Bolsonaro e bolsonarismo: estratégia ou destrambelhamento? Por Cláudio Couto

O bolsonarismo opera assim, ataca princípios democráticos, mobiliza a base e, depois, recua, alegando ter sido mal-interpretado, deturpado, etc

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Por Cláudio Couto
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Há alguns dias, Bolsonaro afirmou que havendo no Brasil o que acontece no Chile, colocaria a tropa na rua e reprimiria os manifestantes. À mesma época, o 03 falou em AI-5 pela primeira vez. Voltou a falar agora, afirmando e reafirmando, para depois refugar, diante da repercussão.

O mesmo presidente rechaçou a menção do filho ao AI-5, mas no mesmo dia torpedeou contra a imprensa que não lhe lambe as botas, anunciando a suspensão da assinatura do jornal de maior circulação do país em repartições federais, pois sua cobertura não lhe agrada.

Além de anunciar a suspensão da assinatura do jornal, ameaçou seus anunciantes. Isso dois dias depois de ameaçar cancelar a concessão da principal emissora de TV do país, cuja cobertura não lhe agrada. Depois, disse que não disse que cancelaria. Refugou também.

Pouco antes, o presidente havia postado o famigerado vídeo dos leões e das hienas. Apagou-o depois, com a repercussão; pediu respeitosas escusas. Em todos esses casos, a tropa bolsonarista se mobilizou em torno dos sinais emitidos, mesmo que depois dos recuos de seus emissores.

O bolsonarismo opera assim, ataca princípios democráticos, mobiliza a base e, depois, recua, alegando ter sido mal-interpretado, deturpado, etc.. As escusas insinceras se repetem quase tanto quanto os impropérios. Com isso, azeda cada vez mais o clima político, polariza o país.

O modus operandi do bolsonarismo no governo é o mesmo do deputado Bolsonaro. A diferença agora é de escala e de alcance. Ultrapassa as fronteiras nacionais, mobiliza a família toda, produz reações em cadeia na sociedade e no sistema político. Deteriora o ambiente institucional.

Pescador de águas turvas, interessa a Bolsonaro a deterioração. É nela que se nutre e que navegam seus militantes. Quanto maior o caos e a cacofonia, mais sua voz é ouvida. Provoca críticos e opositores, chamando-os para a briga, mas depois recua, como se fosse incompreendido.

Não foi a primeira e nem a última das ações nesse sentido. Aumenta a incerteza e os temores de escalar a violência. A ambiguidade de Heleno, o pequeno, ao comentar as declarações de 03 sobre o AI-5 reforçam esse cenário. Sua negativa ao que disse ao jornalista compõe o cenário.

Sempre paira dúvida sobre se é estratégia ou destrambelhamento. Considerando o histórico e a recorrência, parece estratégia, mesmo que custosa. Um resultado efetivo é colhido: o ambiente deteriorado que serve a suas teorias conspiratórias e a ataques contra a democracia.

É preciso frear os ataques, caso se deseje preservar as instituições democráticas. A cassação do mandato de 03 por quebra do decoro pode ser uma ação nesse sentido. A responsabilização do presidente por suas declarações e atitudes, também. Ou se prefere esperar e pagar para ver?

 

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2 comentários

  1. Nossa esquerda Namastê vai esperar e enviar flores e bombons para a faMILICIA.

    a esquerda Namastê tem certeza que a faMILICIA e as instituições irão ser republicanas e mudar o comportamento

  2. Nao estamos diante de nenhuma dicotomia. Trata-se de um “destrambelhamento estratégico”, sempre aplicável quando existe risco da casa cair para algum destes individuos ou para o grupo todo.
    Uma estratégia “Chapolim Colorado”, que para funcionar precisa de uma platéia que misture inocência (povo) com a cumplicidade (de algumas instituições).
    Este programa vai funcionar até a implementação das iniquidades contra o povo e da subtração total das riquezas do país. Depois, especificamente para o Brasil, virá a guerra, a peste e a fome.
    Quanto as tais “trombetas”, que irão anunciar este apocalipse, estas só serão ouvidas por sistemas auditivos de alta definição, reengenheirados apenas por quem possuí muita grana. Estes serão os “escolhidos”, pois vão correr à tempo para o topo de uma alta montanha, tipo Alpes Suíços.

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