IPCA fecha julho em seu maior patamar mensal desde 2002

Inflação oficial chegou a 0,96%, puxado pelo aumento de preços da energia elétrica; total em 12 meses chega a 8,99%

Foto: Reprodução

Jornal GGN – A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou o mês de julho em alta de 0,96%, maior resultado para o mês desde 2002, quando o percentual chegou a 1,19%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com isso, o indicador acumula alta de 4,76% no ano e de 8,99% nos últimos 12 meses, ficando acima do acumulado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,35%). Em julho de 2020, a taxa mensal foi de 0,36%.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em julho, sendo que a maior variação (3,10%) e o maior impacto (0,48 p.p.) vieram da habitação com a alta da energia elétrica (7,88%), que acelerou em relação ao mês anterior (1,95%) e registrou o maior impacto individual no índice (0,35 p.p.). O resultado é consequência dos reajustes tarifários de 11,38% em São Paulo, de 8,97% em Curitiba (11,34%), e de 9,08% em uma das concessionárias de Porto Alegre (8,02%).

A segunda maior contribuição (0,32 p.p.) veio dos transportes (1,52%), puxados pelas passagens aéreas, cujos preços subiram 35,22% depois da queda 5,57% em junho. Os preços dos combustíveis (1,24%) também aceleraram em relação a junho (0,87%).

De acordo com o IBGE, o grupo alimentos e bebidas (0,60% e 0,13 p.p.) também ficou acima do registrado em junho (0,43%). A alimentação no domicílio passou de 0,33% para 0,78% em julho, por conta das altas do tomate (18,65%), do frango em pedaços (4,28%), do leite longa vida (3,71%) e das carnes (0,77%). No lado das quedas, destacam-se a cebola (-13,51%) batata-inglesa (-12,03%), e o arroz (-2,35%).

Por outro lado, a alimentação fora do domicílio (0,14%) desacelerou em relação a junho (0,66%), influenciada pelo lanche (0,16%) e a refeição (0,04%), cujos preços haviam subido 0,24% e 0,85% no mês anterior, respectivamente.

O único grupo que perdeu força foi saúde e cuidados pessoais (-0,65%), por conta da redução dos preços dos planos de saúde (-1,36% e -0,05 p.p.). Em julho, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou um reajuste negativo de -8,19% em função da diminuição da utilização de serviços de saúde suplementar durante a pandemia.

Na análise regional, todas as áreas apresentaram inflação, sendo que o maior índice foi registrado na região metropolitana de Curitiba (1,60%), e o menor resultado ocorreu em Aracaju (0,53%).

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