5 de junho de 2026

No Senado, PEC da Blindagem para na CCJ e não terá rito acelerado

Após manobra na Câmara, proposta que restringe investigações contra parlamentares enfrenta resistência entre senadores
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A PEC da Blindagem aprovada pela Câmara em dois turnos após manobra que restabeleceu o voto secreto para autorizar processos contra deputados e senadores, chegou ao Senado sob pressão, mas não terá tramitação acelerada. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), já avisou que não pretende dar celeridade à análise, o que pode frear os planos de aliados da proposta.

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Como foi a manobra na Câmara

A proposta — apelidada nas redes sociais de “PEC da Bandidagem” — teve o voto secreto retirado no primeiro momento de votação, mas voltou ao texto por meio de uma emenda aglutinativa apresentada pelo relator Cláudio Cajado (PP-BA). O dispositivo foi aprovado por 314 votos a favor e 168 contra, tornando sem efeito outros destaques que poderiam manter a votação aberta.

Com a mudança, se a PEC for promulgada, o Supremo Tribunal Federal (STF) só poderá abrir ações penais contra parlamentares com autorização do Congresso, em votação secreta, o que elimina a possibilidade de o eleitor saber como cada deputado ou senador se posicionou.

Constitucionalidade em xeque

A reinclusão do voto secreto levantou dúvidas jurídicas. A Constituição proíbe que matérias rejeitadas ou prejudicadas sejam reapresentadas na mesma sessão legislativa, e críticos apontam que o voto secreto já havia sido derrubado em votação anterior. O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o Supremo pedindo a anulação do processo.

Vale ressaltar que a PEC também amplia o foro privilegiado, estendendo a prerrogativa de julgamento pelo STF a presidentes de partidos políticos com representação no Congresso, outro ponto considerado polêmico.

Vozes da oposição

Na Câmara, a deputada Érika Hilton (PSOL-SP) foi uma das vozes mais contundentes contra a proposta. A parlamentar denunciou a votação em plena madrugada, vista como uma estratégia para reduzir a transparência e dificultar o acompanhamento da sociedade.

Discursos contrários se multiplicam. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que a PEC “transforma a imunidade parlamentar em impunidade universal, integral, ilimitada e desmedida” e alertou que o Congresso pode se tornar “refúgio de narcotraficantes, contrabandistas, terroristas, chefes do crime organizado, líderes de facções e outros delinquentes.

Reação popular e próximos passos

Nas redes sociais, a expressão “PEC da Bandidagem” chegou ao topo dos trending topics do X (antigo Twitter), refletindo a indignação de grande parte da população. Organizações da sociedade civil também têm se mobilizado para pressionar o Senado a barrar a medida.

Agora, o destino da PEC está nas mãos da CCJ e, em seguida, do plenário do Senado. O desfecho mostrará se o Congresso optará por reforçar a blindagem de seus membros ou atender à pressão por mais transparência e responsabilização. Como se trata de uma emenda constitucional, caso seja aprovada, o presidente Lula (PT) não poderá vetar o texto.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    18 de setembro de 2025 1:32 pm

    Um Senhor de nome Alexandre Marcos Pereira que, certamente, nada disse quando um Bostonarista idiota matou um petista na sua festa de aniversário, afirmou, se referindo ao assassinato do Charlie Kirk:

    “Talvez a grande tragédia do nosso tempo seja a confusão entre refutar e eliminar. Refutar exige paciência, lógica, leitura atenta; eliminar pede apenas um gesto impaciente – um clique, um linchamento moral, um puxão de gatilho. A gramática da República nasceu da disputa entre vozes; o autoritarismo, de qualquer cor, brota do silêncio imposto. É mais fácil apertar o volume de uma caixa de som do que aprender tocar um instrumento”.
    O que diria Marx?
    “Na luta contra o estado de coisas vigentes, a crítica não é uma paixão da cabeça, é a cabeça da paixão. Não é uma lanceta, é uma arma. Seu objeto é seu inimigo, que ela não quer refutar, mas exterminar. Pois o espírito desse estado de coisas já refutado. Em si mesmo, não é um objeto digno de pensamento, é uma existência que é tão desprezível quanto é desprezada. A crítica não precisa esclarecer as coisas para si mesma em relação a esse objeto, pois já acertou contas com ele. Ela não assume mais a qualidade de um fim em si, mas apenas de um meio. Seu pathos essencial é a indignação, sua obra essencial é a denúncia.” – Marx

    O Senhor Alexandre Marcos Pereira toma o efeito pela causa. Ora, o autoritarismo não brota do silêncio imposto, o silêncio imposto é que brota do autoritarismo.

    O Marcola e o Beira-Mar vão se candidatar a Deputados a fim de quem possam praticar crimes impunemente. Para isso, basta apenas que eles estejam do mesmo lado dos demais deputados criminosos.

    1. GalileoGalilei

      18 de setembro de 2025 3:06 pm

      O desprezo pela vida de adversários já se mostrou no caso da execução da Vereadora Marielle. Na declaração de Bolsonaro de que a ditadura matou poucos; deveria ter matado muito mais. E na declaração do mesmo Presidente, de quem gosta de osso é cachorro. E ainda na declaração do mesmo, desta vez se referindo não a adversários, mas sim à população atingida pela COVID que morria por não conseguir respirar: “E daí, eu não sou coveiro”. E no gesto desrespeitoso com aqueles que ainda não haviam morrido, mas sufocavam pela falta de ar. Canalha!
      #Sem Anistia!

  2. GalileoGalilei

    18 de setembro de 2025 2:55 pm

    Esta PEC já está sendo chamada de PEC da Bandidagem. Vai ser difícil sustentar o contrário junto à opinião pública.

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