Painel internacional

O tango (sic) de Teerã

Dois líderes de duas grandes potências regionais, Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, assumiram o risco de viajar ao Irã e negociar o controverso programa nuclear do país. Muitos disseram que eles iriam falhar. Ao invés disso, os dois anunciaram o triunfo na segunda-feira 17 maio, apertando as mãos com Mahmoud Ahmadinejad, presidente iraniano. Mas será que os líderes ocidentais, pressionando por novas sanções contra o Irã, viram como suficiente? Sob o novo acordo, o Irã diz que vai enviar 1,2 tonelada de seu estoque de urânio pouco enriquecido para a Turquia. Em troca quer 120 kg de urânio enriquecido a um nível mais elevado (cerca de 20%), para um reator de investigação que produz isótopos que podem ser usados em medicina (geralmente para o tratamento de câncer), no prazo de um ano. Detalhes do novo acordo têm ainda de ser revelados, mas Lula e Erdogan parecem ter convencido o Irã a ceder um pouco de terreno sobre onde e quão rapidamente o enriquecimento seria feito. Com concessões aparentes do Irã na mão, os dois presidentes mediadores agora dizem que não há necessidade de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU (onde ambos os países atualmente estão entre os 15 membros). É improvável que os líderes de outras capitais do Ocidente vejam dessa forma. Até a Turquia e o Brasil se envolverem, as negociações com o Irã estavam inicialmente com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – EUA, Reino Unido, França, Rússia e China – bem como Alemanha e a AIEA. O acordo turco-brasileiro deve passar por eles para aprovação.
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E mais:
Estrela do brasileiro Lula brilha com acordo iraniano
China congratula Irã por acordo nuclear
Títulos brasileiros se valorizam, enquanto ações recuam
Fed vai manter taxas de juro – e a inflação vai subir
– Brian S. Wesbury e Robert Stein

Estrela do brasileiro Lula brilha com acordo iraniano

O presidente do Brasil diz que a concordância do Irã com o acordo de combustível nuclear que ajudou a criar prova que seu país finalmente se tornou uma nova potência global na intermediação. No entanto, a maioria do crédito dado ao Brasil pode muito bem ir para o próprio Luiz Inácio Lula da Silva. O líder extremamente popular em casa e no exterior em breve vai deixar o cargo para um sucessor mais obscuro, enquanto ele procura seus próprios desafios. “É evidente que esta é um enorme gol de placa de Lula”, disse Christopher Garman, que dirige a pesquisa na América Latina para a empresa de consultoria Eurasia Group em Washington. “Ele está completando o final de seu mandato em grande forma: usou o seu capital político pessoal e está desempenhando papel no Oriente Médio”. Silva é um ícone de longa data da esquerda com inspiração marxista da América Latina, que encantou os investidores adotando políticas pró-mercado como presidente. Com um estilo jovial de fala simples forjado como líder trabalhista, ele se ligou a George W. Bush e Hugo Chávez. Trocou piadas com Barack Obama e abraçou o iraniano Mahmud Ahmadinejad. Silva retratou o acordo como uma vitória para a sua própria nação e para outra potência emergente, a Turquia, que se opôs aos esforços dos EUA e europeus para impor sanções ao Irã por seu programa de enriquecimento do combustível nuclear. Analistas disseram que sua posição pode ter sido facilitada pelo Irã aceitar um compromisso que poderia ser visto como uma capitulação, caso fosse mediado por um país menos amigável. Há muito tempo Silva pede um papel global amplo para nações em desenvolvimento – e um lugar maior nas Nações Unidas agora dominadas por um punhado de países que são membros permanentes do Conselho de Segurança.
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China congratula Irã por acordo nuclear

