3 de junho de 2026

O empobrecimento da pauta de exportações brasileira, por Luis Nassif

O empobrecimento da pauta de exportações é nítido. Nos últimos cinco anos, a participação da Indústria de Transformação caiu de 63,5% para 54,4%, enquanto a Agropecuária subia de 16,8% para 21,4% e Indústria Extrativa de 17,4% para 23,7%.

Dia desses, comentando o peso cada vez menor da indústria na pauta de exportações brasileiras, uma comentarista levantou a cloroquina da economia: as reformas. A indústria está perdendo peso por falta de reformas.

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Reformas, melhoria do ambiente econômico é apenas um dos ângulos de uma política industrial. Há outros tão ou mais importantes, como a integração com as políticas científico-tecnológicas, o fortalecimento do mercado interno, a diplomacia comercial.

Nos últimos anos foram desmontadas as principais agências de fomento à inovação, a política de compras internas dos estaleiros nacionais e da própria Petrobras, foram destruídas as principais empresas que trabalhavam com inovação e o mercado interno foi desmontado pelo aumento da informalidade do trabalho.

Mas a superficialidade aguda que tomou conta do jornalismo prefere reduzir realidades complexas a meras questões de fé: as reformas, sejam quais forem.

O empobrecimento da pauta de exportações é nítido.

Nos últimos cinco anos, a participação da Indústria de Transformação caiu de 63,5% para 54,4%, enquanto a Agropecuária subia de 16,8% para 21,4% e Indústria Extrativa de 17,4% para 23,7%.

A pauta de produtos da Indústria de Transformação é paupérrima no campo da intensidade tecnológica. Dos 10 produtos de maior peso, 9 são meros subprodutos do diferencial de matérias primas existentes no país. Apenas o 10o, Veículos, Automóveis de Passageiros, tem uma complexidade maior.

Mesmo assim, é um mercado que ano a ano perde o dinamismo, devido a ausência de uma política industrial que fixasse um perfil de produção e uma diversificação de mercado. Nos últimos anos, o setor foi abalado pela crise da Argentina – que era o maior comprador de carros brasileiros – e pelos efeitos da pandemia na economia mundial.

Também houve queda substantiva no setor de Partes e Acessórios.

E nos Motores de Pistão e suas partes.

Em relação ao tipo de manufatura, é nítida a desproporção entre bens de capital, bens de consumo e bens intermediários – com amplo predomínio do terceiro grupo.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Zé Sérgio

    8 de fevereiro de 2021 11:29 am

    Indústria?! 90 anos de Estado Ditatorial Caudilhista Absolutista Assassino Esquerdopata Fascista. EUGÊNIO GUDIN que habita entre Nós !!!! Industrialização Tardia? “Indústrias são para a Bélgica !!!! “…Eugenio Gudin não acreditava na viabilidade da indústria no Brasil. O melhor, para ele, seria o país aproveitar suas vantagens comparativas de clima e terras férteis e se firmar como EXPORTADOR AGRÍCOLA…”…o Brasil absorveu e transformou em uma espécie de “ciência econômica brasileira” um conjunto de ideias ortodoxas sobre a prática da economia como ciência e operação que não tem paralelo em nenhum outro grande País.
    É uma espécie de “NEOLIBERALISMO CABOCLO”, atrasado, de lição mal feita…” Continuar com a farsa até quando? 90 anos sendo Pária Mundial. Cabeça que tornou-se em rabo. 1930/2020. Projeto de enorme sucesso.

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