores rejeitariam. Ou seja, são “representantes” que não estão representando.

     Acampamento do movimento 15M, Madri, Espanha. Foto: Olmo Calvo / SUB Coop

    #JornalistasLivres — Quem eles representam?

    Lola Sánchez — Os partidos políticos tradicionais têm deixado de representar as pessoas que os colocaram ali, as pessoas que votaram neles. Eles votam por seus próprios interesses — de se manter nos cargos, de manter sua força e seu poder. Então, nesta crise do sistema de representação, o que deve ser feito é pular essa etapa de representação; e que sejam as pessoas, o próprio povo, que adentre nas instituições e se autogoverne. Mas, como digo, para isso, primeiro é preciso aumentar a autoestima das pessoas. Fazem-nos acreditar que não sabemos o que queremos e que os únicos que sabem são eles. Querem com isso que os deixemos nos governar, em escritórios com as portas fechadas, onde não sabemos do que falam e com quem falam — porque eles sabem mais do que ninguém, porque eles são os especialistas e os melhores. Isso é a primeira coisa que deve ser rompida. Eles não são os melhores, muito pelo contrário: têm-nos levado a um caos social, econômico e, em muitos casos, humanitário (na Grécia e na Espanha estamos vivendo um desastre humanitário, ao qual “os melhores” nos trouxeram).

    #JornalistasLivres — Como sair desse engodo?

    Lola Sánchez –A primeira coisa que deve ser dita é: não é verdade que vocês sejam os melhores. São, sim, os mais egoístas! Quando as pessoas aumentam sua autoestima política, veem-se com poder de participar e dizer “tenho coisas a dizer”. Realmente, são as pessoas comuns que têm que dizer, porque são elas — a sociedade dos desprotegidos e dos mais fracos — que estão sofrendo essas políticas. Mas nunca ninguém lhes deu voz.

     Dani Gago / Disopress / Podemos

    #JornalistasLivres — De novo, como sair desse engodo?

    Lola Sánchez — Não tem de dar voz num sentido de “Votem em mim! Vou lhes representar!”. Não! “Venha participar e apresente-se conosco!”. Nós votamos em nós mesmos, colocamo-nos dentro das instituições, e cortamos as representações. Minha principal função (creio eu) é a de representar, é verdade. E sempre que voto ou que tenho um discurso no Parlamento Europeu ou qualquer ato institucional, penso se estou representando. E automaticamente penso: “Claro, estou representando, mas não quero representar; quero sentir que sou um deles, porque realmente sou”. Eu, durante a manhã, era uma camareira, no dia das eleições, e à noite era eurodeputada. E não quero me esquecer disso nunca! Um dia vou deixar de ser eurodeputada e deixar de fazer política para voltar à vida real, e não quero tornar-me profissional, porque é quando se esquece para o que está ali.

    #JornalistasLivres — Você se auto-representa, então?

    Lola Sánchez — A necessidade de representação é o que deve ser questionado. E o que deve ser feito é que as pessoas entrem e se auto-representem. E, para isso, precisamos de pessoas normais e comuns. Mas para que entrem pessoas normais e comuns é preciso dizer-lhes: “Vocês sabem muito!”. Eu sempre uso o exemplo de uma dona de casa: uma dona de casa, agora, na Espanha ou na Grécia, está gerindo uma família e levando adiante uma família, com poucos recursos econômicos, com um orçamento muito pequeno. E estão lhes negando todos os serviços sociais — estão deixando as donas de casa sem creches para seus filhos, sem serviços sociais… Essa mulher sabe gerir muito melhor do que o nosso ministro de Economia! E é importante dizer que se trata de uma mulher que não foi a uma universidade, mas tem a mente muito bem trabalhada, porque sua escala de valores é uma escala de pessoas comuns. Há que se revalorizar essas pessoas, dizer-lhes que “vocês, sim, que sabem; vocês, sim, que conhecem os problemas e, certamente, sabem como solucioná-los muito mais do que um ministro de Economia — que tem sete diplomas e não sei quantos mestrados”.

     Acampamento do movimento 15M, Madri, Espanha. Foto: Olmo Calvo / SUB Coop

    #JornalistasLivres — Qual é a relação que os movimentos sociais devem estabelecer com o governo?

