Jornalistas apoiam Nassif e o GGN

Jornalistas se unem em apoio a Luis Nassif e Jornal GGN, contribuindo com a luta e com o esforço de sobrevivência da mídia independente.

As liberdades de expressão e de imprensa

precisam ser respeitadas também pela Justiça!

Vivemos tempos sombrios. Sucedem-se ameaças à vida, à democracia e aos direitos dos brasileiros. No cenário de caos instaurado pelo governo de Jair Bolsonaro, jornalistas e comunicadores em todo o país têm sofrido um número crescente de ataques, tornando ainda mais difícil e perigosa a realização de uma atividade fundamental para a democracia.

Em seu relatório anual, publicado no final de janeiro, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) classifica o ano de 2020 como o mais violento para os jornalistas brasileiros desde o início da série histórica dos registros dos ataques à liberdade de imprensa feitos pela entidade, nos anos 1990.

Não é para menos. Ao longo de 2020, foram registrados impressionantes 428 episódios de ataques a jornalistas. Houve um aumento de mais de 105% em relação ao ano anterior. Pelo segundo ano consecutivo, o próprio presidente Jair Bolsonaro foi o principal agressor. Sozinho, ele foi responsável por 40,89% do total de casos (175).

Como se não bastasse o cenário hostil para o fazer jornalístico, a ofensiva antidemocrática contra o jornalismo tem se sofisticado. Prova disso é o fato de que o Poder Judiciário tem sido utilizado, cada vez mais, para perseguir e intimidar jornalistas, especialmente aqueles que dedicam suas pautas à cobertura das repetidas violações de direitos humanos em todo o país e de escândalos de corrupção.

Ainda segundo o relatório da FENAJ, só em 2020 foram 16 casos de cerceamento da liberdade de expressão por meio de ações judiciais. Entre eles, Luís Nassif, vítima de uma verdadeira asfixia financeira por decisões judiciais. 

Contudo, Nassif não é o único. O fato de que há muitos outros jornalistas e veículos jornalísticos calados pelo Judiciário torna urgente uma ampla discussão sobre liberdade de expressão, de imprensa e de opinião no país, envolvendo o Poder Judiciário, jornalistas e toda a sociedade.

A cultura da punição às manifestações do pensamento em nosso país, presente na sociedade e entre os próprios integrantes da magistratura, choca-se com a Constituição, que proíbe a censura prévia e que privilegia a liberdade de expressão e de imprensa. 

É preciso um debate que desça aos detalhes de casos específicos, que identifique os abusos, que relembre as tradições e lutas pelas liberdades – no Brasil e no mundo -, que ilumine as manifestações do autoritarismo. E que conte com a participação dos próprios magistrados e demais operadores do Direito. Só assim poderemos enfrentar a cultura do autoritarismo.

Ao mesmo tempo, é preciso continuar protestando e apontando os desmandos. 

Diante disso, nós, jornalistas, estudantes de jornalismo e representantes de organizações de jornalistas e do jornalismo brasileiro, manifestamos apoio irrestrito à defesa de Luís Nassif, assim como a todos os(as) jornalistas e comunicadores(as) brasileiros(as) vítimas do assédio judicial.

Considerando tudo isso, em conversa realizada por um grupo de jornalistas que participa do movimento Amigos e Amigas do Nassif, nos comprometemos a:

  1. Fazer um levantamento do maior número possível de casos de assédio judicial contra jornalistas e comunicadores e a atualizar os casos já conhecidos, como os de Luís Nassif, Elvira Lobato e J.P. Cuenca, entre outros;
  • Levar estes casos para redes nacionais que, de alguma forma, atuam com temas ligados à liberdade de expressão, como a Coalizão Direitos na Rede e a Rede Nacional de Proteção a Jornalistas e Comunicadores;
  • Levar estes casos para organismos internacionais, como para as Relatorias Especiais para Liberdade de Expressão da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização dos Estados Americanos (OEA);
  • Convidar as organizações dos jornalistas e as associações que lutem pela liberdade, assim como os próprios jornalistas, a integrar o movimento Jornalistas contra o Assédio Judicial, com o objetivo de fortalecer as iniciativas já tomadas e estudar novas alternativas de ação.

São Paulo, 10 de fevereiro de 2021

Assinam esta manifestação:

Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Instituto Vladimir Herzog

Associação Profissão Jornalista (APJor)

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

VIGÍLIA PELA VIDA E PELA LIBERDADE

Setores da sociedade civil se juntaram em defesa da vida e da liberdade e em apoio a Luis Nassif. O caso de Nassif é um exemplo do que acontece hoje no país, com perseguições e sufocamentos para que a vida seja colocada em segundo plano e a liberdade seja só um sonho distante. Unidos, esses setores criaram um manifesto, uma vigília constante, para que tais preceitos não se percam de nós, brasileiros.

Assine o manifesto e divulgue, para que todos possamos lutar a boa luta. Clique AQUI

JORNAL GGN: FINANCIAMENTO EMERGENCIAL

E, lutando contra a perseguição jurídica e disposto a se manter atuante, o Jornal GGN lança uma campanha emergencial para fazer frente às dificuldades enfrentadas. Uma ajuda de seis meses para levantar o site, que sofreu com ataques hackers, e modernizar a estrutura, uma forma de prosseguir atuante e na luta. A campanha dura seis meses e sua contribuição é muito importante para o GGN.

CLIQUE AQUI PARA SE JUNTAR A NÓS: FINANCIAMENTO COLETIVO

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora