Sadia e Perdigão

A Sadia desistiu da oferta de compra do controle da Perdigão. Na segunda-feira, ela havia feito uma oferta voluntária (e hostil, no sentido que o mercado dá ao termo) pelo controle da companhia. Oferecia um preço equivalente à média dos últimos 30 pregões, mais um ágio de 35%.

Os fundos que controlam a Perdigão não aceitaram. As fundações se juntaram, alegaram falha legal e preço ruim. Posteriormente, ante manifestação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mantiveram a tecla no preço ruim.

A Sadia melhorou discretamente o preço, mas os fundos não quiseram sentar para negociar. Alegaram que ela não poderia ter ido a mercado, mas, sim, conversado diretamente com os controladores. A Sadia alegou que no Novo Mercado não existe a figura do controlador, e o que ela fez foi seguir as novas regras.

Na verdade, mesmo em companhias listadas no Novo Mercado, só com ações ordinárias (com direito a voto) existe a figura do bloco de controle.

Ocorre que essa operação é importante demais para o país para submergir por questão de suscetibilidade ferida. Os grandes players internacionais já estão de olho no país. Frangosul e outras empresas foram desnacionalizadas. Internacionalmente, os produtores brasileiros enfrentam barreiras de governos, aliados aos produtores dos respectivos países.

Portanto, a fusão tem uma lógica comercial e econômica clara. A questão é discutir os termos. Só que, para se chegar a um acordo, os dois lados têm que ceder, compartilhamento de poder, de estratégias.

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