9 de junho de 2026

Esquerda urbana perdeu a conexão com o Brasil real, comentário de Leandro A.

O Brasil real não está nos campi das federais ou nas classes médias intelectualizadas das grandes cidades

Por Leandro A.
Comentário no post O fim da democracia e os homens-bambus, por Luis Nassif

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Oportunismo e arrivismo sempre existiram, são apenas prismas do grande poliedro chamado egoísmo.

O que está em jogo neste grande xadrez (para nos valer da terminologia nassifiana), é a capacidade de traduzir a mentalidade em voga para fins eleitorais, em tempos de modernidade líquida, captando o simbolismo político que traduza a voz da maioria.

A esquerda urbana, gestada no academicismo das grandes universidades públicas e movimentos sociais de trabalhadores, perdeu a conexão com o Brasil real. Não consegue mais traduzir em seu discurso as plataformas variadas dos cidadãos que vivem nesse país imenso.

A direita, pelo contrário, incorporou a percepção do homem comum do interior. O apelo sertanejo, a bandeira do agro, a destruição ambiental como simples pedágio para o progresso, a teologia da prosperidade neopentecostal, que transmuta o desejo de vencer na vida à qualquer custo como uma cruzada divina. Enfim, todo um simbolismo arcaico, construído sobre as necessidades primárias do homem, sem o verniz da sofisticação da noção de convívio e civilidade que se aprimora nas grandes metrópoles.

O Brasil real não está nos campi das federais ou nas classes médias intelectualizadas das grandes cidades. São apenas bolhas num universo de primarismo e ignorância. Na realidade do interior não existem comunidades LGBT, não existem direitos humanos como direitos fundamentais inatos. Não existem direitos trabalhistas, mas encargos trabalhistas. Existe propriedade privada e poder econômico como condição “sine qua non” de cidadania, é a mentalidade do que “você vale o que você tem” em seu prisma mais escancarado.

Uso de armas, preconceito contra gays e lésbicas, são tônicas comuns nesses núcleos sociais. Grupos de minoria nunca tiveram direitos nesses ambientes, portanto, todo esse discurso moderno e inclusivo das esquerdas apenas refrata os valores do “homem do campo”. Praticamente não existem universidades publicas no interior profundo, e, por tabela, não há valorização do ensino superior gratuito, visto como uma das causas pela formação de “comunistas, maconheiros e gays” nas grandes cidades.

Há um tempo atrás, quando a influência do americanismo (globalização) não se fazia sentir tanto, predominava aquela clássica visão utópica do caipira, do sorocabano, do gaudério no sul, como sendo a mentalidade comum no interior. Isso fabulou. É preciso ter em vista que a internet mudou o paradigma de mudança dos valores. Hoje, numa cidade de cinco mil habitantes, o descoladinho da hora consegue imitar a barbearia da Quinta Avenida. As pessoas não têm como parâmetro de vida uma pessoa de existência honesta, digna, honrada etc. Seus novos tipos ideais são pessoas ricas, magras, brancas, caucasianas, bem sucedidas financeiramente. Não importa como se chegou lá, pois se chegou é porque o Senhor prosperou! Poder aquisitivo lava qualquer mácula neste novo estilo de mentalidade rural. O Sertão mítico de Guimarães Rosa é uma fábula perto das paisagens de lavouras de soja, Round Up e Hilux.

A elite rural sempre teve viés conservador e provinciano, mas assim como se verifica nos EUA, podemos falar que no Brasil interiorano predomina agora uma ideologia “Tea Party”. O fator evangélico agregou uma agressividade que não havia na exposição de tais valores como virtudes do cristão. A intolerância com as religiões afro é apenas a primeira ponta desta visão de imposição à força dos valores conservadores judaico/cristãos. A Igreja Católica é a bola da vez. Ser católico nas pequenas cidades começa a soar como sinônimo de permissivo e “idolatria”. Pastores bem sucedidos, casados com belas esposas, com seus SUV começa a influenciar mais o imaginário do povão que o Padre, “homem que veste saia”, “pedófilo”.

Poderia dizer mais, abordar outras facetas dessa nova mentalidade caipira, mas fica nítido que o discurso de Bolsonaro, do desprezo pelo meio ambiente à defesa da embaixada em Israel, passa pela adoção irrestrita desses valores do Brasil Real do interior. A eliminação do outro como “modus operandi” político sempre foi a principal plataforma política do interior. É costume nas pequenas cidades que a família dos derrotados busque um exílio forçado, assim como seus principais apoiadores.

Enquanto assistimos à essa mentalidade tacanha adquirir formas concretas de manifestação política, num contexto de fechamento de fábricas e indústrias e abertura de novas fronteiras agrícolas, resta evidente que o modelo da grande metrópole como trampolim para ascensão social perdeu apelo junto ao imaginário comum. Os filhos da terra agora querem lavouras de soja e criação de boi, querem viver num Texas que fala português e não em São Paulo, essa Nova York do mundo bizarro, retratada pelo Cidade Alerta.

E Lula solto envereda pela mesma miopia da esquerda, num discurso para convertidos. Desconsiderando que o operário não quer melhor salário, quer apenas garantia de ter seu emprego, não importa que tenha que abrir mão de domingos, feriados. Afinal, o que é o domingo se comparado à perda da fonte de renda (e de cidadania)?

Sou morador – forçado – do interior. O que procurei descrever é o que vivo, tendo passado por umas oito cidades até sessenta mil habitantes, por força de concurso público. Ser à favor de políticas públicas contra a desigualdade, graduado em universidade federal, e ainda por cima entusiasta de Lula, me tornam portador da letra escarlate.

 

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58 Comentários
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  1. Carlos Pinheiro Tavares

    24 de novembro de 2019 3:34 pm

    E a esquerda faria o que? Mentir e prometer o paraíso como as igreja evangélicas e a direita? Se fizer isso não terá meu apoio. A luta continua a ser por valores humanos universais.

    1. HILTON DOMINCZAK

      25 de novembro de 2019 7:24 am

      Amigo, acho que você não entendeu o texto. Ele está apenas fazendo um alerta à cegueira da esquerda. Fez uma análise psicológica daquilo que move os reacionários.

      1. Chris

        29 de novembro de 2019 3:08 pm

        Exato. Se você não faz um diagnóstico correto e passa apenas a atacar os que pensam diferente, o que espera obter? Veja onde a esquerda chegou e qual seu horizonte. É o mais adaptado que sobrevive, já dizia Darwin, e como se adaptar sem conhecer o meio e traçar estratégias a altura dos desafios? Me digam aonde querem chegar bradando os mesmos discursos, apostando nas falhas do oponente? Mas quando o oponente pode simplesmente ser trocado por outro que também corresponda os anseios do “pobre de direita”?! Houve todo um trabalho para “arrebanhar” estas ovelhas , que hoje estão nos seus cercadinhos, devidamente lobotomizadas e ignorar isso é estupidez. Como reagir ao que é ignorado? Simplesmente exploraram e reforçaram preconceitos para que a “defesa da moralidade” seja o escudo/manto para a exploração econômica (objetivo real). E a reação que aposta na polarização, no ataque frontal aos mínions, os fazem crescer. Porque eles precisam do conflito, sem a polêmica eles se tornam um vazio oco. Não é por acaso a sucessão de frases bestiais que elementos do governo proferem diariamente… e a esquerda inteligente cai como um patinho no jogo deles, alimentando a polêmica.

