Um thread (sequência de mensagens no Twitter) relevante do jornalista Marlos Áypus disseca as ligações de Bolsonaro com a indústria da morte. Republicamos com os últimos tuites incluidos na lista.

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Por Marlos Ápyus

Em 2019, a imprensa trabalhou exaustivamente na apuração da relação da família Bolsonaro com a violência do Rio de Janeiro, em especial, o caso Marielle. 
A overdose de informações no noticiário, contudo, faz com que a compreensão do ocorrido soe confusa até mesmo aos profissionais que trabalharam na cobertura. 
Essa thread é, antes de qualquer coisa, uma homenagem a esses profissionais, que já não levavam uma vida fácil, mas tudo ficou ainda mais complicado com o autoritarismo dos que chegaram recentemente ao poder. 
Cada informação aqui compartilhada traz um link para a fonte que a apurou. Alguns links, no entanto, surgem mais de uma vez, já que comportam mais de uma informação útil à cronologia dos fatos. 
Cronologia que, como se perceberá, começa no estado de São Paulo. 
– LAMARCA 

Era 8 de maio de 1970. Em Eldorado, Carlos Lamarca e sete guerrilheiros trocam tiros com policiais e fogem. O Exército mobilizaria centenas de homens à região, chamando a atenção do jovem Jair Bolsonaro, então com 15 anos.

 

– LÁ EM ACARI 
No dia seguinte, o líder do tráfico amanhece enforcado com um nó de marinheiro. Os peritos disseram ser suicídio. 

Em 30 de julho de 2018, quando da participação no Roda Viva, Bolsonaro relembraria o episódio:

“Nós recuperamos a arma e a motocicleta e, por coincidência, o dono da favela lá de Acari apareceu morto, um tempo depois. Não matei ninguém, mas aconteceu.”

– GUARNIÇÃO DO MAL 

Em 12 de agosto de 2003, já no quarto mandato como deputado federal, Bolsonaro discursou na Câmara em defesa dos esquadrões da morte: “Esses grupos de extermínio são muito bem-vindos. E se não tiver espaço na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro.”

 

Passados três dias, Jair Bolsonaro usou os microfones da Câmara Federal para defender o comandante da Guarnição do Mal, tratado por ele como “um brilhante oficial”. 
No discurso, o registro de que o deputado federal acompanhara o julgamento in loco, e prometia atuar para reparar o que entendia ser uma injustiça.
imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/D… 
Disse Bolsonaro:
“Pela primeira vez compareci a um tribunal do júri. Estava sendo julgado um tenente da Polícia Militar de nome Adriano”.
imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/D… 
Disse ainda:
“Não sei como podemos colaborar. O advogado vai recorrer da sentença, mas os outros coronéis mais modernos não podem depor, senão vão para a geladeira, vão ser perseguidos. E o tenente, coitado, um jovem de vinte e poucos anos, foi condenado”.
imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/D… 
Ao fim, falando na primeira pessoa do plural, o deputado federal disse querer se “assessorar” com Denise Frossard, magistrada que cumpria um único mandato como parlamentar pelo mesmo Rio de Janeiro: 
“Quero me assessorar com a Deputada Juíza Denise Frossard e com outros juízes para saber como podemos proceder no futuro.” 
O júri que condenou os policiais da Guarnição do Mal findaria anulado, com absolvição para todos os condenados em primeira instância.
imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/D… 
– ESCRITÓRIO DO CRIME 

Um mês e meio depois, uma operação realizada na Zona Norte do Rio resultou em um confronto onde três vieram a falecer, sendo um deles o líder do tráfico no Conjunto Esperança, conhecido como Macumba.

Nela, o major Ronald se destaca.

 

Há milícias no Rio de Janeiro desde a ditadura militar, quando policiais em folga começaram a receber dinheiro de pequenos comerciantes para a proteção da vizinhança na periferia.

