OCDE coloca inflação brasileira como uma das maiores do mundo

Variação global de preços atingiu seu maior patamar desde 1988; país só está atrás da Turquia, Argentina e Rússia

A inflação registrada no Brasil é uma das mais elevadas do mundo, mesmo tendo apresentado recuo, segundo relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A variação média do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) entre os países do G20 passou de 8,5% registrados em abril para 8,8% em maio de 2022. Contudo, a variação acumulada no Brasil em 12 meses atingiu 11,7% em maio.

A variação média da inflação entre os países que integram a OCDE chegou a 9,6% em maio, o maior patamar desde agosto de 1988. Em abril, o IPC tinha ficado em 9,2%.

Entre os países que compõem o G20, grupo dos países mais ricos, a inflação ao consumidor do Brasil só está atrás da Turquia, Argentina e Rússia.

Em relatório, a OCDE explica que a guerra na Ucrânia “anulou as esperanças de um fim rápido do aumento da inflação devido aos gargalos de fornecimento relacionados ao covid-19 vistos em toda a economia global durante 2021 e início de 2022”.

Juntos, Rússia e a Ucrânia são responsáveis por cerca de 30% das exportações globais de trigo, 20% para milho, fertilizantes minerais e gás natural e 11% para petróleo – commodities que aumentaram de forma acentuada após o início do confronto.

Sem ação, há alto risco de uma crise alimentar. As interrupções no fornecimento estão aumentando, ameaçando particularmente os países de baixa renda que são altamente dependentes da Rússia e da Ucrânia para alimentos básicos.

Com os orçamentos públicos esticados por dois anos da pandemia, esses países podem lutar para fornecer alimentos e energia a preços acessíveis para suas populações, arriscando fome e agitação social.

“O aumento nos preços das commodities e possíveis interrupções na produção terão consequências significativas. O forte aumento dos preços já está minando o poder de compra, o que forçará as famílias de baixa renda em todo o mundo a reduzir outros itens para pagar as necessidades básicas de energia e alimentos”, ressalta a OCDE.

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