Didier Drogba no Corinthians, por Rui Daher

por Rui Daher

Noite de sábado. Redação do Blog-Boteco Rui Daher e da sucursal de “O Fígado Diário”. Penumbra. A falta de cortinas e o calor nos fazem conversar de janelas abertas, mesmo tendo que enfrentar a invasão dos pernilongos.

Nestor e Pestana estão indignados com a minha passividade diante da destruição do País.

– Porra Rui, não vê que os melhores jornalistas do País, Jânio, Nassif, Mino, a cada artigo ou fala se manifestam contra os absurdos temerosos, kinderianos, gilmardentes, moronevados, caiados e PIGmaliões? Juristas, economistas, filósofos, cientistas sociais, mesmo políticos, renomados e recheados de argumentos equilibrados se posicionam contra o anacronismo tupiniquim de hoje em dia?

– Lembrei-me dos tempos em que eu e velhos amigos da esquerda da FGV, e isso existia entre nós seis, saíamos às sextas-feiras à noite para comer feijoada no Restaurante do Papai, na Praça Júlio Mesquita, que nos servia antecipada, durante o preparo para o dia seguinte, sábado, tradicional do macunaímico manjar.

– Não desconverse.

– Papo chato o de vocês. Se o Fernando Juncal não estivesse no Rio, eu os convidaria para uma rodada no Bar do Ceará. Quem sabe o Sérgio Troncoso viesse de Santos e o poeta Romério Rômulo topasse aparecer.

Nestor, sabem vocês, não é nada respeitoso:

– Covarde!

– O cacete! Covardia não. Jurei nunca mais me pronunciar sobre esse novo ciclo de merda. É histórico. Só vocês e o Lula acharam que não voltaria. Acreditaram que como eles já estavam enchendo as burras de grana iriam permitir a continuidade da distribuição contra a acumulação. Primitivos. Não leram um cazzo de Marx, nem mesmo uma sinopse de “O Capital”.

– Não ofende. É claro que lemos. Somos jornalistas de esquerda. Como calar-se e não desmistificar os canalhas?

– Taí outro juramento. Odiar quem fica escrevendo ou discursando sobre a necessidade de a esquerda se reinventar, refundar, encontrar alternativas, juntar-se, unir-se. Tudo merda datada.

– É a moçada. Muitos têm esperanças neles.

– Como tinham em nós nas décadas de 1960 e 1970. Como tiveram nos sovietes. Na Comuna de Paris. No “Planeta dos Macacos”.

– Tá, mas pelo menos um editorialzinho.

– Pra quê? Onde? No BRD, FD, em CartaCapital, Caros Amigos, Carta Maior, blogs sujos? Mesmo neste GGN já perceberam que o assunto, em número de toques, supera milhares por centímetro quadrado? Serei mais um a falar para os mesmos e, ainda, com menor sapiência. Tô fora.

– Você tem lido tanto. Tem nos exposto teorias muito interessantes sobre o que está acontecendo no planeta. Vai perder a oportunidade de, mais uma vez, sair na frente, como o Nassif demonstrou hoje sobre artigo do André Lara Resende? Você tem repetido o mesmo seguidamente.

– E quem sou eu diante desses luminares? Se até o “Dominó de Botequim” está ameaçado de encalhe. E o Luís que me perdoe, mas perde tempo escrevendo sobre esse banqueiro colecionador de chevaux na França.

– Essa sua baixa-estima tá enchendo o saco. Não se esqueça de que, embora não nos remunere dignamente, ainda é nosso patrão.

– No vídeo, aqui incluído, com as palavras de Darcy Ribeiro no enterro de Glauber Rocha, penso que tudo está dito. Mesmo assim, Nestor e Pestana, vocês me encantam. Amo-os e prometo para a próxima semana um editorial sobre o tema. Mas será o último. Depois volto à galhofa.

– Ueba!!!

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15 comentários

  1. O FÍGADO DIÁRIO, 15/01/2017, São Paulo

    Não estranhem título e imagem nada terem a ver com o texto. Foi apenas a forma de alegrar grande parcela da população brasileira que sofre com a patetice do governo Temeroso.

  2. Questão de ordem

    1. O corintiano aqui foi no Google saber quem é Didier Drogba. Estou mais afastado do futebol do que supunha, não sei quem é, mas descobri que o  meu time está contratando alguém de 38 anos? Salário atual: 4 milhões. De euros. Vou voltar a me interessar por futebol daqui uns 20 anos;

    2. Botequins paulistas são atualmente locais insalubres. A última vez em que estive lá no Ceará rolava o assunto sobre os massacres nas prisões. Do que ouvi, concluí que o melhor a fazer é voltar lá após 2030, ou 2040;

    3. Os botequins cariocas, estes sim os autênticos, continuam locais salubres;

    4. Só a galhofa salva e redime. 

     

     

    • Fernando,

      quem sabe um estágio na Vila Belmiro, onde saem meninos que depois serão vendidos por 40 milhões. De euros. 

      Vixe, sobre os massacres nas prisões fui ouvir em Guaxupé. Imagine: um senhor, talvez advogado, argumentava contra três jovens, que diziam: tem que matar mesmo! Futuro garantido.

      Saudades do Rio e a galhofa voltou a ser o caminho.

      Abração

  3. Melancolia

    Porra Rui, você está muito melancólico. Vivemos em uma luta do Batman contra o Coringa e o Xarada há muito, mas não podemos esmorecer. A esquerda ficou 13 anos no poder. antes só conseguimos pouco mais de 3 anos e ainda assim com todo mundo batendo na gente. Antes , se falássemos sobre banqueiros ladrões e empresários safados, além de corrupção nas elites seríamos submetidos a torutras letais e ainda seríamos taxados de covardes, como tentaram fazer com o Wlado. Se você falasse que Geisel, ou Golbery eram tão corruptos quanto o Delfin Neto , seríamos entregues aos urubus. Hoje podemos não ser acatados , mas incomodamos muita gente com a denúncia de um delegado fajuto, de procuradores fajutos e de um juiz pirotécnico e outras mazelas que envolvem os amiguinhos deles, a ponto de , embora não acatados, calamos a boca da direita festiva, dos patos da indústria da imprensa venal e dos “bocós a lá canarinhos”. A esquerda sempre terá problemas com estes puxa sacos da elite, pois estes pensam que sendo capachos daqueles, conseguirão  seu respeito e dinheiro.  Quanto ao Drogba, talvez o desespero do Corinthians esteja criando um novo Mané Garrincha. Melhor seria investir em um jogador de futuro e resgatar a velha raça corinthiana. PS: Sou palmeirense.

    • Pedro, meu caro,

      suas palavras até me trazem uma pequena fresta de luz no fim do túnel, mas vai chegando uma idade em que é difícil não esmorecer, desiludir-se, viver de nossos atos do passado que iam contra tudo isso que não podíamos fazer. Mas, não nego, sua mensagem me tocou. Quem sabe ainda exista esperança em pessoas como você. Sou santista, mas lembre-se que o Seedorf deu uma ajeitada no Botafogo. Abraços.

    • Anna,

      em tempos como estes, seria exigir muito de nós mesmos. Escutemos nossas músicas, lembremos nossas histórias, usemos as ferramentas atuais para vermos shows do passado, retomemos a nossa maravilhosa literatura, beiremos o fogão e providenciemos uma galinhada caipira e, claro, durante o preparo, vamos sorvendo goles de uma cachaça lá de pertinho do Vale do Jequintinhonha, onde se sofre o que mal sabemos. Abraços.

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