    Lola Sánchez — Não podemos cometer erros que foram cometidos em alguns países da América Latina, em que os partidos políticos emergentes que chegaram ao governo tiraram as cabeças pensantes dos movimentos sociais. Tiraram os líderes dos movimentos sociais para que fizessem parte do governo. Uma coisa tem que ser o partido político, e as pessoas que estão fazendo política — ou legislando… Outra são os movimentos sociais, que têm que ser respeitados sempre. Que se mantenham ali, porque têm que ser integrantes da crítica, da vigilância. Quem tem de fazer lobby conosco são os movimentos sociais, e não as empresas. Assim, o poder político se converteria em um poder social, e não em um poder econômico, como é agora. Agora, o poder político é poder econômico, e o poder social não existe. O poder social são os protestos nas ruas que, na maioria das vezes, não vão a nenhum lugar. Os movimentos sociais são os que sabem o que está acontecendo nas ruas e, como eu disse, são também os que conhecem as soluções, porque aquele que conhece o problema conhece, também, sua solução..

    ..Não podemos tirar as cabeças pensantes dos movimentos sociais — elas são parte fundamental de qualquer mudança. Há que lhes dar oxigênio, há que lhes dar forças, protagonismo absoluto e dignidade. Revolta dos Garis, Rio de Janeiro, Brasil. Foto: Mídia NINJA

    #JornalistasLivres — Como você e o Podemos pensam a imprensa, a democratização dos meios de comunicação? O que pensam sobre isso? E sobre a mobilização nas redes sociais, também: como usam a mídia alternativa para isso?

    Lola Sánchez — Podemos foi obrigado a sair dos meios tradicionais de comunicação, porque senão ninguém teria nos conhecido. Porque fomos vetados durante muitos meses na mídia tradicional, mesmo sendo um movimento muito forte (claro, porque somos um perigo; para eles, somos “o inimigo”). E felizmente existem as redes sociais, e dentro das redes sociais os meios de comunicação alternativos. Mas não podemos estar sempre centrados nas redes sociais porque nem todo mundo tem acesso a elas. Pessoas mais velhas ou pessoas que não têm possibilidade de ter internet, pessoas com baixa escolaridade ou que não tiveram acesso à educação não têm acesso às redes sociais, e a essas pessoas também temos que chegar. É claro que, neste momento, o Podemos não pode fazer nada em relação a isso, porque não estamos no governo, mas está claro que a liberdade de imprensa é uma obrigação absoluta, assim como fomentar o apoio a múltiplos meios de comunicação. Não é possível que na Espanha haja apenas quatro jornais — não há mais jornais, e os quatro dizem o mesmo. Vendo as capas dos quatro, vemos que elas variam muito pouco. E, no final, é isso o que as pessoas leem.

    #JornalistasLivres — Poderia explicar como você conseguiu ascender de uma trabalhadora a parlamentar europeia?

    Lola Sánchez — Creio que seja pelo momento que a Espanha estava vivendo. Éramos um país riquíssimo, grande parte da população vivia bem, e esta crise partiu a sociedade, quebrou-a, e foi criada esta diferença, que é a diferença entre os partidos políticos tradicionais e as pessoas que estão sofrendo com a crise. Foi onde o Podemos entrou, com o discurso de que somos pessoas comuns fazendo política. No final, as pessoas normais é que entraram nisso. Eu, a primeira, nunca havia feito política nem havia me envolvido com nenhum partido — e em movimentos sociais, muito pouco. O 15M sim, que me mobilizou, mas como eu sempre estava indo para o exterior, me desvinculei e em seguida foi difícil revincular-me. A questão é que as pessoas têm entendido, sem saber explicar, que há uma crise de representatividade. E então, as pessoas, ao invés de votarem em políticos, decidiram votar em pessoas como elas mesmas. E o fato de eu estar trabalhando como camareira (mesmo depois de ser eleita, porque precisava trabalhar), chamou muito a atenção das pessoas, porque elas me viram como igual. E é o que faz falta: que nos vejamos como iguais — não como políticos. Nós, que estamos ocupando um cargo político num determinado momento, temos que ser uma representação real..

    ..Temos que ser gente da rua, e eu creio que o segredo tenha sido esse. As pessoas viram que éramos pessoas normais e comuns, mas fazendo coisas muito grandes, fazendo coisas que não havíamos feito antes.

    #JornalistasLivres — Você é uma mulher ocupando um cargo no parlamento. Qual é a importância dos movimentos feministas, nesse contexto?

