D’Artagnan D’Ourinol Episódio 6, por Rui Daher

Redação, madrugada, 1:30, batidas fortes à porta. Ela cai, tal a fragilidade dos pertences, mobília e licores em vidrilhos, receitas de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), tão vilipendiada, em sua época, por senhores e senhoras das imediações.

D’Artagnan D’Ourinol Episódio 6, por Rui Daher

Façam chuva e sol, estejam minhas botinas enlameadas ou pisando em terras estorricadas do agrário brasileiro, esta série de crônicas, por sugestão de minha afável editora, será publicada duas vezes por semana. Terças-feiras e sábados ou domingos.

Redação, madrugada, 1:30, batidas fortes à porta. Ela cai, tal a fragilidade dos pertences, mobília e licores em vidrilhos, receitas de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), tão vilipendiada, em sua época, por senhores e senhoras das imediações. Um dia, ainda explicaremos nossas imediações. Estivéssemos em Capão Redondo, e não mais existiríamos.

Eram Nestor, Harmônica e, surpresa, Glenn Greenwald.

Pestana, assustado, pede calma. A sequência foi desaprovadora e doeu:

Nestor: “Rui, que merda foi essa, quando já estávamos prestes a transformar o Visconde de Sabugosa em Visconti de Natal, quadradinhos cristalizados de alcaçuz, jiló e espada-de-São Jorge, vem você e dá uma dessa?”

Harmônica: “Nos meus bolsos coentro selvagem e angu de fubá para juntar ao abundante sangue da carótida de D’Artagnan D’Ourinol, no prato de cabidela”.

Glenn: “What the fuckin’ you’re doing just for an Embassy, in Havana”?

Eu mudo, pálido, diante da inesperada reação, deixo Pestana falar:

– Meus caros, calma, deixem-me explicar. Nossa equipe, esquerda investigativa, esclarecedora e galhofeira, tem na pessoa do editor-geral do BRD, volúpia imensa, mantida há mais de meio século, pelo tanto que já lutou pelo regime castrista, Che, Cienfuegos, leu, estudou, escreveu, debateu e defendeu a história de Cuba, que ainda não se conforma em não conhecer a Ilha.

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– Melhor do que nós, Pestana, você administrador, sabe de nossos recursos. Veja como permanecem as cortinas da Redação.

Num canto da Redação, Everaldo, o segurança, chora. Grande (em todos os sentidos), chora, e chora mais. Volta Pestana:

– Por desejo equivocad, o editor-chefe, enternecido, agradeceu Jajá, por convidá-lo a uma embaixada em Cuba. O rei do Twitter alegou ter ouvido que os mojitos do Rui são insuperáveis, tanto quanto os hambúrgueres fritados por Eduardo, em Nova Iorque.

– Being thus and how the story should be told”, esquecido D” Artangnan D’Ourinol, você não é mais nada. Mas, enquanto pudermos, iremos massacrá-lo. Aguarde. Você, com suas ambições e missões, não chegará a lugar nenhum. Ou acredita o ‘camicia nera’, sorriso de marreco, e Gabriela Hardt, salvarem-no? Muito menos nós.

– Glenn, take it easy, I am Everaldo, and will not permit talking this way with our principal editor and friend. Agora, na minha dupla linguagem, you stupid guy, o Rui nunca fez ou soube fazer um mojito na vida. Plantou a notícia. Todos sabem ser fiel às Salineiras.

– Understand. Forty-years working with agricultural and nor CartaCapital or GGN can pay a ticket so he can go to Cuba and study the island agronomic issues.

Bem, a ideia não foi minha, mas do Glenn.