    2. Leandro A.

      25 de novembro de 2019 11:32 am

      Em momento algum eu sugeri a mistificação e a mentira. Apenas fiz o diagnóstico de um cenário que eu tenho presenciado. Também não sei as saídas, é muito complexo, são muitos fatores que atuam simultaneamente. Todos tem suas sugestões, mas penso que o quadro da sociedade brasileira demanda uma reflexão profunda para encontrar soluções precisas. A única certeza é a educação consciente, formando cidadãos pensantes e críticos, como forma de profilaxia contra estes embustes simbólicos. Mas essa é uma solução à longo prazo, estrutural, e o momento clama por reação imediata. Então, pensemos juntos.

  2. Anônimo

    24 de novembro de 2019 3:51 pm

    Que texto infeliz, achando culpados no mesmo lugar em que a direita os procura.

    1. Evandro Condé

      24 de novembro de 2019 6:54 pm

      Texto até pode ser infeliz, mas conhecida minha, ex professora universitária, militante, em viagem pela Amazônia, constatou como os ribeirinhos estão com o Jair.

    2. Anônimo

      24 de novembro de 2019 8:02 pm

      Não é um texto infeliz, Márcio, é um texto realista. Só faltou ao Leandro tentar oferecer sugestões para a saída do atoleiro. Eu tentei fazer isso, em uns cinco textos publicados aqui mesmo no GGN nos últimos meses. Acho (e não sou nenhum gênio em achar isso, está na cara) que há um plano de destruição da Esquerda no mundo, que não é recente, que envolve todos esses institutos liberais nascidos no seio dos multibilionários (à la Irmãos Koch) com apoio dos vários órgãos de inteligência americanos e de outras cabeças geniais (geniais para o mal como Steve Bannon) bem financiadas para isso, e que tem agido a partir de alguns princípios:
      1) Acusar a Esquerda de ser a causa da degeneração dos costumes (Gênero, LGBT, aborto, etc.);
      2) Acusar a Esquerda de ser fonte de corrupção e de incompetência na gestão dos bens públicos;
      3) Acusar a Esquerda (Nos países pobres) de apoiar a bandidagem a partir da ação a favor dos Direitos Humanos;
      4) Acusar a Esquerda (Na Europa e Estados Unidos) de apoiar a invasão de imigrantes.
      O item 3 acho que foi fundamental para a derrota nas últimas eleições. A Esquerda fica na defensiva quando o assunto é segurança pública, não consegue formular um plano nacional onde se ponha categoricamente contra homicidas, por exemplo. Bastava isso:a Esquerda esbravejar contra homicidas, defender aumento de penas, etc. (como a direita está fazendo) para conquistar uma parcela dos eleitores que foram catequizados pela direita de que a esquerda defende bandidos. Estou simplificando, pois aqui é apenas um comentário, aí embaixo vou colocar o link para o texto completo. Mas lembrem-se: a direita vibra com a violência nas cidades brasileiras, ela quer que aumente, então ela oferece falsas soluções e arrebenta nas eleições.
      O item 4 diz respeito à esquerda européia, que poderia estar arrebentando em todos os países europeus e ajudando a civilizar um pouco mais o mundo, mas patina porque caiu na armadilha de que deve apoiar as ondas migratórias, por solidariedade, por amor ao próximo, etc. Loucura. Há outras maneiras de a Esquerda ajudar os pobres do mundo a se levantarem. Historiadores dizem que os crimes mais horríveis, as guerras mais sanguinárias já havidas no mundo foram as de fundo étnico, ou seja, quando o vulgo se sentiu ameaçado por uma corrente migratória de outras etnias, por exemplo. Aí eles matam até as crianças, é um ódio fenomenal. A direita sabe disso, quando fomenta guerras no oriente médio e na África, para estimular as ondas migratórias para a Europa: elas ganham a eleição com a onda de ódio. E quando não ganham -como na Espanha agora- não deixam governar. Vou por o link abaixo também.
      Outros dois textos se referem ao que deveria ser uma prioridade da Esquerda no Brasil: as massas de desempregados, sem tetos e ambulantes das grandes cidades. Defender esse povo radicalmente. Como? incentivar a “Retomada da Ágora” quer dizer, apoiar leis nacionais que apoiem o trabalho nas ruas, aumentem o alcance do MEI-Microempreendedor Individual, criado pelo PT, criar meios de apoio para o trabalho nas ruas, como fontes de água e banheiros públicos, pensar em maneiras de incluir esses trabalhadores na previdência, torná-los legais, POLÍCIA BATENDO EM TRABALHADOR DE RUA NUNCA MAIS. Fazendo isso, defendendo isso, a Esquerda estará se juntando a uma massa enorme de brasileiros que são marginalizados. Mesmo que sejam evangélicos, doutrinados pelos pastores do mal, ao terem o apoio da Esquerda em sua legalização eles ficarão “divididos mentalmente” e aí haverá uma chance de recuperação dessas pessoas para uma práxis política que os defenda, ou seja uma tomada de consciência de esquerda. A Esquerda tem de sair do gueto. Por que ficar se queimando defendendo funcionários públicos marajás que tem ódio de Esquerda, só pensam em Miami e em Bolsonaro? E aqui está a relação com esse Post do Leandro. Ele fez um diagnóstico correto. Mas precisamos também pensar como sair dessa enrascada. Esse texto da Retomada da Ágora eu vou colocar em outro comentário abaixo. Por favor divulguem.
      Sobre a influência da violência e da segurança pública nas eleições: https://jornalggn.com.br/noticia/por-que-haddad-se-recusou-e-a-esquerda-se-recusa-a-falar-sobre-seguranca-publica/
      Sobre a influência do tema “imigração” nas eleições européias: https://jornalggn.com.br/opiniao/a-esquerda-europeia-perdendo/

  3. Paulo Dantas

    24 de novembro de 2019 5:30 pm

    A acadêmia sempre viveu e sempre viverá no seu mundo a parte , por isto é acadêmia , fim do mundo será quando o homem comum entender seu universo.
    Os evangélicos acharam espaço numa igreja catótica perdida entre as elites de direita e um ativismo de esquerda , esqueceram a …. Igreja.
    O povo que votou em Lula em sua maioria não era de esquerda e o mesmo povo que votou em Bolsonaro não é liberal nem de direita, partidos mais perdem que vencem eleições…

    1. Eduardo

      25 de novembro de 2019 9:27 am

      A Igreja Católica entre as elites da direita nunca esteve perdida, ela está entre as elites da direita. Os católicos ativistas “de esquerda” não esqueceram a Igreja, pelo contrário, aplicam a doutrina e ensinamentos católicos. Quem votou em Lula, de esquerda ou de direita, independente de anseios pessoais outros, almejava paz, justiça social, inclusão, fraternidade e emprego para todos. Quem votou em Bolsonaro anseia exclusão, armas, cultiva preconceitos, não tem empatia social nem ambiental, não é solidário aqui na terra porque o que importa acima de tudo é deus. A causa da diáspora entre a eleição de Lula e a de Bolsonaro tem como causa, entre diversas outras, a proliferação das igrejas evangélicas pentecostais, pregadoras contumazes, pelos seus próceres, daqueles anseios dos que votaram em Bolsonaro.

      1. Paulo Dantas

        25 de novembro de 2019 4:34 pm

        Muita gente que votou em Lula e Dilma votou em Bolsonaro … o país não importou eleitores …

        1. Eduardo

          25 de novembro de 2019 8:30 pm

          Sem dúvida. E uma das causas dessa mudança de Lula para Bolsonaro, conforme apontei, são as igrejas pentecostais, católicas inclusive, onde padres e pastores têm enorme ascendência sobre seus rebanhos.

