Civis e militares: somos todos reféns de um miliciano bestial, por Eduardo Ramos

É um preço muito alto, jogar as fardas nos rios de esgoto do bolsonarismo, por um gostinho de poder e um tostões a mais, enquanto vamos virando cada vez mais motivo de espanto, compaixão e desprezo aos olhos de todo o mundo civilizado.

Fernando Frazão/Agencia Brasil

Civis e militares: somos todos reféns de um miliciano bestial

por Eduardo Ramos

Há um ditado popular, que no Brasil de hoje perde o seu tom de humor, que diz que “às vezes o mundo não gira, ele capota”. É o presente caso de nossa trágica nação, tornada, toda ela, REFÉM de um ser bestial, a quem inacreditavelmente entregaram de bandeja o cargo de presidente da República, e que segue se comportando como aquilo que sempre foi, aquilo que sempre será: um MILICIANO violento, agressivo, desprovido de civilidade, empatia e traços de humanidade, e que impõe pela força a sua vontade a todos que estiverem ao alcance do seu poder.

Apesar de no título ressaltarmos que somos todos reféns do presidente-miliciano, cabe a ressalva que OS MILITARES SÃO RESPONSÁVEIS E CÚMPLICES de todo o horror vivido por nós, brasileiros, num triste paradoxo: parte do alto comando participou diretamente da condução de Bolsonaro à presidência, milhares de militares participam da festa de cargos e lucros, e ao mesmo tempo, cegos, toscos, sem dimensão da pequenez que os devora, são reféns da CUMPLICIDADE ÓBVIA que os une a todos os crimes, selvagerias, corrupções, leviandades, estultícias, cometidos por Bolsonaro, sua família, seus ministros e os senadores e os deputados que venderam a alma ao diabo para servir ao governo genocida.

É um preço muito alto, jogar as fardas nos rios de esgoto do bolsonarismo, por um gostinho de poder e um tostões a mais, enquanto vamos virando cada vez mais motivo de espanto, compaixão e desprezo aos olhos de todo o mundo civilizado.

O que esperavam os militares brasileiros ao servirem a um miliciano notório, toda a sua vida envolvida em demência, agressividade, intolerância, incapacidade total de qualquer fala ou ação civilizadas?!?

Vivemos então o pior dos pesadelos. Bolsonaro fala o que quer, faz o que quer, porque tem os militares no bolso, deputados e senadores idem, e um Judiciário omisso, acovardado, acuado por medo de uma reação dos militares, que por sua vez, se dividem entre os que apoiam o genocida abertamente, e os que se calam, talvez confusos e perplexos, sem saber o que fazer. Enquanto isso, nós, cidadãos, tentamos desesperadamente sobreviver, aguardar a vacina, um desespero imenso enquanto morrem dois, três mil de nós todos os dias, numa roleta russa perversa, macabra, desumana… torcendo, para que não seja um familiar nosso o próximo da estatística.

Bolsonaro “toca o Brasil” como quem toca o “escritório do crime”. Se ajeitou com o centrão, pagando o que quiseram, a maior escória de congressistas da História do país, pessoas que colocam a ganância acima das centenas de milhares de cadáveres, evitáveis se um impeachment tivesse ocorrido há alguns meses, por motivos amplamente justificáveis.

Debocha dos militares cada vez mais, mostrando quem de fato manda “no escritório”, seus filhos chamam de “vagabundo(a)” a quem querem, onde querem, seguindo o exemplo do pai, índios chacinados, favelados, chacinados, em uma ação articulada diretamente pelo presidente com o governador do Rio, EXATAMENTE COMO FAZ UM CHEFE DE MILÍCIA, e, na verdade, ninguém faz nada!…

Até a nossa imprensa, tão pródiga em eleger articulistas para ofenderem Lula, Dilma, seus familiares, da forma mais odiosa e abjeta, se cala, tratando com termos inofensivos à corja bolsonarista. A grande mídia é cúmplice direta de tudo o que estamos passando.

Estamos entregues! Hoje, não consigo ter esperança alguma! Os militares não deporão o miliciano, a mídia não o atacará com a força necessária a criar uma comoção nacional, a esquerda – se certa ou errada, confesso que não sei… – parece esperar, conformada, a distante eleição de 2022, e o Judiciário claudica, afinal, não se trata de indefesos petistas, é um miliciano ancorado pelas Forças armadas.

Somos todos reféns, um país refém de um miliciano bestial!

(eduardo ramos)

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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3 comentários

  1. Os milicos nunca gostaram de sua farda.Quando a usam ofazem por mera obrigação ou,na maioria das vezes,para a mais clara intimidação.
    Jogar as fardas no esgoto não é novidade,é um hábito.
    O sujeito que ocupa a presidência da república não manipula esses milicos,temos de entender isso,ele os representa. A caserna não poderia escolher alguém mais representativo do que ele.
    Pior que isso,ele representa uma parte da população que foi adestrada e apodrecida na ditadura militar,daí esse séquito que ainda o apoia.
    Esperança? Ela existe! Agora,para ela tornar-se realidade,teremos de tapar o nariz,fechar os olhos e tapar os ouvidos para tentar impedir que essa escumalha armada continue a destruir nosso país e nossa democracia.

  2. Nassif: tenho prá mim o Eduardo nesta equivocou-se. Pintar o capitãojagunço com tais tintas apenas se aproxima do que ele representa na sordidez do Partido Militar. Arriscaria dizer que, na verdade, o Pais é quem está refém de uma Arma conspiradora, à despeito de dizer-se defensora da Nação. São as baionetas dos quartéis, são os voos rasantes de possantes aeronaves sobre o STF, é a impunidade de um dos seus pares, quando na ativa sobe no Palanque dum presidenteverdugo, são estes os reais instituidores do pânico, do temor, da coação ao Povo desarmado de fuzis e de discurso, já que seu Parlamento, com as exceções que a regra comporta, mais parece um antro de fazer inveja a Ali Babá. Assim, antes de atribuir ao mandatário atos desabonadores da Ética, da Política e sobretudo da Moral devemos lembrar que ele não é causa, mas reles consequência de instintos político-militar reprimidos desde 1988 e animalescamente despertados a partir de 2002, quando começaram urdir a manobra eleitoral, consolidando um golpe secular, preparado desde novembro de 1889. Pois, goste você ou não, a bala tem sempre razão…

  3. Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN, mas expressa a minha opinião, obviamente , com muito mais cultura, conhecimento, mas expressa e como expressa…

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