Que fazer? Parte 4, por Rui Daher

Só deixaremos você sair do blog, mas em definitivo, sem volta, depois de explicar a história do encontro de Lênin com seu avô Miguel.

Banksy

Que fazer? Parte 4, por Rui Daher

– Só deixaremos você sair do blog, mas em definitivo, sem volta, depois de explicar a história do encontro de Lênin com seu avô Miguel.

– Já o fiz nos capítulos anteriores.

– Tudo errado. Fomos pesquisar com os parentes de seus ancestrais, em São José do Rio Preto, SP, tão solícitos hoje, como o foram quando você lançou seu livro na “Saraiva” da cidade.

– Talvez possa ter-me enganado em alguma coisa. Não por mal, sabem, coisa de ficcionista.

– O momento de corrigir é agora. Comece.

– Por que comigo, cacete? Hoje em dia, nas digitais, escreve-se as maiores barbaridades, em péssimo português, e tudo passa, pois no Vasco. Caem justo sobre mim, com as quatro patas (ou patos) do cavalo do Regente Insano Primeiro (RIP).

– Tá, mas e a verdade? Quem cobra é o Conselho, que do senhor Miguel, já ouviu a verdade, mas a quer teclada pelo inventor, para confirmar.

– Confessei ter, infelizmente, mal conhecido meu avô Miguel Daher, já no caixão, em São José do Rio Preto, SP. Lembro de suas feições árabes. Eu, sempre pequenino, devo tê-lo visto, ou nem isso, apenas com a testa. Mesmo assim, sei lá, seu rosto permanece nítido em mim até hoje, muito real, talvez informado por algumas fotos amarelecidas que guardo, ou por passeios pela Rua 25 de Março, em São Paulo.

– E o tal encontro com Lênin?

– Que eles se encontraram não duvidem. Ele está aí. Confirmem com ele.

– Não obtivemos a informação de seus parentes. Dele, sim. Até o Conselho Consultivo Celestial do “Dominó de Botequim”, ouviu dele, maravilhado ficou. Viraram amigos. Mas, dizem, ser um “turco” liso como quiabo, querem a confirmação do neto, cronista terreno.

– Não sou eu que estou criando a polêmica, então por quê? Dizem ser maravilhosos seus encontros. Na roda rola, além do Arak, as preferências de nosso grupo, cachaça, caipirinha, uísque, gin, cerveja, tequila, conforme os gostos de cada um. Darcy me contou que o Todo-Poderoso, até os presenteou com farto quibe assado.

– Foi mesmo. Divino, embora pleonasmo.

– Dúvida sacristã. Não apreciam vinhos?

– Sim., apenas sul-americanos. Outras procedências, caríssimos, mesmo na Estação Céu. Negócio de câmbio, sabes?

– Tem isso aí?

– Lotes aqui na Estação Céu estão pela hora da morte (desculpe, Rui, não poderia ser diferente). Vindos da Estação Inferno, não pagam, mas também nunca entram. Da Purgatório, se viveram na mesma casa com a sogra, têm cinco anos de transição permitida. Comportamento.

– Das bebidas alcoólicas não entendi bem. Todos como eu?

– Um dos componentes do Conselho Consultivo, prefere CYNAR, mas, discreto, não citarei quem. Penso que ele nos quer enganar e inventou algum destilado a 58 graus e à base de alcachofras para disfarçar.

– Pede a receita.

– Hoje, não. Disfarçando está você. E o encontro de Lênin e Miguel, em Brest-Litovski? Vai narrar?

– Mas no que, mesmo, vocês queriam a minha redenção com a verdade? Já esqueci. Ah, sim, o encontro de vovô com Lênin. Apenas algumas correções, feitas pela minha amada prima Idamar. Vamos lá.

– Errei, vovô era Miguel Abdalla Daher, e não Abrão, como era minha avó Maria Daher, pais da tia Alice, nascida na Fazenda Felicidade, e mãe de minha prima Idamar. A avó, por parte materna, tinha como país Abrão, certos, Pedro e Renjos. E nada mais digo. Nenhum de nós entendeu o Pedrão aí em meio à Síria (Damasco) ou do Líbano, como haviam me contado. Pesquisei e houve época, no entanto, em que a Síria foi, realmente, território libanês.

– Tá indo bem!

– Impostores, traidores, mal-agradecidos, não eram ninguém e muito menos são agradecidos à dimensão nacional que lhes dei.

– Tá, continue.

– Pouco importa. Da influência que vovô Miguel teve junto a Lênin, só eu sei. E esclareço, se bem pago. Texto difícil. Histórico. Habilitam-se? Então, além de ficarem sem saber “Que fazer?” TNC!

 

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