A FIESP vai ao governo contra a lei do conteúdo nacional, por J. Carlos de Assis

Movimento Brasil Agora

A FIESP vai ao governo contra a lei do conteúdo nacional

por J. Carlos de Assis

A FIESP foi ao governo que elegeu para lhe propor (ordenar?) a redução de 70 para 40% do percentual de conteúdo nacional em equipamentos importados para a indústria, essencialmente  a de petróleo, a única que ainda cresce nesse momento de crise. É uma inacreditável manifestação de entreguismo por parte desse vendilhão da pátria, chamado Paulo Skaf, que comanda a maior central de patifarias na área industrial em defesa de interesses próprios que faz prevalecerem, por exemplo, sobre os interesses dos trabalhadores ameaçado pelo desemprego ou já sofrendo suas consequências.

A lei do conteúdo nacional é principalmente uma lei de proteção do emprego e da tecnologia nacional. Todos os países do mundo, quando ainda em processo de desenvolvimento, recorreram a alguma forma de proteção da indústria interna. É o óbvio. Sem proteção a empresa nacional é liquidada pela concorrência de empresas estrangeiras em condições tecnológicas mais avançadas. E sem proteção da empresa, desaparece o emprego, razão essencial para uma política industrial de proteção.

Acontece que o senhor Paulo Skaf, que se apoderou e se mantém por meios escusos na presidência da Fiesp, está longe de ser um industrial verdadeiro. Todo mundo em São Paulo sabe que ele não tem indústria, como é também o caso do presidente da Firjan, no Rio. É um vigarista. Elegeu-se e continua se elegendo presidente da entidade recorrendo à manipulação de eleitores fantasmas. Estes últimos são sindicatos de gaveta, cujas empesas desapareceram por muito tempo mas que são preservadas para as manobras eleitorais. Por exemplo, sindicatos de padeiros tem o mesmo peso, na Fiesp, que a indústria automobilística.

Tudo isso teria importância relativa se o senhor Skaf não tivesse sentado em cima de um caixa anual de R$ 3,8 bilhões de dinheiro público que ele gasta com total de e desenvoltura, comprando a grande imprensa. É dinheiro acima do que dispõem a esmagadora maioria dos ministérios. As pessoas pensam que é dinheiro de origem empresarial, mas não é. A quase totalidade é dinheiro do Sesi e do Senai, que o vigarista usa, por exemplo, para pagar deputados em projetos de seu interesse, invariavelmente contra o povo. Agora mesmo a Fiesp, o Sesi e o Senai assinaram anúncio de R$ 15 milhões nos jornais em defesa da sórdida PEC-241, que virou PEC-55 no Senado.

É inacreditável, mas o senhor Skaf não cuidou sequer de esconder a origem pública do dinheiro usado para promover uma lei antes de ser aprovada. No caso do impeachment, ele foi mais discreto. Promoveu uma reunião em São Paulo para juntar R$ 700 milhões a fim de comprar deputados em favor do sim naquela deplorável votação na Câmara, mas apenas os presentes ao encontro e os seus beneficiários (entre os quais meu informante) souberam de suas intenções. Como os industriais reagem às manobras do senhor Skaf? A maioria se conforma porque sabe que o caixa manipulado pelo senhor Skaf é muito poderoso.

Entretanto, que dizer dos órgãos púbicos, da Promotoria, da Justiça? Como o senhor Skaf não é do PT, mas simpatizante do PSDB, goza de uma certa carta de alforria para fazer o que bem entende com o dinheiro do Sesi e do Senai, inclusive comprar deputados. E que dizer dos parlamentares da oposição? Ah, este estão de tal forma esmagados pelo rolo compressor  das pautas-bomba no Congresso que acham que não vale a pena cuidar de um tema menor como o do esbulho do Sesi. A imprensa não comprada, naturalmente, ignora essa situação porque não pertence à esfera discriminatória do juiz Sergio Moro. Enquanto isso la nave va!

 *   *   *

Já dei notícia da criação do Movimento Brasil Agora, que reúne personalidades indignadas da sociedade civil com o processo atual de degradação das instituições republicanas e, em parte, da própria sociedade. Pois bem, nosso foco é 2018. Chegando lá vamos acertar as contas com gente como Paulo Skaf, sem falar na canalha que ocupa ilegitimamente postos de mando na superestrutura da República. Acho que teremos muitos aliados nessa luta.

J. Carlos de Assis – Economista,  professor, doutor pela Coppe/UFRJ.

23 comentários

  1. O mundo está entrando em um

    O mundo está entrando em um ciclo de REAÇÃO AOS EXCESSOS DA GLOBALIZAÇÃO com renascimento de ideias protecionistas e nacionalistas. TRUMP mesmo que perca a eleição tem um empressivo contingente de eleitores que são os PERDEDORES COM A GLOBALIZAÇÃO, 40 mikhões de familias americanas que perderam renda por causa do fechamnto de fabricas , o BREXIT no Reino Unido tambem foi uma reação aos excesso da globalização, o RENASCIMENTO DA EXTREMA DIREITA NA EUROPA, com Marine Le Pen despontando nas pesquisas para as eleições presidenciais na França é uma REAÇÃO Á GLOBALIZAÇÃO .