  4. IA2

    24 de novembro de 2019 5:31 pm

    Essa esquerda perdeu contato também com a realidade da periferia das grandes. Sei o que digo porque trabalhei muitos anos como gerente e engenheiro de obras nas favelas e periferias de uma metrópole.

  5. Mr. Hall

    24 de novembro de 2019 5:42 pm

    Todos de esquerda concordam com uma principal bandeira levantada pelos direitistas, a bandeira anti-corrupção. Para defendermos o PT contra um mal pior, pode-se argumentar o quanto quiser, mas abrimos mão totalmente ou em parte (aí depende do ponto de vista) do discurso anti-corrupção e foi-se junto qualquer possibilidade de sermos ouvidos com o lado do cérebro ligado a razão. O sistema democrático está corrompido, infiltrado – precisamos mesmo de uma nova mentalidade. “Sou contra o corrupto do Bolsonaro, pq a corrupção do “meu” partido é mais branda e são incomparavelmente melhores gestores, rouba mas faz.” É isso mesmo? O resultado direto desse discurso, que nos foi entregue e seguimos, foi o Bolsonaro. Devemos realizar que praticamente não há governos, são como escrito em outro texto nesse blog “serviços sociais burocráticos de fachada para manter o status quo”. Existem sim são os conglomerados corporativos e financismo, amparados por mídia e armas. Alguns argumentam que essa mudança leva tempo, mas falta-me talvez ter mais fé religiosa e acreditar em re-encarnação para esperar viver um mundo mais livre na próxima vida. Nossas gerações passadas imediatas conviveram com esse mesmo formato de escravidão moderna sem grilhões de metal há 100-200 anos e em as gerações anteriores já passavam por variações desse formato há 5000 anos. Vamos despertar!!! A luta não é Esquerda vs Direita, é entre aqueles que entendem que o significado de um Direito Individual é uma verdade auto-evidente que pode ser facilmente ensinada, e que são as ações individuais baseadas nesse entendimento que co-criam nossa realidade coletiva, são esses os que lutam por liberdade, e uma massa polarizada em uma dialética que defendem um sistema baseado na autoridade de poucos sobre muitos, o Estadismo, a legitimação da escravidão seja na sua forma mais branda a esquerda ou mais visivelmente fascista a direita. Good cop, bad cop. Verdade, cuidar e liberdade.

  6. J.Berlange

    24 de novembro de 2019 5:42 pm

    Inicialmente por motivo protocolar de itinerário de carreira pública, e, depois, por opção de qualidade de vida, experimentei 20 de vivência em cidades com menos de 50 mil habitantes. As transformações comportamentais promovidas pela proliferação de rádios comunitárias locais e pela ampliação do acesso às redes sociais da Internet (Facebook e Whatsapp), repercutiram decisivamente na formação das escolhas políticas que não mais estão condicionadas à mobilização e ao debate que ocorriam, pontual e controladamente, dentro de uma fase cronológico-analógica definida ‘pela lei’ como ‘período de campanha eleitoral’. Essas transformações comunicativas transportam e entregam aos indivíduos e aos grupos virtuais, por meio de eficiente técnica de merchandising, os produtos e as fantasias (sem a característica explícita das marcas e das fontes) que estão substituindo os valores éticos e o prestígio das instituições estatais pelas ‘virtudes’ das modas dos mercados e pela ‘virilidade’ dos ‘homens de bens’ que se apresentam como candidatos, inimigos da ‘velha política’ contra tudo que está aí…
    Essa mudança ambiental tem tudo a ver com o avanço da extrema direita nos últimos anos. Tolice deter-se na armadilha da autocrítica que adversários e inimigos cobram ao PT. Para construir eficazmente a polarização assumida pelo discurso de Lula, a esquerda necessita avançar exercitando a sua necessária Autopoiese.

  7. Eduardo

    24 de novembro de 2019 5:53 pm

    Nas cercanias de São Luis MA há uma cidade de nome Raposa, de população paupérrima, basicamente de rendeiras e pescadores. Visitando-a permaneci por uns 15 minutos observando uma “barbearia”, anúncio grande pintado na parede, cadeira para o corte no centro do salão minúsculo. Barbeiro de bermudas, sem camisa e pé no chão. Freguês semi-deitado na cadeira, pose de verdadeiro rei, recebendo essências e massagens faciais intercalados ao corte. Ao final sai todo garboso com uma barba a la Bretas. No percurso de São Luis a Raposa, de mais ou menos 20 quilômetros, há uma enormidade de igrejas evangélicas, em alguns casos ocupando espaço lado a lado.

  8. Rafael

    24 de novembro de 2019 6:01 pm

    Acho que o texto expressa uma parcela significativa da sociedade brasileira atual.
    O texto é bem escrito. Aliás, achei muito bom.
    Porém, um pouco carregado de pessimismo. Pois, o interior do nordeste brasileiro, também é semelhante a essa descrição, porém, do ponto de vista eleitoral vota na esquerda.
    Por outro lado, essa questão de religião, prosperidade e capitalismo tem uma forte relação de retroalimentação. O que trás consequências trágicas consequências, como, por exemplo, justificar o aumento da exclusão social/concentração de renda. Um dos problemas mais grave do país.
    Enfim, o texto merece aprofundar a reflexão.

    1. Eduardo

      25 de novembro de 2019 9:44 am

      Nos estados do Norte deu Bolsonaro. Nos do Nordeste, apesar de Haddad ter vencido, Bolsonaro foi votado por 30 a 40%. Quanto mais miserável a localidade mais a proliferação da igrejas evangélicas, para as quais não faltam recursos.

  9. Zé Sérgio

    24 de novembro de 2019 6:03 pm

    “…O Brasil real não está nos campi das federais ou nas classes médias intelectualizadas das grandes cidades. São apenas bolhas num universo de primarismo e ignorância…” “…miopia da esquerda, num discurso para convertidos…” A Verdade é Libertadora. Esta tal Esquerda NUNCA existiu, fora do imaginário de convertidos, como o narrador desta matéria. É produto de um Golpe Civil Militar Ditatorial Caudilhista Fascista e nada mais. Sindicalismo Pelego dentro do Estado Brasileiro inflado em Universidades Federais, USP e MEC’s. Os Filhos e Netos desta tal Esquerda não ecoam mais estes farsantes discursos, por que não estão nos Centros Urbanos, caro iludido. Estão em ‘High Schools’ pelos EUA. Ou em Harvard’s e Cambridge’s do Hemisfério Norte. Tem cada Shopping, cada carrão, segurança e mão pesada da Polícia e pode se usar armas de fogo na hora que bem entender. E Você aí ainda sonhando com o pote de ouro no final do arco-iris?!! Fizeram Você crer que um dia encontrará. Este é o Brasil. Pobre país rico. O cabresto, a ilusão e doutrinação como guia. Mas de muito fácil explicação. (P.S. Herdeiros e Famílias destes Progressistas AntiCapitalistas Socialistas estão TODOS milionários. 35 mil reais é Salário de Escravidão, já denunciaram. Mas Você ainda acredita no discurso, não é mesmo?)

    1. Eduardo Pereira

      25 de novembro de 2019 11:09 am

      E qual o caminho , solução que vc , “cara pálida” , dá para este tipo de diagnóstico ( que eu concordo em parte ) que fazes aqui ?
      Diagnóstico é fácil !
      E o caminho a trilhar , qual sugeres ?

      1. Zé Sérgio

        26 de novembro de 2019 1:46 pm

        Liberdade. Democracia. Plebiscitos. Referendos. Eleições Facultativas. Prazos mínimos para Processos. Fim de Feudos Ditatoriais como OAB. A Justiça nada produz, OAB se cala e se omite. Agremiação Civil de Advogados. Tem rabo preso com quem? Com qual Ideologia? Com quais Partidos?