 

Um relatório da Anistia Internacional, todavia, aponta que 2006 foi um divisor de águas. “Num período de seis meses, esses grupos começaram a competir pelas áreas controladas pelas facções do tráfico.” Terminariam o ano com um quinto das favelas da cidade.
ovp-sp.org/relatorio_anis… 
Em 17 de dezembro de 2008, Jair Bolsonaro critica na Câmara o resultado da CPI das Milícias alegando que nem todo miliciano era “símbolo de maldade”, e que “não podemos generalizar. Existe miliciano que não tem nada a ver com ‘gatonet’, com venda de gás”:
camara.leg.br/internet/sitaq… 

Em 2018, já na disputa pelo Senado, Flávio negaria que Bolsonaro defendia milicianos. Para o deputado estadual, no entanto, não havia problema em policiais venderem serviço de segurança privada para a vizinhança – justo o que originou as milícias.

Flavio Bolsonaro

@FlavioBolsonaro

Bolsonaro é a favor de milícia?

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O objetivo era conseguir junto à prefeitura alvarás para o térreo dos imóveis. Isso dificulta uma interdição do prédio pelo poder público. 
– HUMILHAVA POLICIAIS 

Em 11 de agosto de 2011, a juíza Patrícia Acioli, responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio, morre em uma emboscada na porta de casa com 21 tiros de calibres .40 e .45, de uso restrito da polícia.

 

No dia seguinte, Flávio Bolsonaro lamenta a morte da juíza, mas acrescenta que “a forma absurda e gratuita com que ela humilhava policiais nas sessões contribuiu para ter muitos inimigos”.

Flavio Bolsonaro

@FlavioBolsonaro

@cbnrio Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com q ela humilhava Policiais nas sessões contribuiu p ter mts inimigos.

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– GABINETE RACHADO 
Em 12 de abril de 2016, O Globo informa que, agindo de forma semelhante a milícias, “policiais ligados a empresas de segurança passaram a assediar síndicos e comerciantes” pedindo 900 reais para “qualquer condomínio fica livre de pedintes ou mendigos” em Copacabana. 

Quase um mês depois, ficou pronto o relatório do Coaf com as movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro.

No entanto, o conteúdo do documento só se tornaria público após as eleições de 2018.
cdn.crusoe.com.br/uploads/2019/1… 

Em 30 de agosto de 2018, a Operação Quarto Elemento prende 42 suspeitos, incluindo 3 policiais homenageados por Flávio, e dois PMs que participavam da campanha do deputado ao Senado – os gêmeos eram irmãos de Val Meliga, que seria assessora do parlamentar.

 

– INTERVENÇÃO FEDERAL 
Em 16 de fevereiro de 2018, Michel Temer assinou um decreto ordenando uma intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. 

De imediato, Jair Bolsonaro se disse contra a intervenção federal alegando que era “uma intervenção decidida dentro de um gabinete, sem discussão com as Forças Armadas. Nosso lado não está satisfeito”.

 

– 14 DE MARÇO 
Além de trágico, o 14 de março de 2018 foi longo. 
14 DE MARÇO, 12h28
A repórter Thais Bilenky, da Folha, publica que a assessoria de Jair Bolsonaro havia dito que ele voltara mais cedo de Brasília para o Rio de Janeiro por causa de uma “intoxicação alimentar”.

Thais Bilenky

@thais_bilenky

Bolsonaro teve uma intoxicação alimentar, passou mal e, nos últimos dois dias, precisou reduzir bem o ritmo da agenda. Até voltou mais cedo (hoje) pro Rio. Disse a sua assessoria.

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14 DE MARÇO, 15h58
O registro em áudio da portaria do condomínio de Jair Bolsonaro mostra uma voz feminina atendendo o interfone da residência 58, de Bolsonaro, no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro.
14 DE MARÇO, 17h10
No Rio de Janeiro, a portaria do condomínio em que Jair Bolsonaro mora registra que um Renault Logan prata, de placa AGH-8202 dirigido por alguém chamado Élcio Vieira, solicitou uma visita à casa 58, a mesma do ainda deputado federal.

 

Em 11 visitas registradas nas planilhas do condomínio, Élcio sempre teve como destino a casa 65, de Lessa. A única exceção é a entrada no 14 de março de 2018, quando a planilha indica que a autorização de acesso na portaria foi dada por alguém da casa 58.