    Enquanto essa onde cresce no mundo nos estamos no ciclo antigo de MAXIMA GLOBALIZAÇÃO, se é mais barato na China vamos importar tudo da China e FAZEMOS O QUE COM NOSSOS OPERARIOS?

     

    Essa é hoje a pergunta que o mundo inteiro faz.

  2. isso, ….

    a Fiesp vai gerar empregos na China, … na Índia, no  Reino do Cambodja, …  nos quintos dos infernos… Então, pra você que é filidado a um  sindicato comandado pelo Paulinho da Força Sindical, …  uma palavrinha de consolo :

    “penis erectus in nadegas vostrum” ….

  3. O futuro é uma astronave, que tentamos…

    Professor J. Carlos, muito obrigado por vosso artigo. Esclarecedor; peço licença para compartilhá-lo, claro que assinado por V.Sa. sob a rubrica do GGN.

    Peço também licença ao comentarista que assina Carlos Taurus para acompanhá-lo: 2018 está longe.

    Professor, na verdade minha preocupação é até mais forte. 1968 foi o ano que não terminou? 2018, receio, pode não começar.

    O golpe prossegue a todo vapor. Os ataques intensificam-se: aos interesses econômico-financeiros da maior parte da população e à sua cidadania, aos direitos e à expectativa de direitos das cidadãs brasileiras e cidadãos brasileiros, ao Estado Democrático de Direito. Mais ataques estão já anunciados, outros por enquanto só podem ser imaginados. Quando e como pararão?  E, triste perguntar, por que parariam?

    Lula continua imbatível para 2018. Não há como prendê-lo, não há como deixá-lo livre. Não há como deixá-lo livre pois esse atual projeto em curso no governo teria vida curta. É então imbatível nas eleições de 2018? Que não tenhamos eleições em 2018.

    Quem urdiu, planejou, financiou, controlou e controla o golpe tem Executivo, Legislativo, Judiciário, grande mídia. É pouco? Nós temos o quê? Seja lá o que for que tenhamos não foi suficiente para impedir a oficialização de um golpe de Estado e continua não sendo suficiente para impedir sua continuidade.

    Apenas Ana Julia Ribeiro e suas bravas colegas e seus bravos colegas não frearão tudo isto. 

    Quer me parecer que apenas uma forte, contundente, factível ameaça aos interesses econômico-financeiros dos donos dos senadores e dos deputados, dos donos de Temer e de seus ministros e dos donos da grande mídia poderá nos dar alguma chance de resistir. Não me parece que os donos não sejam os mesmos.

    De nada nos adianta negociar com os funcionários do golpe, teremos que tratar com seus chefes.

     

    #OcupaTudo

    #GreveGeral

    #DesobedienciaCivil

  4. 40 % ???????

       Duvido que chegue a este percentual na realidade, pois as mudanças estudadas para revisar o calculo do PROIMP, com o aumento de justificativas de waiver – fora o retroativo das multas anteriormente aplicadas – estes “40%” de conteudo local, no frigir dos ovos, lá na ponta do estaleiro ( os que sobrarem ), se chegar a 25% será uma “vitória” , e não estou falando sobre itens de alto valor agregado, estes podemos esquecer, mas no “peso”.

  5. Cara de pau

    É muta cara de pau deste engalanado doutor afirmar que criou um movimento (quanta pretensão!; como se meia dúzia de vaidosos doutores pudesse criar um movimento; é, no máximo, um clube) de indignados com “o processo de degradação da instituições republicanas”. Que belas palavras! Que belo bla-bla-bla! A quem querem iludir? Esse mesmo senhor que escreve isso, pasmem!, apoia Marcelo Crivella, repito, apoia Marcelo Crivella, a encarnação do projeto obscurantista, à prefeitura do Rio de Janeiro.

    Então, leitores do GGN, vocês acreditam de fato que quem apoia um camaleão, como a ele se referiu Daniel Aarão Reis, tem alguma condição de declarar-se indignado com o “processo de degradação das instituições republicanas”?! E o que é a candidatura Crivella a não ser a própria degradação não apenas das instituições, mas de todo o Estado nacional?

    Portanto, à luz de mais este artigo deplorável, suponho que alguém tenta iludir alguém: ou o Crivela ilude o sr. JCA, o que me parace improbabilíssimo, pois o sr. JCA é um doutor de muitos títulos e galardões, suficientemente arguto para conhecer as estrepulias do senador, ou o sr. JCA tenta nos iludir, com mais um bla-bla-bla vazio, cheio de saberes livrescos, de que pretende, de fato, lutar com seu “movimento” (por favor, não riam) pelos interesses da imensa maioria de explorados deste país.

    Parece que o que move este e outros vaidosos “movimenteiros” é a imensurável vontade de se manterem, desesperadamente, em evidência na mídia. Escrevem uma coisa e agem de forma oposta. Aliás, uma prática comum com o canditato das trevas, o senador Crivella. Esta é minha interpretação de boa-fé, mas os leitores estão livres para formularem outras.

    Portanto, para o bem da coerência, solicito a este senhor e seus “movimenteiros” que repensem suas práticas políticas prestidigitadoras e, durante esse período de reflexão, nos poupassem de seus textos.

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