  10. peregrino

    24 de novembro de 2019 6:04 pm

    Ou crescemos por igual ou sumimos todos…
    se continuarmos a confundir os desejos de uns com os direitos de outros

    esquerda nunca beneficiou em partes, sempre a todos

  11. Luiz Cezare Vieira

    24 de novembro de 2019 7:19 pm

    Se já é difícil entender o que se passa na minha cachola que dirá na do Outro continental e diverso que é o Brasil. Claro, teve há décadas a Globo padronizando tudo, a globalização aviltando identidades e, junto com ela a internet que conecta quase todos gerando uma confusão danada porque conecta também outros animais raivosos que nos habitam.
    Todo conhecimento social venha de onde vier é parcial. A verdade não existe. A máquina do mundo certa feita se entreabriu ao poeta Drumond que no entanto não soube aproveitar.
    Acho que o Brasil está numa ladeira que ninguém sabe onde vai dar e o abismo pode estar mais embaixo.
    Vejo uma pequena luz ao perceber que parcelas daqui e dali estão se dando conta da desigualdade fonte maior de nossas mazelas. Agora a política, a única maneira de sairmos do atoleiro não está ajudando. E não vamos jogar toda a responsabilidade ao Lula, é covardia, o Brasil não cabe no seu ombro e ele não é Atlas.

  12. F

    24 de novembro de 2019 7:20 pm

    Também sou do interior, do “Brasil profundo” que votou em massa na Besta, também sou formado na universidade pública da capital (o único em três gerações da minha grande família), também sou de esquerda. Seu texto é perfeito. Talvez demasiado crítico com relação à esquerda intelectualizada dos grandes centros, mas sua leitura da realidade atual no interior me toca profundamente. Muito obrigado.

  13. Roberto CR

    24 de novembro de 2019 7:27 pm

    Compartilho do mesmo ponto de vista. E mais, teria estendido o argumento també a esta geração que se autointitula de progressista e começa a definir as características destas chamadas “novas mídias” como, por exemplo, youtubers e podcasters. O que antigamente era uma dificuldade física (o contato com o país real), devido a dificuldades com transporte ou mesmo financeira, agora vira uma desculpa sob o manto que “a internet está aí”, como se 100% dos brasileiros tivesse acesso a este meio e a obrigação de entender a relação entre a sua realidade e a pessoa da capital que pensa ser aquele que traz a luz. E a esquerda está enveredando por este caminho, seduzida pela sofisticação do meio mais uma vez.

  14. Anônimo

    24 de novembro de 2019 7:28 pm

    Também sou do interior, do “Brasil profundo” que votou em massa na Besta, também sou formado na universidade pública da capital (o único em três gerações da minha grande família), também sou de esquerda. Seu texto é perfeito. Talvez demasiado crítico com relação à esquerda intelectualizada dos grandes centros, mas sua leitura da realidade atual no interior me toca profundamente. Muito obrigado.

  15. giorgio xenofonte

    24 de novembro de 2019 7:36 pm

    Tsc, todo mundo tem a “solução para a esquerda”… vai lá e tenta fazer, igual ao Lula, amigo 🙂

  16. jcordeiro

    24 de novembro de 2019 7:56 pm

    Nassif: aleluia! Enfim temos alguém que começa traduzir os novos tempos para as esquerdas do Brasil e seus discursos aos surdos. Essa do Leandro matou a cobra e mostrou o pau. Foi a melhor interpretação do seu “HomemBambu”, dos que oscilam e envergam pra não quebrar, mas sem levar a lugar algum, além de seus umbigos. Espero que a “intelligentsia” da classe consiga refletir sobre os apontados rumos e traçar novo túnel, onde essa luz possa guia-los a uma temática próxima a realidade, concreta e palpável. O artigo merece mais que reflexão. Fique de olhe nesse menino, que promete…

  17. Hildermes José Medeiros

    24 de novembro de 2019 8:03 pm

    Uma mixórdia de falsos argumentos, sem base fática, tudo baseado na visão do personagem que assina o documento. Faça-me o favor. Há muito tempo, já vão para décadas, que o que diz ver no campo, em grande parte em decorrência da evolução dos meios de comunicação, acontece. Nada tem a ver, como se depreende do que afirma, que nosso interior e regiões mais pobres, estão, agora, propensas pela ideologia bastante conservadora que domina nessas áreas, a aceitarem o chamamento de extrema-direita, que acontece no nosso país e em grande parte do mundo. Nada a ver. O pentecostalismo de resultados afirma-se e se espalha é nos grande centros e daí se irradia, certamente. Se olhar com mais cuidado, no Nordeste, por exemplo, não acontece o que afirma. As populações nordestinas, majoritariamente não votam nos candidatos e não apoiam a extrema-direita no poder. O apoio da extrema-direita (conta-se em centenas as facções fascistoides), dá-se majoritariamente no Sul e Sudeste, e nas áreas urbanas, não só no interior, nas áreas rurais. E de mais a mais, a população nessas áreas onde desenvolve sua estapafúrdia tese, vive a minoria da população, que se concentra nos grande centros urbanos. São argumentos falaciosos que apresenta, não merecendo maiores atenções, porque não é isso que está acontecendo.

