Brasil 2020: A morte lhe caiu bem, por Arnobio Rocha

É a Naturalização da Morte, a banalização do mal via números, que não contam o significado deles, mas uma visão mesquinha de vida e morte.

Bolsonaro é completamente insensível a tudo e todos, jogar bola, aglomeração é só mais uma demonstração.

Brasil 2020: A morte lhe caiu bem

por Arnobio Rocha

em seu blog

O Brasil se revelou cruel e pragmático.

Por mais incrível que se pudesse pensar, essa Pandemia, foi reveladora sobre o caráter geral de uma nação, que ignora suas duas centenas de milhares de mortos. O que se percebe é não houve nenhum sentimento geral de pesar, de lamento, nada, a morte foi compreendida como uma mera fatalidade, sem nenhuma responsabilidade dos governos, tudo mero acaso.

O Governo Bolsonaro passou incólume sobre os milhares de mortos, sem Ministro da Saúde, sem nenhuma estratégia de combate a pandemia, foi levando, como se enfrentar a doença, bastaria coragem, um bando de covardes com medo, “não são homens”?

A falta de respeito à inteligência não tem fim, Bolsonaro fez questão de comemorar apenas 200 mil mortos diante de 7.4 milhões de infectados, afinal o que significa a morte de apenas 0.1% da população, ou 2.7% dos doentes, é um cálculo matemático simples e cruel. Alguns radicalizam ao dizer 200 mil mortos não passa de 17% da mortandade anual do Brasil.

É a Naturalização da Morte, a banalização do mal via números, que não contam o significado deles, mas uma visão mesquinha de vida e morte.

Ouso dizer que a morte lhe caiu bem, ao governo Bolsonaro, não precisou se solidarizar, se compadecer com ninguém, afinal, “um dia você, eu, qualquer um vai morrer”, ou de que “não sou coveiro para contar mortos”.

Entre sorrisos e comemorações, seguimos todos doentes, a imagem presidencial em alta, isso explica porque aquele que vibra com assassinos cruéis, torturadores, permanece bem na fita, na sua lógica cruel, afinal ele, Bolsonaro, disse que “não tem o Raio X do torturada  Dilma”, então só pode ser mentira.

O ano de 2020 é uma espécie de pico abissal de indiferença e de grandes revelações macabras, derrubando tolices sociológicas de “o brasileiro é cordial”. Cordial com quem? Que as raças se misturaram e produziu uma nação única, sério?

A morte é o sentido final da vida, é a ruptura final de uma existência, longa ou curta, não uma mera banalidade, rir ou fazer pouco caso dos mortos, é maior revelação de 2020. Desprezar as dores das famílias e seguir como se nada estivesse acontecendo, não é uma mera questão moral, mas uma questão de caráter (ou falta dele).

2020, o Brasil que caiu em todas tabelas, perdeu completa relevância mundial, já foi 6ª economia, agora 13, bateu recorde de queda de empregos, e da qualidade de empregos, de credibilidade, entrada de capital  apenas do capital abutre, volátil e de curto prazo.

O Brasil se perdeu, a grande virada Suicida veio em 2013, com todos os problemas que existiam no Governo Dilma, a fatiga dos 10 anos de governo petistas, nem de longe se parece com o Caos presente. A pior vou no crescente, ano a ano, a contestação da reeleição de 2014, cedeu a economia para Joaquim Levy, o congresso dominado por Cunha, o Golpe de 2016, o corrupto governo Temer e tiro na cabeça ao eleger Bolsonaro.

Ou seja, o Brasil namora a morte nesses últimos 8 anos, nada surpreende, nem mesmo a apatia diante de um governo que desdenha da situação caótica em que se encontra o país.

Bolsonaro continuará rindo de todos, pois, de certa forma, ele reflete o brasileiro, a (má) formação história do país, extremante violento, desde as caravelas, passando pela escravidão, o desprezo pela Democracia, as muitas ditaduras e/ou golpes.

A elite brasileira que sempre dirigiu pela força brutal eventualmente com democracia, então ela quando não satisfeita golpeia sem pudor, mesmo sabendo que porá alguém sempre pior e degradante, depois tira-o sem passar à limpo, pois precisa manter essa lógica de novos golpes e baixa qualidade da Democracia.

Qual a surpresa com Bolsonaro?

É uma realidade dura, não adianta fingir, ou o cinismo de que “as instituições continuam funcionando”, ou “pausa democrática”.

O ano novo se aproxima com a sensação de que não houve 2020, haverá 2021?

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