Os ingredientes estão dados, só falta o fermento, por Francisco Celso Calmon

Creio que o movimento de rua chegou para ficar até o genocida do planalto ser defenestrado pelo impeachment ou pela eleição.

Os ingredientes estão dados, só falta o fermento

por Francisco Celso Calmon

O impeachment é uma sentença política e prescinde de ter ou não crime de responsabilidade. É o que a história recente nos atesta. Entretanto, no caso do presidente genocida, há fartura de pedidos e provas que o incriminam indelevelmente, não por um, mas por vários delitos.

A CPI deve apontar, senão diretamente, indiretamente alguns deles.

O processo de impedimento só é aberto quando as pesquisas e as ruas demonstram essa vontade.

As ruas começaram no dia 29 de maio de 2021 a mostrar que não suportam mais o governo bolsonarista. Mesmo no meio de uma grave pandemia, os manifestantes optaram por correr o risco do vírus a continuar imobilizados suportando o verme genocida instalado fraudulentamente na presidência da nação.

Contudo, quando o Congresso é predominantemente conservador e reacionário, as ruas devem gritar em uníssonos para parlamentares moucos auscultarem os clamores da sociedade, mortificada por quase meio milhão de entes queridos, irmãos brasileiros, muitos sem emprego e chão até para enterrarem dignamente seus mortos, por responsabilidade dolosa de uma política governamental negacionista e favorável ao coronavírus. 

As pesquisas já mostram o declínio de aprovação do governo bolsonarista, e no confronto Lula x Bolsonaro a vantagem do Luiz Inácio Lula da Silva é crescentemente superior, ao ponto de analistas preverem a sua vitória até mesmo no primeiro turno. É cedo ainda para tanto!

O pêndulo no Congresso é o chamado Centrão, fisiológico e oportunista por natureza, que entre afundar junto com o governo, por trinta dinheiros, e salvar-se nas próximas eleições e no provável governo de centro-esquerda, deve dividir-se e a parte menos raivosa vir em apoio a nova maré que está surgindo em alvíssaras para o Brasil.

Estive presente ontem nas manifestações, que ocorreram em parte do mundo e em todo o Brasil, independente da Globo e aliados manipuladores. Aliás, de passagem, esperar algum apoio da mídia golpista é o mesmo que esperar a conversão do diabo.

Creio que o movimento de rua chegou para ficar até o genocida do planalto ser defenestrado pelo impeachment ou pela eleição.

Toda manifestação política deve ter como saldo a elevação da organização e da consciência do povo; que seja cada maior este saldo, a fim de sermos protagonistas deste devir histórico.

 Dia 26 de junho a minha geração de 68 estará nas ruas lembrando a manifestação histórica dos 100 mil, ocorrida no Rio, nessa mesma data no ano de 1968, na qual estive partricipante.

Minha geração aprendeu que a luta é imanente à vida e a sobrevivência uma contingência. Portanto, lutar permanentemente pelas ideias e ideais é parte da razão de viver.

Somos poucos, fisicamente nem tão rijos como outrora, contudo, ideologicamente firmes como as rochas.  E na certeza de que estamos como ontem no lado certo da história, sabemos que contaremos com as gerações posteriores a engrossar nossos determinados cordões.

Ingredientes: insuportabilidade da ruína socioeconômica + ruas + CPI + pesquisas + Lula em ascensão + Centrão dividido + ventos internacionais favoráveis = condições subjetivas e objetivas aderentes ao impeachment.

O que falta é o fermento.

Há sinais de que uma articulação ampla está sendo costurada para tratar da travessia até a recomposição do Estado democrático de direito.

Vai pender para onde essa articulação?

Aí entra o que é pregado há muito tempo e agora imprescindível, se não quisermos ficar com a responsabilidade política e histórica de um pacto à direita, que é uma Frente de esquerda para participar unida nessa concertação.  Não só para essa travessia, outrossim para ulteriores avanços na construção de uma democracia de raiz.

O tempo é curto para o processo de impedimento, mas a necessidade não se resume a impedir a continuação do governo Bolsonaro, mas de que haja punição com perdas dos direitos políticos dos responsáveis, para que o Brasil sepulte e impeça outra aventura nazifascista.

Aguardar até a eleição é assistir a impunidade perdurar, é ser indiferente, na prática, a situação dramática do povo, é prolongar a usurpação do patrimônio do país e de sua decadente respeitabilidade internacional.

Francisco Celso Calmon, ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça, e membro da coordenação do canal pororoca.

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

1 comentário

  1. Muito bom! E todos esses ingredientes levados a uma panela de pressão que é a pandemia descontrolada e alimentada pelo governo genocida, cuja única lógica é tratar o povo como gado, normalizando a morticidade para imunização do rebanho.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome