“Cala a boca”, diz Bolsonaro a jornalista que questionou interesse na mudança da PF do Rio

Negando ter benefícios na troca do comando da PF do Rio, Bolsonaro mandou uma jornalista "calar a boca"

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – A troca no comando da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro pelo novo diretor-geral nomeado por Jair Bolsonaro, Rolando Alexandre de Souza, reforçou as suspeitas de interferência do mandatário nas investigações que são de seu interesse. Negando ter benefícios na troca do comando da PF do Rio, Bolsonaro mandou uma jornalista “calar a boca”.

Poucas horas após assumir o posto, Rolando começou a alterar sua equipe da PF e, entre as mudanças, já pediu para o superintendente do Rio de Janeiro, Carlos Alexandre de Oliveira, assumir a direção executiva da Polícia Federal. Com isso, um novo superintendente no Rio precisará ser nomeado.

“[Carlos Alexandre Oliveira] vai sair da superintendência para ser diretor-executivo da PF. Eu não to [sic] trocando ele, isso é uma patifaria, cala a boca não perguntei nada, jornal patife e mentirosa, cala a boca [sic]. Se eu tivesse ingerência para a PF, ele [superintendente do Rio] não iria para lá [direção executiva da PF em Brasília]”, foi a fala do presidente da República.

No Rio de Janeiro, é onde tramitam inquéritos que envolvem a família de Bolsonaro, entre eles o relacionado ao condomínio do presidente, aonde um suspeito de participar do homicídio de Marielle Franco, em 2018, entrou no local com a então autorização do próprio mandatário. Bolsonaro, na ocasião, estava em Brasília, e a investigação sobre o caso tramita na sede do Rio.

Também é na Polícia Federal do Rio que transcorre uma apuração sobre um possível homônimo de Hélio Lopes, amigo de Jair Bolsonaro, sobre crimes previdenciários.

É no Rio aonde estava a investigação sobre o filho mais velho do mandatário, o senador Flávio Bolsonaro, sobre lavagem de dinheiro no esquema da rachadinha da Assembleia Legislativa do Rio. Apesar de o caso já ter sido arquivado este ano, outras suspeitas derivadas dessa mesma investigação são apuradas pelo Ministério Público Estadual do Rio e pela Polícia Civil.

Mas ao ser questionado, Bolsonaro mandou “calar a boca” a jornalista que perguntou e ofendeu o jornal.

 

 

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