    Lola Sánchez — É essencial. Uma das primeiras medidas que tomamos, quando o Podemos foi criado, foi apresentar uma lista com as opções “homem, mulher, homem, mulher, homem, mulher”. Se o primeiro mais votado era uma mulher, seguia-lhe um homem, etc. Graças a isso, eu sou eurodeputada. Na verdade, até no momento da votação, fiquei em sexto, na lista, mas ela foi reordenada, porque havia dois homens na minha frente. Não deixa de ser uma representação do que ainda é a sociedade. E a sociedade espanhola ainda tem muito o que caminhar para haver igualdade entre o homem e a mulher. Um primeiro passo são as leis, que devem ser colocadas, de forma obrigatória, para impulsionar a mulher e, de vez em quando, afastar um pouco o homem, para que seja aberto caminho para a mulher, porque, caso contrário, os homens pegam tudo.

    #JornalistasLivres — E quanto à vida real, onde mais o Podemos é feminista?

    Lola Sánchez — O discurso feminista no Podemos é essencial (realmente é), porque já não são apenas as listas, e sim todas as medidas econômicas que nós consideramos que são necessárias para libertar a mulher do peso que está havendo, neste momento, nos países em crise, onde os serviços sociais estão sendo eliminados. Quem suporta esse peso são as mulheres. São as mulheres que estão cuidando das crianças que ficaram sem escolas, dos idosos e dependentes, das pessoas doentes. São coisas que o Estado deveria fazer, mas quem está fazendo são as mulheres. E elas estão fazendo isso em silêncio, e de maneira invisível, porque é algo que é feito dentro das casas e ninguém vê. Então, primeiramente, isto deve ser reconhecido, porque é o que está acontecendo; é uma coisa que não acontece nas ruas — e então, parece que se as pessoas não veem, não existe. Sim, existe, e é um drama em muitíssimas famílias, porque há mulheres que têm que deixar seus empregos para cuidar de seus idosos. É uma verdadeira barbaridade; um não cumprimento dos deveres do Estado. Então, as medidas mais urgentes têm que se dar nesse sentido — de libertar a mulher, e não apenas para que esta possa ascender ao mercado de trabalho, mas que possa ascender na política.

     Marcha das Vadias, São Paulo, Brasil. Foto: Mídia NINJA

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  7.  A Internet é semelhante ao

    A Internet é semelhante ao domínio que Deus tem sobre a árvore do bem e do mal, conectada a visão do Senhor, para nos observar, memorizar as atitudes boas e os pecados. Mas Deus resolveu, em dado momento, revelar a intercessão que precisamos ver dos frutos, quando suprimos as perversões de Satanás.

    Ao entrarmos neste domínio da Internet – espaço para influenciar e se encher de intenções – desejamos forjar trajetórias da vida prática, porém, pela transferência de caminhos para um sistema de simultaneidade, alguém do mundo virtual, acima de todos, estará dirigindo as circunstâncias e as centralizando em fatores que vão nos render para o igual dos diferentes, do que for lançado fora, das coisas feitas para nós mesmos…

    Não percebemos, ainda, que abrimos mão de nossos destinos exteriores de ser espiritual (valores), manipulados interiormente (como almas presas) do outro lado do computador.

    Toda tecnologia é negativa (em forma de poder), porque ela leva as nossas atividades ao que a natureza pode valorizar exteriormente para alguém que a apreender; como se todos os valores do mundo estivessem no espaço, entregues à imagem – provisória – dos fenômenos naturais.

    Se eramos apenas aprendidos primitivamente pelo capitalismo globalizado dos EUA, e guidados como escravos de uma obtenção passageira pela moeda física; agora, digitalmente pertencemos ao sistema em si dos bancos, em números das operações de cartões de crédito e em transferências de conversão aos banqueiros – por operações que significam a negação de identidade real na unidade com o corpo; pois a multiplicação digital (fake) quanto a sociedade civil, se transforma num poder de uma elite para sermos o renome da apropriação original de Deus.

    Ao sermos desta concessão ao terceiro domínio (o Império das sombras), Deus quis nos mostrar que somos passivos deste governo invisível que estamos cultuando,  e, longe de mostrar a saída do labirinto e do caos exterior – que é a visão de Jesus para o bem e para  o mal – quer todo os sacríficios debaixo dos céus.

    Não pensem que Deus não tem a chave tecnológica aliada aos preceitos positivos que movem o mundo em que Ele nos criou e o abre as portas do novo século. Significa apenas que o Reino de Deus está proximo de ser estabelecido acerca de toda tribo de povo, língua e nação; do qual, a sua interpretação, manifestará a dimensão real, valores e a verdade humana, que podem redimir os impactos do sistema de dependência capitalista.

     

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