Fantástico revela morde-assopra da Globo alinhado à psyop necropolítica militar, por Wilson Ferreira

Atrás desse “morde-assopra” esconde-se o momento atual da escalada militar até entre as potências centrais do Capitalismo: o Grande Reset Global que promove a necropolítica e o necrocapitalismo para eliminar o refugo social – aqueles que nem para serem explorados servirão.

Fantástico revela morde-assopra da Globo alinhado à psyop necropolítica militar

por Wilson Ferreira

O final do domingo mais uma vez revelou, no programa de maior audiência da Globo, o Fantástico, a estratégia morde-assopra da grande mídia em estreita parceria com a psy-op militar. De novo, o experiente jornalista Álvaro Pereira Jr. foi convocado: dessa vez contra a China – em programa anterior foi a Rússia e a “pouco transparente” vacina Sputnik V. A matéria dá uma mãozinha à conspiração de que a Covid-19 “escapou de um laboratório na China”, com direito a personagem macabro: a “mulher morcego”. Efeito metonímico: o reforço do “hoax” da guerra bacteriológica comunista. Certamente Trump e Bolsonaro compartilhariam nas suas redes sociais a matéria global. Cadê o discurso da “Ciência” e do “mais vacinas, sem ideologia”? Atrás desse “morde-assopra” esconde-se o momento atual da escalada militar até entre as potências centrais do Capitalismo: o Grande Reset Global que promove a necropolítica e o necrocapitalismo para eliminar o refugo social – aqueles que nem para serem explorados servirão.

Até aqui a linha editorial da grande mídia, e em particular da Globo (emissora supostamente oposicionista e alvo do ódio bolsominion com o “#GloboLixo”), vem repetindo a afirmação de que pouco importa especular sobre a origem da Covid-19: essa obsessão só alimentaria teorias conspiratórias e polarizações – o que importa mesmo é a vacina, seja de onde vier. Viva a Ciência e nada de ideologias.

Porém, o programa Fantástico desse último domingo mais uma vez fez o experiente jornalista Álvaro Pereira Jr. pagar mais um mico. Há algumas semanas, no mesmo programa, o jornalista foi até a fábrica que produz a vacina Sputnik V, na Rússia, para forçar uma situação e “dar pernas” a uma não-notícia: junto com seu cinegrafista forçou a entrada no laboratório. Por razões óbvias, a segurança não permitiu. 

Forçou um desfecho previsível para comprovar a pauta pré-estabelecida nos aquários das redações da amissora: russos não são confiáveis, não são transparentes, querem sempre esconder algo… Conclusão implícita: o veto da Anvisa contra a Sputnik naquela mesma semana teria, portanto, todo sentido. 

E no Fantástico de 06/06/2021, dessa vez o alvo foi a vez dos chineses. “O tema voltou a atrair as atenções: qual é a origem do vírus que causa a Covid-19?”, abre com tom incisivo o apresentador Tadeu Schmidt… A sentença genérica e indeterminada (atraiu as atenções de quem?) já é sintomática do que está por vir.

As opções de respostas dada pelo apresentador foram as mais sensacionalistas que fariam vibrar um teórico da conspiração QAnon: “contato de um animal infectado e um ser humano? Ou um acidente dentro de um laboratório na CHINA?”, abre a matéria na qual Pereira Jr. conversa com “cientistas do Brasil e do Exterior”.

O solerte repórter adverte que a matéria “não se trata de teorias conspiratórias malucas como as de Trump e de outros políticos que o seguem (Bolsonaro não é citado)… se trata de Ciência… a gente vai falar, VEJA BEM, da POSSIBILIDADE do vírus da Covid ter escapado de um laboratório…”. 

Mas o que vemos adiante são ilações e especulações que seguem o mesmo modus operandi das “teorias conspiratórias” de Trump e Bolsonaro.

A matéria carrega nos recursos retóricos e semióticos: se no plano verbal, tudo é “possibilidade”, no campo retórico-semiótico é certeza: começa falando da “MULHER MORCEGO”, a cientista Shi Zheng estudiosa sobre vírus de morcegos. Repete diversas vezes uma mesma foto da cientista com codinome tão bizarro: ela num traje de proteção dando um aspecto alienígena à figura de apelido assustador.