A China saudou o plano de troca de combustível nuclear que o Irã anunciou após reunião com o Brasil e a Turquia, solicitando negociações sobre o aprofundamento da disputa, mesmo com as potências ocidentais condenando o novo acordo como muito limitado. O Irã combinou com o Brasil e a Turquia na segunda-feira enviar parte do seu urânio para o exterior, revivendo o plano de troca de combustível elaborado pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de manter as atividades nucleares de Teerã em observação. Mas o Irã deixou claro que não tinha a intenção de suspender o enriquecimento doméstico e o Ocidente suspeita que esteja voltado à fabricação de bombas. As potências ocidentais já disseram que a oferta não será suficiente para aliviar as preocupações sobre o Irã. Mas o ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, sugeriu que seu governo foi incentivado pela proposta de favorecer a continuidade das negociações. “A China observou os relatórios pertinentes e manifesta o seu apreço e boas-vindas aos esforços diplomáticos que todas as partes fizeram para procurar positivamente uma solução adequada para a questão nuclear iraniana”, disse no website do Ministério das Relações Exteriores. “A China tem consistentemente defendido a salvaguarda do sistema internacional de não-proliferação nuclear. Ao mesmo tempo, considera que devemos resolver a questão nuclear iraniana através dos canais de diálogo e negociações.” A China está entre as potências mundiais que têm vindo a discutir possíveis novas sanções da ONU contra o Irã por seu polêmico programa nuclear. Como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, tem o poder de vetar resoluções.
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Títulos brasileiros se valorizam, enquanto ações recuam

Os títulos brasileiros estão atraindo relativamente mais dinheiro que as ações, em 19 meses após a recuperação econômica fracassar em incendiar a corrida por ações. Fundos globais investiram US$ 105,3 milhões líquidos em títulos brasileiros locais e internacionais nas duas semanas até 12 de maio, enquanto puxavam US$ 487,2 milhões das ações, mostram os dados compilados pela EPFR Global. A diferença de US$ 592,5 milhões indica que os fluxos estão prontos para registrar seu maior hiato mensal desde agosto de 2008, pouco antes do colapso do Lehman Brothers Holdings provocar uma derrocada em matérias-primas e mercados de capitais em todo o mundo. As perspectivas de que a economia do Brasil crescerá no mais rápido ritmo em duas décadas estão melhorando as receitas fiscais e a capacidade da nação de reembolsar as dívidas. As ações são mais impulsionadas pelas matérias-primas com preços que estão caindo, disse Guilherme Figueiredo, diretor de hedge fund da M. Safra Os títulos brasileiros voltaram mais de 3% este ano, de acordo com os índices do JPMorgan Chase. O Bovespa, formado por 45% de produtores de commodities, caiu 8,3%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. “O mercado de renda fixa está com mais crescimento direcionado do que as ações”, diz Figueiredo, que administra US$ 1,3 bilhão em ativos no M. Safra em São Paulo. “O problema é que o mercado de ações depende muito de commodities. Neste ambiente [de queda das commodities], ativos de renda fixa tendem a ter melhor desempenho”.
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Fed vai manter taxas de juro – e a inflação vai subir

Brian S. Wesbury e Robert Stein
No início deste ano, era nossa crença (e previsão) que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) começasse a elevação das taxas de juro de seu nível atual de quase zero até meados de 2010. Nossa opinião foi que as taxas de juro de 0% são demasiado baixas, que a economia estaria (e está) em recuperação e as pressões inflacionárias continuariam a aumentar. Apesar de tudo isso ainda ser verdade, o Fed deixou claro nos últimos meses que está disposto a manter as taxas de juro baixas por um período “estendido” de tempo mais do que tínhamos pensado previamente. Como resultado, nós agora acreditamos que o Fed poderia continuar mantendo as taxas nos níveis atuais até o final de 2010. O Fed, como é habitual, não fez um trabalho muito bom de se explicar. Tenta dizer ao mercado o que poderia fazer (deixar de comprar hipotecas, diminuir seu balanço), mas não diz ao mercado porque vai fazer essas coisas. Aqui está o que pensamos. O Fed está funcionando agora com duas ferramentas: a Regra de Taylor e precedentes históricos. A Regra de Taylor (inventado por John Taylor, na Universidade de Stanford) usa uma fórmula matemática de inflação e crescimento para definir uma meta para a taxa de juros federais. No ano passado, por causa do PIB ter caído tão drasticamente e criado pânico, o modelo disse que uma taxa dos fundos federais “neutro” estava entre -2% e -6%. Em outras palavras, o juro de 0% não estava baixo o suficiente, de acordo com o modelo.
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