  18. Anônimo

    24 de novembro de 2019 8:09 pm

    Sinceramente, também acho que a Esquerda está no gueto. O autor do post está certo. Neste texto abaixo, uma idéia para começar a sair:
    Recentemente, um grupo de pessoas de Londrina-PR assinou um documento enviado ao Vaticano, pedindo a destituição do arcebispo local, Dom Geremias, acusando-o de ser um “infiltrado esquerdista” na Igreja. Encabeçam esse movimento associações comerciais que representam empreiteiras, indústrias metalúrgicas, agricultores, varejistas e associações profissionais de médicos e engenheiros. E o que fez o arcebispo para merecer esse ódio? Disse que a reforma da previdência iria prejudicar os mais pobres. É a cara do fascismo. Observem que onde há fascismo há Associações Comerciais e Industriais liderando. FIESP no topo. O caso de Londrina pode ser lido aqui http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/590843-arcebispo-brasileiro-e-atacado-por-liderar-infiltracao-esquerdista-na-igreja
    Agora queremos falar de um grande trunfo da Esquerda. Os Dráculas (os bilionários do mundo e o estado profundo do império americano que querem destruir a Esquerda e qualquer movimento de solidariedade social) são imensamente poderosos, eles podem encantar as cabeças, inclusive dos mais pobres, conquistando-os com suas ilusões e promessas (empregos, combate à violência e à corrupção, paz). Mas eles não podem entregar o produto que prometem. Só a frágil Esquerda pode promover políticas que efetivamente acudam os pobres em suas aflições, e aí está a sua maior força.
    A Ágora é a praça, o mercado, a rua. O que poderia uma pessoa desempregada, sem poupança ou capital, fazer para não morrer de fome? Ir para as ágoras, comerciar alguma coisa, fazer trocas, fazer um bolo para vender, vender quinquilharia chinesa. Se ela não tem capital para montar um negócio num ponto comercial e se o capital não lhe dá emprego para que ela venda a sua força de trabalho, o que lhe resta? Ir ao corpo a corpo nas praças e ruas. Muita gente já faz isso, na marra. E o que essa gente encontra? O Rapa, o ódio das Associações Comerciais, a polícia e, muitas vezes, uma violência inacreditável.
    Se o povo não tem nem emprego nem capital deve ser liberado para ir à praça comerciar. A RECONQUISTA DA ÁGORA. Isso tem de ser uma ação de esquerda moderna. E deve ser alardeada como uma ação de esquerda para que o povo entenda quem está do seu lado. Deixem as associações comerciais e industriais rugirem, espernearem. Isso é luta de classes contemporânea.
    Os economistas e contabilistas de esquerda devem quebrar a cabeça para descobrir formas de formalizar isso. Como incluir as massas que trabalham nas praças e ruas na previdência pública e na ordem tributária. O Microempreendedor Individual criado nos governos do PT deve ir além e beneficiar o trabalhador na rua. Aí então o Rapa não seria mais para expulsar os pobres do comércio da rua, mas sim para fiscalizar se estão pagando impostos.
    Fernando Horta, o mais arguto observador da vida política brasileira no momento, que escreve aqui no GGN, disse recentemente que os evangélicos fundamentalistas já incorporaram e dominaram o morro. E que o morro não vai mais descer. Verdade. E a Esquerda não é páreo para eles, que são mercadores de sonhos e ilusões. Mas a Esquerda e o velho Marx com seu “materialismo” ainda têm uma carta na mão para salvar o morro: liderar o acesso do morro à Ágora, de onde ele tirará o seu sustento. Os Pastores do Dinheiro podem prometer a prosperidade ao morro, mas no fim apenas eles mesmos enriquecem, tirando dinheiro do morro. Só a ágora vai trazer dinheiro ao morro, e um dia eles compreenderão finalmente isso e verão quem é a Esquerda, perceberão quem lhe ajuda. E isto já será uma Revolução.
    Os teóricos marxistas da Revolução geralmente enfatizam o papel das “classes trabalhadoras”, operários, etc. Mas hoje em dia achar uma vaga de emprego formal está igual bamburrar um diamante no garimpo. Qual trabalhador operário, carteira assinada, vai fazer a Revolução?
    As Associações Comerciais e Industriais sempre estão na frente das lutas contra as classes populares. Investir para o sucesso da ágora, conseguir formalizar a ágora, é um golpe (de pelica ou cacetada mesmo) nessas castas. Já seria uma pequena Revolução.
    Ruas bonitas e limpas só nos países que já exploraram tanto o resto do mundo que podem se dar ao luxo da beleza, da assepsia -aquele famoso “1º mundo”-. Nas Índias, nos Brasis, o povo deve estar na rua, vendendo, comprando, trocando, oferecendo serviços. O poder público deve proporcionar nas praças, nas ruas, fontes de água e de eletricidade para as necessidades desse ramo econômico de suma importância. E bolar maneiras de cobrar impostos, para incluir essa parcela da população na previdência e no sistema tributário. A beleza e a estética vão ter de esperar. A sobrevivência das classes desprovidas é mais importante, talkei, Habitantes dos Jardins?
    A ágora seria uma espécie de “estabilidade” para o povo (em comparação à “estabilidade” dos concursados). Na hora amarga do desemprego, o trabalhador pode sempre contar em ir para a rua negociar seja o que for, apoiado pelo poder público, sem temer a violência da polícia, e salvar o leite das crianças. Estará fazendo uma coisa milenar. O ser humano sempre fez isso para viver. Lembrem dos “Quindins de Iaiá”. A ex-escrava de repente solta no Rio de Janeiro ou Salvador, sem eira nem beira, logo arrumou um tabuleiro, fez uns quindins e saiu na rua ganhando a vida.
    Um governo de Esquerda, claro, deve dialogar com todos os segmentos da sociedade, inclusive com a Indústria e o Comércio institucionalizados, com o Agronegócio, por mais hostis que sejam. Deve apoiar a criação de empregos. Mas nunca deve esquecer que deve ir mais além. Nunca deve esquecer o golpismo e o fascismo, o ódio de classe desses segmentos. Portanto deve investir pesado na ágora e nos pobres. Daí pode vir suporte e força naquela hora que sempre chega: A hora do ataque dos Dráculas.
    Este texto é uma continuação de um texto anterior chamado “Palpites para a Esquerda I” onde nós dissemos que os Dráculas (os bilionários do mundo e seus Think Tanks liberais, o poder profundo do império americano com suas Agências CIA, NSA, etc., tendo como instrumento a mídia mundial, a Net, etc.) querem a acabar com qualquer pensamento de Esquerda e com solidariedade Social, e que estavam agindo a partir de quatro pontos:
    1) Acusar a Esquerda de ser a causa da degeneração dos costumes (Gênero, LGBT, aborto, etc.);
    2) Acusar a Esquerda de ser fonte de corrupção e de incompetência na gestão dos bens públicos;
    3) Acusar a Esquerda (Nos países pobres) de apoiar a bandidagem a partir da ação a favor dos Direitos Humanos;
    4) Acusar a Esquerda (Na Europa e Estados Unidos) de apoiar a invasão de imigrantes.
    Esse texto inicial está aqui https://jornalggn.com.br/seguranca-publica/palpites-para-a-esquerda-i/.
    Já escrevemos como a Esquerda pode se defender contra os Dráculas em relação à acusação 2, focando a relação da Esquerda com o mundo “marajá” do serviço público que recebe tantas críticas por parte do povo.
    Escrevemos sobre a acusação 3, de que defende a bandidagem. Os links estão no texto linkado acima.
    Escrevemos também quanto à acusação 4, em relação à Esquerda Européia totalmente perdida em como lidar com as ondas migratórias que assolam a Europa originadas das guerras fabricadas pelos próprios Dráculas.
    Sobre a acusação 1, falaremos em outro texto no futuro.
    Esse texto de hoje não tem a ver com as acusações colocadas acima, mas é um palpite de como a Esquerda pode sair da defensiva e iniciar a ofensiva.

  19. Lâmpada

    24 de novembro de 2019 8:37 pm

    Também morei um bom tempo numa dessas pequenas cidades do interior de são paulo. O que vi me faz concordar com boa parte do artigo.
    Desde a década de 70 acompanho a vida da pequena cidade mineira onde meus pais nasceram. A comparação dessas duas realidades diferentes ao longo desse tempo, me leva a divergir. A mentalidade interiorana, na essência, sempre foi mesma. Ali, sociedade e cidadania, segundo o conceito acadêmico, não existem nem nunca existiram. Existem projeções de interesses familiares que ora se compõem, ora se repelem, e os marginalizados. A esquerda nunca fez sentido nesses lugares. O sindicalismo, quando existente, é fenômeno alienígena, vindo de fora.
    O problema novo seria outro: a esquerda já não chega nem mesmo às periferias das grandes cidades. Sempre foi a partir destas que emanou a influência modernizante e civilizatória sobre o restante do país, inclusive pequenas cidades e vilas.