 

14 DE MARÇO DE 2018, 17h13
No registro em áudio da portaria do condomínio de Jair Bolsonaro, a portaria interfona mesmo para a casa 65/66, e não para a 58, contrariando os dois depoimentos do porteiro.
14 DE MARÇO DE 2018, 17h30
Neste exato minuto, se encerra a sessão que, conforme Diário Oficial compartilhado pelo próprio Carlos Bolsonaro, registrava a presença do vereador na Câmara Municipal, a duas horas de distância do condomínio de Bolsonaro.
14 DE MARÇO DE 2018, 17h58
Apenas 28 minutos após o encerramento da sessão na Câmara Municipal, o registro em áudio da portaria mostra a voz de Carlos Bolsonaro autorizando a entrada de um Uber no condomínio de Bolsonaro.
14 DE MARÇO DE 2018, 18h47
Segundo os investigadores, o Cobalt com Élcio e Lessa chegam ao local do evento, mas não avistam o carro de Marielle. 
14 DE MARÇO, 20h08
Por breves segundos, a partir de 4:47:56 da transmissão, Jair Bolsonaro é visto na live da sessão da Câmara Federal, em Brasília.
14 DE MARÇO DE 2018, 21h
No Rio, “Marielle sai da reunião, acompanhada da assessora Fernanda Chaves, e entra no carro dirigido por Anderson Gomes. Os criminosos passam a perseguir o carro em que está Marielle”.

 

14 DE MARÇO DE 2018, às 21h09 ou 21h12
“No Largo do Estácio, no centro, os criminosos emparelharam o carro com o da vereadora, e uma pessoa —Lessa, segundo a polícia— dispara com uma arma automática.”

 

No dia seguinte, uma matéria da mesma repórter da Folha cita novamente a assessoria de Jair Bolsonaro como fonte de uma “intoxicação alimentar” que, dessa vez, impedia o deputado de comentar a morte de Marielle.

 

Em 20 de março de 2018, Bolsonaro justifica o silêncio sobre a morte de Marielle alegando que “qualquer coisa que por ventura eu viesse a falar seria potencializada e distorcida contra mim”.

 

– BRECADA 
Em 2011, Élcio Queiroz, o motorista que teria mandado interfonar para a casa 58, com a camisa de sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, fez uma foto ao lado do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Em 2018, um mês e meio após a morte de Marielle, Ronnie Lessa foi baleado no que foi noticiado como uma tentativa de assalto na avenida do condomínio em que morava.

Foi atingido de raspão no pescoço, mas sobreviveu.

 

– COAF 
Só em 6 de dezembro de 2018 vem a público o relatório do COAF –concluído ainda em janeiro– apontando que Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro, havia movimentado R$ 1,2 milhão em operações suspeitas. 

Uma semana depois, o secretário de Segurança do Rio confirmou que Marielle havia sido morta por milicianos. Ela estaria próxima a um grupo que lutava contra a grilagem em Rio das Pedras, a mesma favela que Fabrício Queiroz havia se refugiado.

 

– OS INTOCÁVEIS 

No 22 de janeiro de 2019, a operação Os Intocáveis detém milicianos que atuavam em Rio das Pedras.

Os principais alvos da operação eram os dois policiais homenageados por Flávio Bolsonaro em 2003 e 2004. 

Nesse mesmo dia, a esposa de Ronnie Lessa enviou para o marido uma foto da planilha de entrada do condomínio Vivendas da Barra, o mesmo de Jair Bolsonaro. 
Apesar dos esforços da operação, Adriano da Nóbrega até hoje não foi encontrado. 
– VIVENDAS DA BARRA 

Em 10 de março de 2019, já como presidente da República, Jair Bolsonaro publica críticas infundadas contra a “filha de Chico Otavio”.

Constança Rezende era jornalista do Estadão. Chico Otavio, de O Globo.

Jair M. Bolsonaro

@jairbolsonaro

Constança Rezende, do “O Estado de SP” diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o Impeachment do Presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do “O Globo”. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos.

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Dois dias depois, prendem o PM que teria disparado para matar Marielle.

Ronnie Lessa morava a 3 casas de Bolsonaro. Em O Globo, a reportagem é assinada também por Chico Otavio, que 34 horas antes havia sido criticado por Bolsonaro no Twitter.

 

Segundo as investigações, Lessa “já foi integrante do ‘Escritório do Crime’. (…) Também é suspeito de tráfico de armas – na casa de um amigo de Lessa no Méier, Zona Norte da cidade, os policiais encontraram 117 fuzis M-16 desmontados.”

