A peleja amazonense de valente sucuri contra o amedrontado escudeiro-Moro, por Sebastião Nunes

Cavaleiros do Apocalipse pararam de gemer e manquitolar, pondo-se, de boca aberta, a reparar no avermelhado céu de Brasília em chamas. O escudeiro-Moro, com o rabo entre as pernas, ria disfarçadamente

Brasília- DF 30-03-2017 Juiz Sergio Moro durante depoimento na comissão de reforma do Código de Processo Penal.o Lula Marques/Agência PT

A peleja amazonense de valente sucuri contra o amedrontado escudeiro-Moro

por Sebastião Nunes

– Valha-me Nossa Senhora! – exclamou o Saci, de olhos arregalados. – Parece que Brasília tá pegando fogo!

Os seres da mata, que alegremente comboiavam os presos, olharam e viram: de fato, lá para os lados da capital federal, uma fumaceira desinfeliz se avolumava.

Os Cavaleiros do Apocalipse, que vinham manquitolando e gemendo, pararam de gemer e manquitolar, pondo-se, de boca aberta, a reparar no avermelhado céu.

O escudeiro-Moro, com o rabo entre as pernas, ria disfarçadamente.

Os seguranças, que fechavam a fila dos condenados, resmungavam, xingavam, murmuravam e outras ações cabeludas que inventavam.

Reunidos numa clareira, deixando os criminosos sob a guarda severa da mui feroz Mula sem cabeça, os seres da mata confabulavam, espiando o céu.

– Eu sabia que a eleição do cavaleiro Messias só podia dar merda – declarou rápido e rasteiro o Curupira, virando mais ainda os pés.

– E a ideia de botar o canalha do escudeiro-Moro como ministro da justiça? – acrescentou o Caipora. – Só podia ser ideia de jerico.

– Pior foi a Dos Males, aquela estúpida analfabeta, no ministério da mulher, família e direitos humanos – continuou a Iara. – Uma mulher que só abre a boca pra falar besteira. Ô criatura mal enjambrada, sô!

– E o Guedes, então? – acrescentou o Boitatá. – Quando foi que aquele idiota entendeu de economia?

– Pois é – emendou o Boto cor-de-rosa. – Até parece que esse ministério só tem idiota, tipo o pateta do Ernesto Araújo, que virou piada internacional.

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– Acho que o cavaleiro Messias tava pensando em governar sozinho, botando tanta gente ruim ao lado dele – refletiu a Cuca. – Só pode.

DESVENTURAS DE UM FUJÃO

Enquanto os seres da mata conversavam sobre o desgoverno destemperado, o escudeiro-Moro se esgueirou e, num vapt-vupt, sumiu no mato.

Sem se importar que os outros gemiam e xingavam, ele roeu, com seus dentes de rato de esgoto, os cipós que o manietavam.

E tanto roeu que livrou as patas, digo, as mãos. E, num salto, sumiu no mato.
No que se escafedeu foi dar num igarapé, na margem do qual dava bobeira uma canoa desenjambrada, com um remo de cada lado.

Quase sem acreditar na sorte, olhou para um lado, olhou para o outro e, não vendo ninguém, saltou para a canoa e, meio no desespero, pôs-se a remar e a se afastar das margens e dos ramos que ameaçavam segurá-lo.

Para quê? Mal remou alguns metros quando viu surgir diante dele, saída não se sabe de onde, enorme sucuri, de boca aberta e dentes amedrontadores.

Em pânico, o escudeiro-Moro começou a berrar, tentando voltar.

Os seres da mata ouviram a gritaria e partiram às pressas na direção dos gritos.
Indeciso entre vistoriar a fumaceira no distante céu de Brasília e o berreiro ali pertinho, o Saci preferiu assuntar o que se passava quase debaixo do seu nariz.

BRASÍLIA VAI PEGAR FOGO?

Chegando, viu que os seres da mata estavam aglomerados na beira do igarapé, numa torcida adoidada, pulando e gesticulando.

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Pois sucedia que, de dentro d’água, a sucuri ameaçava atacar o escudeiro-Moro que se defendia com os remos, aplicando pauladas inócuas na cabeça da cobra, que nem se desviava dos golpes, os grandes olhos amarelos fixos no suculento ajantarado.

Como a fome fala mais alto, a sucuri enrolou-se no escudeiro-Moro e preparava-se para esmagar-lhe os ossos antes de o engolir, quando o Saci assobiou.

Imediatamente a gigantesca cobra largou a vítima e mergulhou.
Tremendo, o escudeiro-Moro cambaleou e caiu desacordado dentro da canoa.
Os seres da mata, transportando o apagado escudeiro-Moro, voltaram para a clareira e ficaram olhando na direção da capital, onde a fumaça e o clarão avermelhado só aumentavam.
Então viram que, destacando-se da fumaceira, flutuava no céu uma cópia fiel do escudeiro-Moro, aquele mesmo condenado que ali jazia apagado que nem morto.
Enfeitado com enorme nariz de madeira do qual várias folhas brotavam, flutuava cercado pelos quatro Cavaleiros do Apocalipse, um juiz do STF e um procurador de Curitiba, todos de nariz avermelhado e com idênticas folhas brotando.

“Vaidade, vaidade”, murmurou o Saci, reparando nos personagens e no tamanho de seus narizes, “quantos crimes se perpetuam em seu nome”.

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