  20. Anônimo

    24 de novembro de 2019 8:45 pm

    Vamos devagar, falar que o Brasil é o campo, são as pequenas vilas do interior onde o tradicionalismo graça e onde os donos de campo são respeitados pelo número de bois que ele tem, é uma verdadeira fantasia que não resiste a dados lógicos e observações mais cuidadosas.
    Primeiro vamos ao primeiro e grande dado no Brasil, o grau de urbanização do país. Mais ou menos em 1964, 50% da população brasileira era rural, seguindo a tendência histórica em 2010 somente 16% da população era rural, sendo que os 84% da população urbana era concentrada nas grandes cidades. Para dar um exemplo, só tomando as 10 maiores regiões metropolitanas no Brasil 66,7 milhões de brasileiros viviam nessas regiões, ou seja, para uma população de 207,7 milhões de habitantes 32,1% moram nos 10 maiores conglomerados urbanos. Se ampliarmos este universo para todas as regiões metropolitanas que possuíam mais de um milhão de habitantes esta proporção passa para 46% da população brasileira.
    Importante destacar que fora desta classificação de regiões metropolitanas temos cidades como São José dos Campos, Osasco, Joinville, Florianópolis, Santos, Diadema, Olinda e mais algumas dezenas de outras que estariam fora da definição do “Brasil Real”, do autor do texto. Ou seja, mais de 50% da população brasileira além de ser urbana habita em cidades que não seguem o perfil folclórico e anedótico (para não desqualificar ainda mais) que traça o autor do artigo.
    Inclusive iria muito mais longe, esta visão de um interior calmo e mais interessado no jogo de futebol do que contestar os grandes proprietários é mais uma maneira de esconder os reais sentimentos e se resguardar de represálias dos donos do poder local.
    Os últimos dados do IBGE mostram que os 32,5% das cidades (1.233) com menos de 20 mil habitantes apresentaram redução do número de habitantes (do ano de 2016 para 2017), ou seja, o pacato e modorrento interior brasileiro está simplesmente envelhecendo e morrendo, dominado pelo agronegócio e não pelo sistema de compadrio dos séculos passados.
    O Brasil real é negro (46,5% se declaram pardos e 9,3% pretos, somente 43,1% se acham brancos), urbano, pobre e nada correspondente ao cenário descrito.

  21. gutierritos

    24 de novembro de 2019 8:47 pm

    Penso que Leandro está narrando uma realidade do interior – máxime paulista – onde cada vez mais estamos retornando aos tempos da Suserania e Vassalos. Os suseranos, hoje, não são só proprietários de terra, mas, também, as corporações, que estão nos transformando em vassalos, os escravos da idade média,
    Discordo totalmente de Leandro, quando diz:
    “E Lula solto envereda pela mesma miopia da esquerda, num discurso para convertidos. Desconsiderando que o operário não quer melhor salário, quer apenas garantia de ter seu emprego, não importa que tenha que abrir mão de domingos, feriados. Afinal, o que é o domingo se comparado à perda da fonte de renda (e de cidadania)?”

    Quando o povo sequer tem capacidade de compreender o que se passa – cidadãos que não tiveram educação crítica – realmente, o pensamento é voltado para o conformismo e a incapacidade entender que cada brasileiro tem seus direitos, consagrados basicamente, no art. 5º da CF, e que deve, sim, ter seus direitos defendidos, no caso pela esquerda e centro esquerda.

    A questão é complexa, máxime pela crise econômica provocada pelo golpe, que foi organizado pelo exterior, inclusive para toda a América do Sul, no sentido de nos tornarmos feudo americano e os trabalhadores em escravos dos senhores feudais, sob o reinado do Rei Sam.

  22. Felipe I

    24 de novembro de 2019 9:07 pm

    Concordo inteiramente com as observações desse texto. Porém acredito que isso se deva principalmente pela ascensão das redes sociais. Elas geram um ambiente em que o seu valor é medido apenas pela projeção de sucesso de seus posts com carros importados, viagens, roupas de marca e outros símbolos de status caríssimos e igualmente superficiais. Conhecimento acadêmico e cultura não geram likes!

  23. Luiz Fonseca

    24 de novembro de 2019 9:30 pm

    Menos de 10 por cento da população brasileira vive na área rural. A maioria da população hoje vive em cidades médias e grandes. Essa gente descrita no artigo está longe de ser maioria.

  24. Luiz Fernando

    24 de novembro de 2019 9:34 pm

    Discordo do texto acima. Nos interiores há sim movimentos LGBTS, há sim muitos bairros proletários surgidos dos trabalhadores sazonais do agronegocio, dezenas de cidades paulistas, mineiras e nordestinas tem um vasto proletariado rural despossuído, vivendo de aluguel a espera da próxima safra ou marginalizado. Tem esse pentecostalista mesmo esse que deseja a prosperidade só para eles, mas é um universo em desencanto.

  25. CARLOS EDUARDO GALDIANO LOPES

    24 de novembro de 2019 10:02 pm

    A esquerda ainda não acordou. Vive uma fase etérea. O Lula faz discurso de conto de fadas pra um povo que o julgou como um ladrão desgraçado. A única salvação é se parte do mercado passar a ver o Lula como fator de pacificação e estabilização institucional. Se não for assim, FUDEU!! Melhor nem debater ou argumentar.

  26. Silvio T

    24 de novembro de 2019 10:11 pm

    É, mas se deixarem o Lula concorrer, ele ganha.
    Exatamente porque, com ele, todos, evangélicos ou não, estavam empregados, comprando casa, carro, celulares e tv´s led. E pegando um aviãozinho pra viajar de vez em quando…

  27. AMORAIZA

    24 de novembro de 2019 10:23 pm

    Seria razoável essa percepção se o nosso país fosse rural.
    A esquerda a quem o articulista quer culpar nunca esteve nesse ambiente que ele descreve.
    O projeto de poder das igrejas neopentecostais através de seus pastores gananciosos. dinheiro estrangeiro interessado e dinheiro brasileiro sem origem é que fomenta a nova direita de cegos, miseráveis arrependidos e desnorteados, e os filhos dos crentes poupados da ditadura.
    Não fosse a miséria que eles mesmos criam a cada ano, e não teriam almas para arrebanhar aos seus discursos de salvação e prosperidade.

  28. Mario.dos Santos Gonçalves

    24 de novembro de 2019 10:24 pm

    O fracasso subiu à cabeça. Calma lá. A esquerda ganhou 4 eleições nacionais das últimas 5. Teve lava jato, impeachment tabajara é tudo mais. Deixe o Bolsonaro governar mais 37 meses e nem os caubóis de Sorocaba votarão neles. Aliás, o Brasil é muito mais que sertanejo universitário.

  29. Miriam Lopes

    24 de novembro de 2019 10:31 pm

    Qual a sugestão? Abrir mão de princípios por votos? Os fins justificam os meios? Muitas vezes é melhor perder do que ganhar.

  30. Dennis Baldo

    24 de novembro de 2019 10:42 pm

    Perfeito o texto. Demonstra o tamanho do desafio que a esquerda tem de enfrentar, mas ao meu ver insiste em um discurso não tão esclarecedor, muito superficial.
    A esquerda deve desconstruir essa falácia contada pela direita mostrando como países que há 50 anos eram subdesenvolvidos e hoje lideram a economia mundial como a Coreia do Sul. Explicar que a industrialização é a única saída para a melhoria das condições de vida da sociedade e que para isso o investimento em educação é fundamental. Lembrar que o verdadeiro cristão é aquele que segue os ensinamentos de solidariedade de Jesus e não aquele que carrega uma arma na cintura.
    Para mim a esquerda está perdendo o discurso e tenho medo que nunca mais o recupere.

