A toxicidade da cloroquina e os testes em pacientes com Covid-19

"Trabalho em Manaus foi realmente demonstrar dose tóxica e perigosa que não deve ser usada", disse Natália Pasternak, do Instituto Questão de Ciência

Do Brasil de Fato

morte de 11 pacientes infectados pelo novo coronavírus no sexto dia de tratamento com altas doses de cloroquina, em Manaus (AM), fez cientistas brasileiros interromperem precocemente pesquisas sobre o uso da substância para tratar a covid-19.

De 81 pacientes que receberam o medicamento, metade tomou uma dose de 450mg, duas vezes ao dia, por cinco dias; a outra parte, 600mg, por dez dias. Em três dias de tratamento, no entanto, 25% dos pacientes que receberam a dose mais alta apresentaram batimentos cardíacos irregulares.

Financiado pelo governo do estado do Amazonas, o tratamento fez parte do estudo “CloroCovid-19” de cientistas brasileiros sobre cloroquina. Ao The New York Times, um dos pesquisadores, Marcus Lacerda, afirmou que o estudo mostrou que uma dosagem alta “é muito tóxica e mata mais pacientes”. As mortes vêm como um solavanco a governantes defensores da substância, como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido) e o estadunidense Donald Trump.

Para Natália Pasternak, fundadora do Instituto Questão de Ciência (IQC) e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), as mortes podem estar diretamente relacionadas ao uso do medicamento. “O intuito era justamente checar se as dosagens são seguras, porque têm muitos hospitais no mundo e no Brasil que não sabem muito bem qual dose usar. O trabalho de Manaus foi realmente demonstrar que essa dose é tóxica e perigosa e não deve ser usada”, afirma.

Leia também:  Carlos Gadelha: Para garantir o SUS universal, país precisa consolidar o complexo industrial da saúde

Segundo Pasternak, como uma vacina pode levar dois anos para estar disponível, a aposta da ciência nesse momento está no “reposicionamento de fármacos”. Ou seja, pegar um remédio que já existe no mercado e testar sua eficácia contra a covid-19. E os testes em andamento, explica a especialista, não se restringem à cloroquina. “Está todo mundo olhando a cloroquina como se fosse a última salvação da lavoura, tem um monte de medicamento sendo pesquisado.”.

A entrevista completa ao Brasil de Fato aqui.

 

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6 comentários

  1. Definitivamente, não podemos com isso.

    Antes de ontem descobri uma pessoa que não sabia que existia, trata-se da deputada estadual da Bahia, Talita Oliveira.
    Jovem, nascida em 1985, evangélica e bolsonarista, teve votos em 407 dos 417 municípios da Bahia. Graças aos pastores e às igrejas evangélicas.
    Todos se acham no direito de opinar sobre o que não entendem, inclusive todos viraram cientistas de redes sociais.
    É o caso da jovem deputada. Falam as maiores sandices impunemente.
    A jovem deputada e virologista de rede social publicou em 15.04, às 14:45, menos de 3 dias atrás, um banner com a foto do presidente com a faixa e o ministro da C&T, o astronauta de Bauru fazendo sinal de positivo, com o texto: “GOLAÇO! O Ministério da Ciência e Tecnologia desenvolve remédio com 94% de eficácia no combate à Covid-19”
    E escreve a jovem “cientista” e deputada:

    “O Governo Federal anunciou que encontrou dois remédios promissores contra o coronavírus, sem efeitos colaterais. Um deles com eficácia de 94%. Os testes foram feitos em laboratório e serão replicados em 500 pacientes nas próximas semanas. O nome dos remédios não será divulgado antes dos resultados dos testes. Deus é bom o tempo todo! #BrasilComBolsonaro #TodosContraOCoronavirus #deputadaTalitaOliveira

    Agora vem o melhor, em menos de 3 dias o post teve:
    39 mil likes
    15 mil comentários
    53 mil compartilhamentos

    Agora o pior:
    As redes sociais são incontroláveis e uma nova força política que a esquerda não sabe avaliar e não sabe usar.
    Simplesmente não podemos com isso, não temos ferramentas.
    Perdemos de saída, de goleada.
    Uma deputada ESTADUAL de primeiro mandato fala para milhões.
    Nós falamos para as paredes.

  2. A reportagem não diz em que fase da doença a cloroquina foi administrada, nem se em concomitância com antibióticos
    Eu não sei de nada. O que Didier Raoult diz (ver em https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2020/04/11/interna_ciencia_saude,843747/medico-apresenta-novo-estudo-sobre-eficacia-da-cloroquina-e-causa-pole.shtml ), em trabalho divulgado em 11 de abril,é que…
    O resumo do novo trabalho informa ainda que a hidroxicloroquina “associada ao antibiótico azitromicina”
    e que…
    “administrada imediatamente após o diagnóstico é um tratamento seguro e eficaz contra a Covid-19”
    A politização do debate na mídia está impossibilitando atuação com bom senso

  3. Dna Lourdes Nassif por favor corrija o texto.

    Não foi dada dose de 600mg por 10 dias mas 600mg DUAS VEZES AO DIA POR 10 DIAS TOTALIZANDO 12G.

    “Eligible participants were allocated to receive orally or via nasogastric tube high dose CQ (600mg CQ twice daily for 10 days or total dose 12g); or low dose CQ (450mg for 5 days, twice daily only on the first day, or total dose 2.7g).”

    Como pode ver a diferença de dosagem é de mais de 4x. Uma pesquisa sem pé nem cabeça.

    Além do mais se fosse a pesquisa para se analisar os efeitos da duperdosagens, o que é anti ético, não poderia ser duplo cego deixando os médicos sem saber quais pacientes estavam em risco real e iminente de morte.

    E outro ponto que deve ser observado.

    Seres humanos não podem ser usados de cobaias humanas para se testar duperdosagens de medicamento.

    É anti ético, e desumano, é criminoso.

    A própria piscina da Fiocruz trás o que vem a ser pesquisa anti ético:


    Uma pesquisa eticamente justificável precisa respeitar o participante da pesquisa em sua dignidade e autonomia, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua vontade de contribuir e permanecer, ou não, na pesquisa, por intermédio de manifestação expressa, livre e esclarecida; precisa ponderar entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos, e garantindo que danos previsíveis serão evitados; precisa ter relevância social, o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária; e, finalmente, precisa ser aprovada previamente por um comitê de ética em pesquisa (CEP).”

    https://portal.fiocruz.br/envolvendo-seres-humanos

    Essa pesquisa feriu os princípios éticos das pesquisas.

    É um escândalo.

    Transformaram pessoas em cobaias humanas.

    Avise o Nassif por favor.

  4. Corrigindo, Sra Loudes:

    As dosagens corretas são:

    450mg 2x ao dia no primeiro dia e 450mg nos 4 dias subsequentes, totalizando 2,7grm

    CONTRA

    600mg 2 vezes ao dia por 10 dias totalizando 12grm

    Todo o arrazoado continua valido.

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