Uma luz no fim do túnel, por Rui Daher

Em cinco de abril receberei a segunda dose. Estarei nas ruas a qualquer dia que nós, véios e véias, formarem massa consciente contra o genocida.

Uma luz no fim do túnel, por Rui Daher

Dedo torto único no teclado fez-me perder texto e ideias que aqui seriam expostos neste dia.

Com denodo, reescrevo. Antes de continuar peço vênia, como um jurista paranaense, a pensar baixos calões, os piores. Não os revelarei. Eles atingem, em forma até machista, certa procuradora que usava “o 9” para gozo (opa!) de seus pares, ao mencionar o honrado estadista e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Se a dama-jurista assim pensar em meu dedo torto saberá muito bem onde colocá-lo. É hábil.   

Depois de ameaças, prisão, morte de amigos queridos, autoexílio, durante o golpe civil-militar que resultou em 21 anos de ditadura, diante de período MAIS escabroso, este de Jair Bolsonaro, sofro a pandemia em todas as suas consequências, mas também em impedir-me ir às ruas protestar.  

Renasço e me preparo através do Portal GELEDÉS, até aqui por mim desconhecido.

Leio:

“Geração 1968 de volta: idosos vacinados planejam ir às ruas contra Bolsonaro”.

Do jornalista José Trajano: “Os jovens terão que ficar em casa e torcer pelos avós”.

Zé, você que certamente, como o Juca, fã incondicional que fui do “Linha de Passe”, na ESPN, leu meu livro de crônicas “Dominó de Botequim”, conte comigo.

Como o fiz, antes de 2018, nas Paulista, Anhangabaú, Batata, quando com o amigo Juncal e meu guarda-chuvas briguei e, hoje em dia, com toda a certeza posso gritar: “Eu avisei”. Trezentos mil mortos e economia favorecendo a pobreza extrema.

Em cinco de abril receberei a segunda dose. Estarei nas ruas a qualquer dia que nós, véios e véias, formarem massa consciente contra o genocida.

Poderemos vir como “em ondas sobre o mar”. Ano após ano, depois da segunda dose, ainda que de máscaras, juntos e separados em um metro, álcool 70 nos bolsos. No meu caso, adicionarei garrafinha com álcool 55º, para evitar as emoções de tempos passados.

Lembram-se amigos e colegas de Ibiúna, UNE, FGV e USP, estilhaçando os vidros do Citibank, esquina da São João com Avenida Ipiranga? Salve Caetano Veloso.

Lembro-me de todas nossas faces lá, especialmente a sua, Birão, macunaímico eterno amigo.

Voltaremos. Como sempre, nossa luta continua!

Inté!

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