Numa ilação ainda mais especulativa, fala em “conflito de interesse” envolvendo a equipe da OMS que foi investigar o laboratório da Dra. Shi Zhenj (Instituto de Virologia de Wuhan) e que concluiu que o escape de vírus do laboratório era altamente improvável. E, novamente, o modus operandi de dar pernas a não-notícias: “contatados pelo Fantástico, nenhum dos membros da equipe da OMS foi autorizado ou aceitou dar entrevista…”. Tudo sob um tema instrumental de thrillers de mistério…

Morde-assopra e posicionamento no mercado de notícias

É comovedora a “inocência” de Álvaro Pereira Jr. de que investigadores da OMS irão conceder entrevista ao bel-prazer da grande mídia de um país cujo governo é notório oposicionista das medidas da organização de saúde. Questões geopolíticas. Mas, claro, a Globo está ao lado da “Ciência” sem “viés político”.

Assim como a incensada estrela da CPI da Pandemia (ou será do Genocídio?), a infectologista Luana Araújo, bolsonarista que numa clara estratégia de reposicionamento de discurso para ganhar a atenção das câmeras (assim como o influencer Felipe Neto, preocupado com baits e engajamento), criticou o tratamento precoce como “delirante, vanguarda da estupidez” – impressionante como as platitudes metodológicas ditas pela articulada dra. Luana soaram como pérolas de sabedoria. Também pudera: na atmosfera tão obscurantista que sufoca Brasília, é muito fácil tornar-se um sábio…  

Como este Cinegnose vem observando desde o início desses tempos bicudos, a Globo adota uma estratégia de morde-assopra, principalmente desde que a CNN Brasil iniciou suas operações. 

Na verdade, uma estratégia de posicionamento no mercado de notícias: enquanto a CNN cria simulacros de debates “democráticos” (na verdade ringues de luta no qual um incauto convidado enfrenta luminares da emissora como Caio Copolla e Alexandre Garcia) para encobrir sua vocação “chapa-branca”, a Globo (e, em particular, o canal fechado Globo News) cria a imagem de intocável oposicionista de Bolsonaro.

Morde-assopra e guerra semiótica criptografada

O jornalismo da Globo  participa intimamente da guerra semiótica criptografada de embaralhamento das informações. Em última instância, dá uma luxuosa ajuda às psyops militares.

Jogo proposital de contradições para criar dissonância cognitiva e desinformação. Defende máscaras e distanciamento/isolamento social. Mas silencia diante das imagens diárias de transporte público lotado, enquanto estigmatiza o lazer dos pobres como “pancadões” e praias populares. 

Faz tímidas observações diante das imagens da elite aglomerando nas ruas da cidade turística de Campos de Jordão, mas é implacável com as ruas de comércio popular no Centro de São Paulo cheias, nas quais “empreendedores” tentam sobreviver a tudo.

Apoia acriticamente a estratégia “semafórica” de mudanças de cores sucessivas das fases de contenção da pandemia (o “abre e fecha”) dos governos estaduais e condena comércio que abre ilegalmente – como se alguém conseguisse entender a biruta de aeroporto das estratégias sanitárias.

Condena a ausência de vacinas, mas fala pomposamente em “Programa Nacional de Vacinação” (PNI) – dando destaque a drive-thrus e pessoas sortudas mostrando para a câmera o certificado de vacinação… em caprichadas matérias motivacionais com trilha musical inspiradoras.

E exibe uma matéria no programa de maior audiência da emissora que, tranquilamente, seria compartilhada por Trump e Bolsonaro em seus perfis nas redes sociais. Apesar de repórteres e apresentadores repetirem o mantra diário “que venham as vacinas!” e defenderem a “Ciência” contra as “teorias conspiratórias”.

Grande mídia está perfeitamente integrada nesse jogo perverso de embaralhamento e dissonâncias que começa com o próprio governo diante do qual simula fazer oposição: enquanto o ministro da saúde defende máscaras e distanciamento, o presidente aglomera sem máscara em eventos anti-democracia; “escritórios paralelos” infiltram kits de tratamento precoce no SUS, enquanto criam PNI com cronogramas confusos, com novos “grupos prioritários” que surgem da noite para o dia, exigindo pré-cadastramento em aplicativos tecnologicamente instáveis…

Continue lendo no Cinegnose.

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