 

“Lessa nem sequer se dava ao trabalho de agir às sombras. Para agenciá-lo, bastava dar uma passada no bar onde o ex-adido fazia ponto no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca.”

Sim, o mesmo Quebra-Mar em que Lessa foi baleado em abril de 2018.

 

Ainda que minimizando a informação, o delegado do caso confirmou que o quarto filho de Jair Bolsonaro havia namorado a filha de Ronnie Lessa.

A admiração pelo presidente era tamanha que o homem apontado como assassino de Marielle Franco usava uma foto de Jair Bolsonaro como avatar no Whatsapp.

Já Élcio, o motorista do atentado, exibia o slogan da campanha do presidente.

 

Segundo a denúncia, Elcio dirigia o cobalt de onde Lessa fez os 13 disparos.

No Facebook, em agosto de 2018, já após o assassinato, o ex-policial militar publicou a foto que havia feito com Jair Bolsonaro em 2011 – ela não mais está no ar.

 

– BRAZÃO 
Estavam nessa reunião um policial militar que trabalhou como assessor de Brazão, e o miliciano Adriano da Nóbrega, chefe do “Escritório do Crime” de quem mãe e esposa trabalhavam no gabinete de Flávio Bolsonaro na época do encontro. 
– ABSOLUTAMENTE PRÓXIMA 

Em 3 de janeiro de 2018, Donald Trump disse que Steve Bannon, o principal conselheiro do principal conselheiro de Jair Bolsonaro, “durante seu tempo na Casa Branca, vazava informações falsas para a imprensa, para parecer muito mais importante do que era”.

 

Em julho de 2019, ataques de Jair Bolsonaro a Sergio Moro e ao diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, teriam sido motivados por um inquérito envolvendo milicianos do Rio de Janeiro.

 

No mesmo dias, às 21h49, Jair Bolsonaro faz no Facebook uma transmissão ao vivo em que, alegando surpresa, faz duras críticas à Rede Globo e Wilson Witzel.
facebook.com/jairmessias.bo… 
– DIGITAL NA PROVA 

Na manhã seguinte, às 10h42, Carlos Bolsonaro publica um vídeo que desmente a versão do porteiro sobre a ligação à casa 58.

Carlos Bolsonaro

@CarlosBolsonaro

A Globo, sabendo dos fatos e podendo esclarecê-los, preferiu levantar suspeitas contra o Presidente e alimentar narrativas criminosas. Um simples acesso aos registros internos do Condomínio mostra que no dia 14/03/2018 NENHUMA solicitação de entrada foi feita para a casa 58.

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Vinte e um minutos depois, às 13h26, Carlos Bolsonaro publicou um segundo vídeo, desta vez com ligações que provam que ele estava em casa às 17h58 daquela tarde, quase noite.

Carlos Bolsonaro

@CarlosBolsonaro

A pedido da @VEJA ! Não se preocupem, abutres, disponibilizo também o áudio da ligação feita no dia 14/03/2018 para a casa 58 e 36, tempos antes e depois da ligação que realmente importa, feita para a casa 65, às 17:13. O que dirão agora? íntegra: http://youtu.be/vvUPazNZwSo 

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Ainda em outubro, conforme seria confirmado por três veículos, a Polícia Civil do Rio voltou a apurar a briga entre Carlos Bolsonaro e Marielle Franco.

Pelo menos quatro ex-funcionários de Carlos foram ouvidos.

 

Apenas em 7 de novembro, uma semana após Carlos Bolsonaro literalmente meter o dedo na prova, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu os equipamentos de gravação do condomínio onde moravam Jair Bolsonaro e o suspeito de assassinato de Marielle Franco.

 

No 19 de novembro, em um terceiro depoimento, desta vez à Polícia Federal, o porteiro mudou a versão.

Na nova, o porteiro diz que anotou o número “58” por engano, e inventou toda aquela versão contada duas vezes para justificar o erro.

 

Em 29 de novembro, chega a notícia de que os “investigadores do Rio receberam recentemente a informação de que Carlos Bolsonaro teria se desfeito de um computador”.

 

Em meio a tanta informação, talvez isso tenha sido ofuscado. Mas essa thread citou a morte de 40 brasileiros, 39 deles em período democrático. 

