Le Monde diz que Lula está apegado aos “anos dourados” e vitória contra Bolsonaro seria “incerta”

"Confiante em si e no seu carisma, a tribuna de esquerda avança sem se preocupar com nenhum programa ou propostas concretas, contentando-se em invocar a memória dos anos dourados", diz jornal francês

Do Le Monde

No Brasil, desfecho incerto à vista para o duelo entre Bolsonaro e Lula na eleição presidencial de 2022

Considere isso feito. Jair Bolsonaro já teria perdido o jogo. As pesquisas o mostram em queda livre: três em cada cinco brasileiros desaprovam sua ação (15 pontos a mais do que no início do ano) e a maioria pede agora sua demissão. Se as eleições fossem hoje, o atual chefe de Estado seria varrido pelo ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, vencendo praticamente no primeiro turno.

Retorno sagrado à cena para esta infatigável fênix política. Até recentemente, ninguém ousava apostar a sério em Lula, desacreditado, humilhado, condenado na Justiça e que passou 580 longos dias atrás das grades, entre 2018 e 2019. Libertado, Lula finalmente viu todas as suas condenações anuladas pelo Tribunal, em março passado, recuperando assim seus direitos políticos. Com, no visor, a eleição presidencial de outubro de 2022.

Já em campanha, Lula trabalha para aproximar a esquerda e seduzir o centro, com uma estratégia clara: ser o “Joe Biden do Brasil”. O ex-metalúrgico tomou a derrota de Donald Trump como modelo. Ele sonha em ser um grande reconstrutor de uma nação brasileira em ruínas, um pacificador, benevolente, unificador, protetor, “avô dos povos”. Lula não hesita em lembrar que em 2022 fará 77 anos, a mesma idade de Joe Biden em sua campanha vitoriosa. O mundo pertence aos septuagenários.

onfiante em si e no seu carisma, a tribuna de esquerda avança sem se preocupar com nenhum programa ou propostas concretas, contentando-se em invocar a memória dos anos dourados que foram os seus dois mandatos (2003-2011), que viveram 40 milhões. Os brasileiros saem da pobreza e o país atinge o auge de sua popularidade. “Eu não preciso fazer nenhuma promessa. Já fiz a diferença neste país” , confidenciou recentemente Lula ao diário britânico The Guardian.

Então, tudo já estaria acabado? A eleição já está encerrada? O parêntese de Jair Bolsonaro já fechou? Para muitos na esquerda, o atual líder da extrema direita seria apenas um acidente na história, rapidamente derrotado e rapidamente esquecido. A fruta podre imploraria para cair. Na verdade, é muito pouco [provável] conhecendo o Brasil contemporâneo. E subestima seriamente seu presidente.

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