  31. Wagner Cin

    24 de novembro de 2019 11:29 pm

    Prezado autor e prezados amigos da GGN

    Eu gostaria de por um tempero neste tema e nos últimos artigos do nosso querido Nassif. Eu vejo que esta falta de sintonia e eficácia das esquerdas (éticas) com a sociedade real tanto aqui no brasil, na AL e como em todo o planeta, como também o crescimento do fascismo,das guerras e todos os exemplos do quadro caótico que constatamos é o fim e os meios. O planeta é regido e controlado por grandes grupos, famílias e corporações com a finalidade exclusiva de controle e poder. Eles usam todos os meios, técnicas, instrumentos, profissionais, ciência, entretenimento, religiões para manter seu status de dominação e sofrimento. Isto que eu escrevo não se trata de nenhuma teoria de conspiração, basta somente pesquisar e ligar os fatos. Analisem por exemplo os eventos históricos, por exemplo de 200 anos atrás, das famílias mais ricas e poderosas em cada sociedade até os tempos atuais. Alguém já ouviu falar no físico engenheiro Nikola Tesla e o que ele sofreu devido , por exemplo? Clube de Bilderberg que se reúne anualmente na Europa onde participa a elite econômica européia e norte americana com a finalidade de discutir os rumos do planeta. Será que não lembram da ação dos irmãos Koch financiando grupos e pessoas aqui no brasil interessados no petróleo e rumos da nossa política? Eu ficaria aqui horas descrevendo situações, provas e nomes para mostrar e provar tais situações. Quem lembra da guerra do Iraque, Dick Cheney(vice de Bush filho e CEO da Halliburton Company petrlífera norte americana? As “guerras” criadas. Um drops desta realidade que eu encontrei de um estudo da BROWN UNIVERSITY (Não é página fake não!) https://watson.brown.edu/costsofwar/
    Infelizmente, eu cheguei a conclusão que vivo no quintos do caos. Queria escrever outra palavra.

  32. Astolfo Nirva

    25 de novembro de 2019 6:16 am

    E o Brasil com uma população eminentemente agrária e com poucos núcleos urbanos significativos sempre é conduzido pelos agroboys, me poupe….

  33. Maria Luisa

    25 de novembro de 2019 6:23 am

    Exatamente o que tenho visto em minhas incursões pelos rincões. O que ouço e observo é o que os valores são ligados ao dinheiro e status. Eh um universo kitsh, tosco e com enorme tendência ao consumismo, principalmente tudo o que importado.

  34. DORIVAL MOREIRA DA CRUZ

    25 de novembro de 2019 6:41 am

    Entre as inconsistências da afirmação, a que de se destaca é: se ela procede como os mais de 50% dos municípios que seriam extintos por Guedes elegeram Haddad como presidente?

  35. Rodolfo

    25 de novembro de 2019 7:08 am

    A direita mente…a esquerda não tem como fazer isso. Só o tempo vai reverter a situação, quando a maioria não aguentar mais abusos. Mas recordo ao nobre escritor: SE NÃO HOUVESSE FRAUDE NAS ELEIÇÕES LULA SERIA NOSSO PRESIDENTE.

  36. Radagaisus

    25 de novembro de 2019 7:25 am

    Mais um desses indivíduos que ainda não compreendeu o conceito do verdadeiro caminho. Como se chega a uma vivência o mais próximo possível do chamado Estado de Bem Estar Social? O que o comentarista expõe não deixa de ter lá suas razões. Mas como se explica que em 2010 quando o Lula saiu as coisas estavam muito melhores. E tudo desmoronou de repente? Como se explica que milhões dos desfavorecidos em todo o Brasil votaram em Bolsonaro? O comentarista despreza a lavagem cerebral feita pela grande imprensa, que bateu diariamente nas esquerdas e no Lula praticamente durante 30 anos. A lavagem cerebral dos mais necessitados ainda foi extremamente induzida pelos patrões, pelos pastores, por todos os mais favorecidos, pelos médicos — a gente se esquece deles, mas 95% dos médicos brasileiros são direitistas e muitos são fascistas mesmo. O Goebells só precisou de 6 anos (de 1933 a 1939) para transformar o povo alemão — um povo muito mais educado do que o nosso —, em adorador de Hitler. Mas a nossa imprensa teve 30 anos para uma lavagem cerebral completa. Como disse outro dia um colaborador até os ribeirinhos da Amazônia, onde ainda nem tem soja, ou SUVs, votaram no capitão. Na verdade verdadeira organizou-se um gigantesco exército conservador e extremista, formado pela elite, imprensa, judiciário, legislativos do Brasil todo, que se uniu para destruir a esquerda e o Lula, tanto assim que o prenderam sem nenhuma razão legal. O que o comentarista fala pode ter sua influência, mas tem muito pouco a ver com o processo que se instalou no país depois da criação do PT em 1986. A grande mentira Goebelliana do nosso processo foi que tudo de ruim que aconteceu no país é culpa da esquerda e do PT.

  37. Anônimo

    25 de novembro de 2019 7:31 am

    Mais um desses indivíduos que ainda não compreendeu o conceito do verdadeiro caminho. Como se chega a uma vivência o mais próximo possível do chamado Estado de Bem Estar Social? O que o comentarista expõe não deixa de ter lá suas razões. Mas como se explica que em 2010 quando o Lula saiu as coisas estavam muito melhores. E tudo desmoronou de repente? Como se explica que milhões dos desfavorecidos em todo o Brasil votaram em Bolsonaro? O comentarista despreza a lavagem cerebral feita pela grande imprensa, que bateu diariamente nas esquerdas e no Lula praticamente durante 30 anos. A lavagem cerebral dos mais necessitados ainda foi extremamente induzida pelos patrões, pelos pastores, por todos os mais favorecidos, pelos médicos — a gente se esquece deles, mas 95% dos médicos brasileiros são direitistas e muitos são fascistas mesmo. O Goebells só precisou de 6 anos (de 1933 a 1939) para transformar o povo alemão — um povo muito mais educado do que o nosso —, em adorador de Hitler. Mas a nossa imprensa teve 30 anos para uma lavagem cerebral completa. Como disse outro dia um colaborador até os ribeirinhos da Amazônia, onde ainda nem tem soja, ou SUVs, votaram no capitão. Na verdade verdadeira organizou-se um gigantesco exército conservador e extremista, formado pela elite, imprensa, judiciário, legislativos do Brasil todo, que se uniu para destruir a esquerda e o Lula, tanto assim que o prenderam sem nenhuma razão legal. O que o comentarista fala pode ter sua influência, mas tem muito pouco a ver com o processo que se instalou no país depois da criação do PT em 1986. A grande mentira Goebelliana do nosso processo foi que tudo de ruim que aconteceu no país é culpa da esquerda e do PT.

  38. Paulo Rickli

    25 de novembro de 2019 7:32 am

    As esquerdas são compostas na sua grande maioria por” gentes ” das cidades grandes , que ignoram quase completamente o que se passa no mundo rural . Quando não se conhece a realidade de fato e como um todo , as críticas se tornam míopes , e acabam inviabilizando iniciativas de aproximação , diálogos e avanço de propostas pacificadoras e progressistas .
    exemplo é a soja , principal produto de exportação brasileiro , que hoje em dia vem sendo cultivada com técnicas de conservação de solos desenvolvidas e aprimoradas no Brasil , com a maioria dos produtores conservando as reservas legais e com muitas fazendas operando com selos de certificação ( boas práticas de gestão socioambiental ) , mas no campo das esquerdas ouve-se quase exclusivamente críticas ferrenhas e confusas , típicas de quem não sabe e não conhece .
    Não resta dúvida que é preciso frear /parar o desmatamento no Brasil e consequentemente o avanço de novas fronteiras agrícolas ( em todos os biomas) , mas o diálogo, pelo menos o científico e lógico , tem de ser retomado.
    * Obs..agricultura familiar já desmatou muito também e UTILIZA SIM grandes quantidades de agrotóxicos por unidade de área .