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Leandro Demori, editor do The Intercept Brasil, pelo Facebook: Leandro Demori 2 h · Estou em férias falando com pessoas aleatórias e vejo que existe uma grande dificuldade para entender a palavra "milícia". Essa palavra não comunica muito bem a quem não é do Rio de Janeiro. Por isso as pessoas ainda não entendem com quem a família Bolsonaro está enredada. Deixa eu explicar de maneira bem simples: milícia é crime organizado armado, gang, é bandido, é assassino. Isso é milícia. É máfia: um grupo de pessoas que domina um território e cobra "proteção" da população local. Quem não pagar, morre. Funciona assim: uma milícia toma uma favela do Comando Vermelho, por exemplo. Os milicianos expulsam os traficantes do bairro. E depois, o que fazem os milicianos? Começam a cobrar uma taxa de "segurança" dos moradores: eles vão nos seu mercadinho, na sua padaria, na sua loja de celular, calculam mais ou menos quanto você fatura, e cobram todo mês uma parte do seu dinheiro. O nome disso é extorsão. Mas a taxa de segurança é só o começo. A milícia ainda cobra dos moradores taxas no gás, na TV a cabo, na água e em vários serviços. Você não pode comprar um botijão de gás de quem quiser: tem que comprar onde os criminosos mandam. Antigamente não tinha tráfico de drogas em áreas de milícia, e isso era o que dava a eles um ar de "defensores da família". Mas por que eles abririam mão de algo tão lucrativo, certo? Então hoje em dia obviamente também eles também permitem ou operam bocas de fumo, vendendo droga. A milícia também comete assassinatos de aluguel. Você paga, eles matam. Trabalham como pistoleiros. O "Escritório do Crime", o braço armado milicianos que matou a Marielle Franco, opera assim. E sabe quem são os milicianos? São policiais, bombeiros e militares – na reserva, expulsos ou até mesmo na ativa. Eles se juntaram ainda nos anos 90, no Rio, para "combater o tráfico e proteger as populações locais". Obviamente isso é só fachada. Como eu disse, se você mora em área de milícia, você é dominado por ela. Em suma: milícia é bandidagem da pior espécie, assassinos, bandidão mesmo. E assim que você explica pro seu amigo com quem a família do presidente da República anda metida. Para saber mais: https://theintercept.com/2018/04/05/milicia-controle-rio-de-janeiro/?fbclid=IwAR3ljnODfK0qNv5L5QhSUOQ9tfp-y4OOOqhUBeu-IKGxKsgNFm9R8HAfohE

12 comentários

  1. Seria a reencarnação do Adolf?
    Rei das rachadinhas que já deixou rastros de famílias (suas e de outros) também rachadas.
    Chocolate derrete e se confunde, pois está misturado com sangue.
    Entre as bancadas do agrotóxico, da bíblia e da bala, confuso que fica, acha mesmo melhor se garantir com um revólver no criado mudo e uma espingarda sobre o guarda-roupas.
    Misericórdia de nós, pois quem tem instinto para matar, não tem como construir um futuro bom.

  2. Nunca tivemos um governante com um passado tão assustador…
    que reflete a morte escandalosa da garantia e da sensação de segurança de qualquer cidadão, metido na político ou não, no caso de haver continuidade das épocas, porque é com intervalos entre as épocas que mudamos

    mudou? ao menos procura mudar?

  3. A midia é canalha, mafiosa e assassina……o que dizer do caso do sequestrador que estava preso no coc, separado e em estrita observação, portanto, que morreu por causa de comida estragada……comida estragada mata?!?!?! E só a dele veio estragada?!?!?!?! E ninguém deu um pio……como diria o Mussum, quem foi a “mossadis”, cacildis?!?!?!?!

  4. O levantamento das atrocidades praticadas por Bozo e seus bate paus,feita por Marlos Áypus é de todo elogios.Mas ao acima assinado não diz muita coisa.Roberto Marinho e sua Globo esteve mancomunada com a Ditadura Militar durante 20 anos.Passava os panos nos paus de arara com cabos de vassouras injetado no anus,arrancavam as unhas sem anestesia,além de jogarem desafetos politicos em alto mar.Estão aí até hoje posando de vestais da democracia,vez por outra gestando figuras como Bolsonaro e Moro,figura nefasta que eles já entregaram uns 50 Globos de Ouro.Viva o Brasil.

