FHC diz que País não merece a cassação de Temer

Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse em entrevista à rádio CBN, nesta segunda (3), que o País, já colapsado após o impeachment de Dilma Rousseff, não merece enfrentar a cassação de Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral e, consequentemente, assistir a uma eleição indireta de um substituto pelo Congresso.
 
Segundo FHC, a cassação de Temer por abuso de poder econômico na eleição de 2014 seria um “risco” para a economia nacional, porque vai afastar eventuais investigadores. “Mas como você faz diante de algo que já estava na Justiça? A Justiça é quem tem que responder se houve abuso de poder econômico, e se tiver, discutir se a cassação é da chapa ou de parte da chapa”, defendeu o tucano, sugerindo que apenas Dilma seja declarada culpada na ação.
 
O julgamento da ação apresentada pelo PSDB ainda em 2014, após a derrota de Aécio Neves, começa nesta terça-feira (5). A expectativa é de que o relator, ministro Herman Benjamin, vote pela cassação de Temer, declarando-o beneficiário de qualquer esquema de caixa 2 que tenha existido na campanha.
 
Ontem, a Folha de S. Paulo revelou que o relatório do vice-procurador geral eleitoral aponta que a chapa Dilma-Temer teriam usado até R$ 121 milhões de doações não contabilizadas. Esse valor foi levantado a partir de delações da Odebrecht e de processos que tramitam nas mãos de Sergio Moro.
 
Para FHC, contudo, Temer tem o benefício da dúvida, porque os delatores não teriam implicado ele diretamente. O mesmo não pode ser dito sobre Dilma, ressalvou o tucano. “A Justiça tem de averiguar isso. Não vejo razão, se for assim, de [a sentença] alcançar Temer”, avaliou.
 
Segundo FHC, “já temos tanta dificuldade hoje, e o Congresso ainda eleger uma pessoa para ser presidente por um ano? Meu Deus, é mais confusão!”
 
Sobre 2018, o presidente de honra do PSDB disse que é preciso aguardar para saber “quem para em pé” após a Lava Jato, antes de definir quem será o presidenciável do partido. Ele não descartou que seja Joao Doria Junior, prefeito de São Paulo.
 
Plano moral
 
Após comentar o lançamento do terceiro livro que conta os bastidores de seu governo, FHC disse que passou da hora de ser lançado um “plano moral” no Brasil. “No meu ver, o governo de Temer tem tentado acertar e tem acertado em alguns pontos a política econômica. O problema é a demonização da política e o sistema eleitoral que está aí, que não tem mais apoio da população.”
 
FHC criticou a grande quantidade de partidos políticos (35 no TSE) e defendeu uma reforma política com cláusula de barreira e fim das coligações em eleições proporcionais. Isso, segundo ele, reduziria drasticamente o volume de partidos no Congresso e ajudaria o presidente a debater governabilidade sem barganhas.
 
O ex-presidente também disse que os “políticos têm que reconhecer que erraram e a Justiça tem que punir quem tem que punir.” E quem tem que dizer quem fez o que e separar o joio do trigo é a Justiça, nao a imprensa. A fala acontece dois dias após a revista Veja publicar que, segundo delações da Odebrecht, Aécio Neves tem contas secretas nos Estados Unidos.
 

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