Dos dias do trabalhador e dos dias dos sem trabalho, por Eduardo Ramos

Deveria ser a data universal da luta pela conscientização dos trabalhadores, a retomada do espírito guerreiro e indomável, corajoso e consciente de alguns sindicatos do passado.

foto Daniela Catisti

Dos dias do trabalhador e dos dias dos sem trabalho

por Eduardo Ramos

Gosto que exista um dia homenageando essa classe específica, o trabalhador. Não pelo que se tem feito nos últimos anos, os sindicatos em geral, na minha opinião, sendo mal geridos alguns – apesar de líderes bem intencionados – ou elegendo gente canalha como Paulinho da Força e outros pelegos, que enterram os trabalhadores na alienação do que seriam capazes.

Gosto dessa data pelo que ela lembra, representa e acima de qualquer outro motivo, por sua IMENSA POTENCIALIDADE!

Deveria ser a data universal da luta pela conscientização dos trabalhadores, a retomada do espírito guerreiro e indomável, corajoso e consciente de alguns sindicatos do passado.

Nosso líder mais representativo, o presidente mais celebrado do Brasil em todo o mundo, nasceu das lutas sindicais. Lembro comovido, orgulhoso daquele tempo, de um Lula capaz de enfrentar uma ditadura militar, uma mídia contrária, e patrões do porte das indústrias automobilísticas, naquele final de década de 70 e início dos anos 80. Quem leu os artigos do André Araújo no GGN, o representante dessas indústrias nas mesas de negociação com os operários das fábricas, falando sobre as qualidades de Lula desde aquelas ocasiões, compreende melhor porque ninguém mais do que ele era talhado para ser o presidente da união nacional, o presidente que, sem odiar os patrões, via-lhes a ganância exacerbada, as injustiças contra os trabalhadores, e por estes brigava no campo das ideias, das propostas concretas, objetivas, viáveis. Disse o articulista que desde aquele tempo a capacidade de levar o diálogo às últimas consequências como arma de conciliação já fazia de Lula um líder memorável. E que ele sempre respeitou Lula por isso.

Algum elogio pode ser melhor e mais imparcial do que quem se sentou na mesa com alguém na condição de seu adversário nas negociações?

Foi portanto, de uma classe trabalhadora aguerrida, capaz de enfrentar uma ditadura militar, que nasceram sindicatos fortes e um líder que viria a mudar a face do nosso país por alguns anos – e nos mostrando, aí sim, de modo perene, que não precisávamos e não precisamos ser o país da miséria, da fome, das degradações pertinentes a um Haiti – tragédia provocada por nossas oligarquias desumanas, pérfidas, gente em sua maioria sem civilidade ou humanidade, perdidas em seus narcisismos doentios e apodrecidos existencialmente.

Primeiro de maio deveria ser essa data em que esse tipo de sindicato, esse tipo de luta, esse tipo de líder fossem lembrados, estudados, estimulados a renascerem! Deveria ser o dia em os verdadeiros e poucos remanescentes do verdadeiro espírito sindicalista se reunissem sobre os escombros do que sobrou do passado e, mesmo contra todo o poderio do inimigo, se dessem as mãos, unindo corações e mentes em torno de um propósito: fazer renascer como uma Fênix destemida os sindicatos fortes, com trabalhadores conscientes e dispostos à luta.

Num mundo em que sindicatos foram esvaziados pelo liberalismo da dupla amaldiçoada Tatcher-Reagan, a primeira tarefa é essa: renascer!

Por fim, explico o título do artigo: vem da constatação trágica, que a cada dia, nesse país pós golpe, os dias de um trabalhador mais se aproximam dos dias das pessoas sem trabalho, as que vivem de bico. Ganho irrisório, trabalho estafante, ausência de direitos, e uma exploração medonha pelos patrões, a vida muito mais próxima da miséria em que viviam os escravos do que da vida prometida pelo capitalismo cínico ao que eles chamam de “classe trabalhadora”. As aprovações das novas leis tanto no âmbito do trabalho quanto no âmbito da Previdência retiraram direitos sagrados e necessários do nosso povo trabalhador. Poupados, os de sempre: juízes, militares, políticos, etc., justamente os que ganham salários nababescos e que, tirando os ricos, são os que melhor vivem em nossos país.

Que o PT, acima de qualquer outro partido político brasileiro, seja capaz desse olhar para trás e ver as suas origens, nesse sentido específico de perceber que sua origem é a verdadeira força sindical, e que lutar por sindicatos fortes tem que ser um alvo PRIORITÁRIO.

que seja, enfim, uma data de reflexão e ações iniciais, mas firmes, nesse propósito de unir mais uma vez em sindicatos com voz, consciência e força, essa data tão gloriosa: o dia do trabalhador!

(eduardo ramos)

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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