  39. Daniel Mendes Fernandes

    25 de novembro de 2019 9:40 am

    Ótimo texto. Segue a minha de pensamento em que será difícil ao PT encontrar solução para aquilo que ele próprio criou. E criou não só por solução política e econômica, ou pôr ideal de promover a igualdade. Mas porque o PT é afeito – e com força – à ascensão social como a redenção dos que eram tratados como lixo. Baseado nisso o PT fingia para si pôr em curso um projeto civilizacional – promover, enfim, a igualdade no mar desigualdade. Na prática anabolizou uma sociedade arcaica como sociedade de consumo. O monstro que sempre habitou a nossa precariedade cresceu e cresceu muito – um monstro precário. O PT nunca ousou encarar a sociedade como precária – enfrentou precariedades específicas que limitavam a ascensão, não a miséria da sociedade. E essa precariedade está nas bolhas universitárias também, onde a esquerda civilizada habita – como bem mostra o texto acima. As soluções democráticas ali são disfarces para a luta da ascensão vs garantia privilégios. Acho que o Brasil da soja não é tão diferente do Brasil do mais direitos. De minha parte, eu estou cada vez mais querendo uma esquerda genuinamente radical, sem laços com a classe política e políticos de carreira, uma esquerda de rua que seja intransigente na defesa do que seja revolucionário. Se o conservadorismo se renovou na soja e nos coronelismos da burocracia, por que os revolucionários não podem se renovar na luta contra a destruição e precariedade que a voracidade da ascensão social a todo custo perpetua?

  40. Tupac Katari

    25 de novembro de 2019 10:53 am

    O texto despreza dados básicos da eleição: a) foi no Sul e no Sudeste urbanizados que Bolsonaro teve a maioria dos votos e grandes percentuais de diferença; b) é São Paulo que elege a direita há décadas; c) foi no NE rural que a esquerda teve maior votação; nas grandes cidades do NE, a diferença pró-esquerda foi menor que no interior; d) o interior do NE, rural, é uma das regiões mais católicas do país; o neopentecostalismo ultrapassou a ICAR foi na cidade do RJ e floresce nas periferias das grandes cidades do Sul e Sudeste mais do que em qualquer outro lugar!

  41. Hans Bintje

    25 de novembro de 2019 12:40 pm

    Eu também botei os pés na estrada para ver uma realidade além da “Nova York do mundo bizarro”.

    Vi esses mesmos personagens do Leandro A. ouvindo música de “sofrência”. Um desconforto psíquico imenso, com a busca de um SUV, de uma mulher “gostosa”, qualquer coisa para compensar o vazio existencial.

    E a natureza logo ali ao lado, silenciosa, chamativa…

    Mas tudo o que não esteja em sintonia com a loucura, o barulho, deve ser destruído. Pelo fogo, pela bala.

    Até que a “gostosura” não se aguente e se vá, deixando atrás de si toda a “sofrência”.

    A plataforma da Esquerda deveria ser a superação da “sofrência”. Lembrar da Dona Beija e do banho de cachoeira.

    Cachoeira que só existe com a mata conservada.

    Onde a Dona Beija pode se manifestar com toda a exuberância. E permanecer ali e ficar feliz.

    E poder gerar filhos fortes numa terra saudável.

  42. Pedro Mundim

    25 de novembro de 2019 5:45 pm

    O autor disse tudo aquilo que eu venho repetindo há tempos. A esquerda foi possuída pela arrogância própria das elites – no caso, uma elite intelectual – e quer de qualquer maneira encaixar o povo nos moldes teóricos que construiu nos ambientes acadêmicos sob o aroma de canabis. Se não tem sucesso, a culpa é dos coxinhas, como se coxinha fosse maioria da população e decidisse eleição, ou então da mídia hostil, como se povão lesse editorial de jornal, qualquer coisa, menos admitir que o povo SIMPLESMENTE NÃO É COMO A ESQUERDA ACREDITA QUE É.

    O artigo só pecou por enfatizar muito a população rural. É preciso levar em conta as periferias das grandes cidades, onde a população, acossada pelo crime e pela imoralidade, corre às igrejas evangélicas e dá o voto a quem promete endurecer contra a bandidagem. O crime é a preocupação número um do povo das periferias, mais até que o desemprego. A esquerda não vai voltar ao poder enquanto não atender às demandas dessa população, em especial o endurecimento no combate ao crime.

  43. Anônimo

    25 de novembro de 2019 9:11 pm

    A esquerda brasileira tá com cara de que vai ajudar a reeleger o Bolsonaro. O Lula solto até agora não fez diferença pois repete a mesma ladainha. Ou encara a realidade: ter de reconquistar parte dos votos que foram dele no passado e no último pleito migraram para Jair Bolsonaro. Ou repete o discurso para os convertidos e continua polarizando pra reeleger Bolsonaro no primeiro turno em 2022.

  44. altamiro souza

    26 de novembro de 2019 7:07 am

    quem não sonha e vive só da realidade
    pode ser estúpido, mas acha que é mais
    casca dura e mais resistente….
    aí você aprende verdades científicas e fantasia com altas literaturas e vem o cara dizer que tem de abrir uma estrada naquela mata porque a vida vai melhorar não se sabe bem pra quem ou que se pode matar os bichos porque pelo menos ele terá o que comer;ou que o oleo vazado daquele petroleiro não mata os peixes, esse besteirol bolsadamárico da contemporaneidade.
    aquele intelectual que sabe tudo e que aceita certas teses da direita(atitudes GROTESCAS E INCIVILIZATÓRIAS DE AUGUSTO NUNES OU MAINARDI) só pra dizer que é mais democrática e ouve todos os lados….e vai aceitando tudo -até golpes de estado, estado de exceção, normatizando a barbárie.
    tudo isso existe….
    mas sem utopia, todo ser humano é arcaico.como diria o cara buscando uma frase para encerrar o assunto constrngedor…..

  45. Paulo F.

    26 de novembro de 2019 5:33 pm

    Acertou e como!
    Aquele que diz que o Brasil é um pais urbano, desconhece geografia.
    Falso urbano, onde o trabalho rural mora na periferia da cidade inchada.
    Enquanto a face reformista for o modelito daqueles que se arvoram progressista a partida esta irremediavelmente perdida.
    Teremos anos trevosos e muito choro e ranger de dentes!

  46. Gustavo Rodrigues Franca Leite

    27 de novembro de 2019 9:59 pm

    Costumo dizer que Bolsonaro é um mero sintoma. Esse texto me ajudou a entender um pouco mais a doença. Obrigado ao autor pela porrada esclarecedora na minha cara. Pode se que mesmo com a queda do maldito que acredito que vai acontecer inevitavelmente por seu próprio esforço, ainda assim estejamos condenados inevitavelmente como nação.

  47. Astolfo Rubens

    29 de novembro de 2019 10:32 am

    Se olharmos o golpe de 2016 como uma ação de punguistas, talvez tenhamos um outro ângulo de análise.
    Sim, o modus operandi foi o de punguistas (pelo menos no senso de oportunismo): enquanto se votava o “impeachment” no senado, no mesmo dia(!) uma comissão na câmara alterava regras do pré-sal, ou seja, enquanto alguns distraiam a nação outros a “operavam”.
    Feito isso, a segunda parte, que tem sempre uma continuidade temporal muito maior (depende, é claro, do tamanho do saque que, no nosso caso, sabemos que é vultoso) é – e continua sendo – a de criar confusão pra “esparramar” a grana. E isso é feito com a ajuda de ferramentas como “a terra é plana”, “o culpado é Di Caprio”, assassinatos, fakadas (essa como um contraponto sub), etc., etc. e etc.
    O Roberto Requião tem razão: Bozo é um fantoche. É isso.
    A tática pra combater isso creio que tem de ser pontual. Aliás, gostei da ideia de procurar dar cidadania aos ambulantes, o que já é quase uma macro-tática. Seria o máximo, creio.

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