Governo Bolsonaro resistiu a aderir ao consórcio Covax Facility, diz revista

Depois de ignorar alertas, Ministério da Saúde só aderiu ao projeto coordenado pela OMS com a cota mínima necessária – doses para 10% da população

Reprodução

Jornal GGN – O Ministério da Saúde ignorou os alertas feitos pelo Itamaraty, e acabou por resistir à adesão ao Consórcio Covax Facility, o que permitiria ao Brasil adquirir uma quantidade de vacinas contra covid-19 em quantidade suficiente para imunizar metade da população.

Gravações de reuniões relevadas pela revista Crusoé destacam que o então ministro da Saúde, o militar Eduardo Pazuello, usava a justificativa de uma negociação “nebulosa” para não aderir à estratégia coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E mais: Pazuello mentiu à CPI da Pandemia ao afirmar que o preço inicial proposto pelo consórcio era de 40 dólares a dose.

Em uma das gravações, a embaixadora do Brasil em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevêdo disse que o valor inicial da dose era de 20 dólares, e foi reduzido para 10,55 dólares logo depois. Os responsáveis pela negociação também não entenderam os termos propostos pela OMS, já que o contrato estava em inglês. No fim das contas, o Brasil foi um dos últimos países a aderir ao consórcio Covax Facility, comprando apenas a cota mínima de imunizantes (vacina suficiente para 10% da população).

Enquanto colocava barreiras na negociação com a OMS, o Ministério da Saúde meses depois fechava a compra da vacina Covaxin por 15 dólares, em negociação com a intermediária Precisa Medicamentos, e chegou a conversar com o cabo Luiz Paulo Dominghetti para adquirir 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca em arranjo com a empresa Davati, que já admitiu publicamente não ter nenhuma vacina para vender.

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