  5. Muita gente na imprensa, na politica, sabia e sabe muito bem quem é Bolsonaro. Ele foi eleito para impedir que o PT voltasse e, ja que ai esta, que faça o trabalho que esperam dele. E tem feito. Para um certo segmento da sociedade brasileiro não é grave que se mate “marginais”, gays, favelados etc. Sobre isso, corre pelo whatsapp um video feito nos anos 80, no qual uma réporter pergunta a pessoas na rua se elas estão de acordo com o assassinatos de homossexuais e as respostas são siderantes, mas não tão surpreendentes. Essa tendência conservadora-fascista sempre houve no Brasil e agora esta sendo muito bem explorada pelos conservadores e fascistas da direita brasileira.

    • é mesmo…
      principalmente em tempo de desejos ilimitados de matar em ambos os lados

      matar é ter medo da morte, seja gente, seja animal, sendo que nos animais é para não morrerem de fome, principalmente suas crias, justificável é mais que perdoável

  6. O estranho é que se trata de uma turma que apesar de rezar seus versiculos aos domingos e feriados, parece ignorar uma orientação que teria sido dada por Jesus ao ser preso e ver que seguidores iniciavam uma reação.
    Jesus teria dito: “Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.”

  7. Leandro Demori, editor do The Intercept Brasil, pelo Facebook:

    Leandro Demori
    2 h ·
    Estou em férias falando com pessoas aleatórias e vejo que existe uma grande dificuldade para entender a palavra “milícia”. Essa palavra não comunica muito bem a quem não é do Rio de Janeiro. Por isso as pessoas ainda não entendem com quem a família Bolsonaro está enredada. Deixa eu explicar de maneira bem simples: milícia é crime organizado armado, gang, é bandido, é assassino. Isso é milícia. É máfia: um grupo de pessoas que domina um território e cobra “proteção” da população local. Quem não pagar, morre.

    Funciona assim: uma milícia toma uma favela do Comando Vermelho, por exemplo. Os milicianos expulsam os traficantes do bairro. E depois, o que fazem os milicianos? Começam a cobrar uma taxa de “segurança” dos moradores: eles vão nos seu mercadinho, na sua padaria, na sua loja de celular, calculam mais ou menos quanto você fatura, e cobram todo mês uma parte do seu dinheiro. O nome disso é extorsão. Mas a taxa de segurança é só o começo.

    A milícia ainda cobra dos moradores taxas no gás, na TV a cabo, na água e em vários serviços. Você não pode comprar um botijão de gás de quem quiser: tem que comprar onde os criminosos mandam.

    Antigamente não tinha tráfico de drogas em áreas de milícia, e isso era o que dava a eles um ar de “defensores da família”. Mas por que eles abririam mão de algo tão lucrativo, certo? Então hoje em dia obviamente também eles também permitem ou operam bocas de fumo, vendendo droga.

    A milícia também comete assassinatos de aluguel. Você paga, eles matam. Trabalham como pistoleiros. O “Escritório do Crime”, o braço armado milicianos que matou a Marielle Franco, opera assim.

    E sabe quem são os milicianos? São policiais, bombeiros e militares – na reserva, expulsos ou até mesmo na ativa. Eles se juntaram ainda nos anos 90, no Rio, para “combater o tráfico e proteger as populações locais”. Obviamente isso é só fachada. Como eu disse, se você mora em área de milícia, você é dominado por ela.

    Em suma: milícia é bandidagem da pior espécie, assassinos, bandidão mesmo.

    E assim que você explica pro seu amigo com quem a família do presidente da República anda metida.

    Para saber mais:

    https://theintercept.com/2018/04/05/milicia-controle-rio-de-janeiro/?fbclid=IwAR3ljnODfK0qNv5L5QhSUOQ9tfp-y4OOOqhUBeu-IKGxKsgNFm9R8HAfohE

  8. Estão acusando Bolsonaro de que mesmo?
    Qual e o processo, foi julgado? foi condenado?
    Parece mais é terceiro turno.
    Bolsonaro venceu as eleições esqueceram, e já faz um ano.
    Todo mundo já sabia destes fatos e as justificativas já foram dadas a muito tempo e a população o elegeu.
    A Urna já o julgou, não era isso que o PT falava com Lula. Deixem as Urnas decidirem.
    Um pouco de coerência.

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