Guedes e a segunda onda da Covid ameaçam a recuperação, por Luis Nassif

Guedes antecipou que a saída será conter a demanda e tornar-se mais rigoroso ainda na Lei do Teto. Ao mesmo tempo, continua espalhando terrorismo com a tal dominância fiscal - situação em que o Tesouro nao conseguiria resgatar os títulos públicos vencidos. Em suma, as próximas semanas serão repletas de surpresas. E não necessariamente em relação à Covid.

Não se iluda com a suposta recuperação do setor de serviços.

Aqui, você tem os resultados da última Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, referentes ao mês de setembro. Aparentemente, uma recuperação robusta,

No entanto, se comparados com os níveis de fevereiro, percebe-se que o único setor a crescer foi o de “Outros Serviços” e Serviços de Informação e Comunicação se manteve estável. Os demais registraram quedas expressivas, mesmo com a recuperação relativa de setembro.

O mesmo movimento se observa na avaliação por estados.

Com poucas exceções houve aumento nos indicadores de quase todos os estados.

Mas quando se mede o comportamento acumulado desde março, há uma insuficiência ampla de desempenho, com apenas 7 estados em níveis superiores aos de março.

Mesmo a recuperação do turismo, aparentemente alta, mantém o setor em níveis de até 30% inferiores aos de março.

Some, então, os seguintes fatos:

  1. Uma recuperação até agora insuficiente.
  2. A probabilidade de uma segunda onda da Covid-19, a exemplo do que está ocorrendo na Europa e nos Estados Unidos. Nos últimos dias multiplicaram as informações de aumento substancial de internados em UTIs de hospitais particulares.
  3. Finalmente, os riscos da pressão de preços, que poderá levar o governo a abortar qualquer suspiro de recuperação.

Confirmando o que a Coluna Econômica de ontem temia, fontes do Ministério da Economia atribuíram a pressão de custos ao aumento da demanda, uma constatação que atropela todas as análises setoriais sobre o momento.

A alta de preços deve-se à desarticulação de cadeias produtivas e à ampliação expressiva das exportações de commodities agrícolas – que acabaram impactando duplamente os preços internos, pela alta das cotações e pela desvalorização do real, que aumentou os preços internos em reais.

Guedes antecipou que a saída será conter a demanda e tornar-se mais rigoroso ainda na Lei do Teto. Ao mesmo tempo, continua espalhando terrorismo com a tal dominância fiscal – situação em que o Tesouro nao conseguiria resgatar os títulos públicos vencidos.

Em suma, as próximas semanas serão repletas de surpresas. E não necessariamente em relação à Covid.

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