Uma cena dura de uma cidade endurecida, por Sergio Saraiva

Por Sergio Saraiva

Em um restaurante da capital paulista, sexta-feira, 15 de maio de 2015, um rapaz visivelmente pobre… de espírito chama a atenção dos presentes batendo em uma taça de vidro e faz o seguinte discurso:

“tim… tim… tim…

por favor, peço a atenção dos senhores por um segundo,

eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando,

eu poderia estar batendo… em panelas

mas eu estou aqui pedindo a ajuda de vocês,

acessem minha página no FB, assistam meu vídeo no Whatsapp,

eu acredito que vocês têm pelo menos um like que podem me dar

e que será de grande ajuda,

se cada um aqui puder me dar um joinha que seja

meu egozinho vai dormir alimentado, esta noite.

Agradeço do fundo da minha alma… pequena,

e que Deus devolva em dobro a cada um de vocês”.

Mais um caso de pessoa carente… de senso de ridículo, buscando migalhas… de notoriedade. Degradada em praça pública pela necessidade… de se aparecer. Uma demonstração de oportunismo, um exibicionismo que deveria comover-nos, quando não, envergonhar-nos, mas quem ainda se importa?

Os garçons passavam pelo rapaz como se ele não existisse, nenhum dos presentes se condoeu com seu drama, sequer interromperam seus almoços.

Foi de cortar o coração, somos uma cidade de homens endurecidos.

Pensei comigo:

“um rapaz tão jovem e já na mendicância, implorando por uma dose… de atenção”.

Parecia vir de uma família boa, com um futuro todo pela frente e já não era mais do que mais um warholaholic.

Como ele, existem outros tantos. As vezes em bandos perambulando pela Avenida Paulista em alguns desses domingos quaisquer. Até crianças são vistas entre eles.

Não podem ver uma câmera, um mísero iPhone que imediatamente começam a disparar suas selfies.

E pensar que o efeito dessa droga dura só 15 minutos, depois saem por aí, desesperados a procura de mais, mais e mais.

Para satisfazer esse vício, chegam a roubar… a cena da qual necessitam deseperadamente.

Agridem pessoas, se for preciso.

Esse vício é uma maldição, a maldição de Andy Warhol, a maldição do “Plim Plim”.

A situação toda foi filmada, são imagens fortes, aviso.

Estão aí embaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=zQiX43d2IrE

 

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9 comentários

  1. Lembram dos Fiscais do

    Lembram dos Fiscais do Presidente (ou Fiscais do Sarney)? Pois é, estamos vendo por aí aparecerem os Fiscais da GAFE (globo-abril-folha-estadão). Os Fiscais do Sarney ficavam enfurecidos quando constatavam a presença de algum remarcador de preços em supermercados; já os Fiscais da GAFE se expõem ao ridículo quando constatam a presença de algum membro do PT, mas posam alegres, felizes e sorridentes ao lado da tropa de choque. Os habitantes de uma Midiocracia só podem mesmo serem chamados de midiotas.

  2. Nassif, chego a ficar

    Nassif, chego a ficar surpreso com a paciência e a civilidade do ex-ministro Padilha em uma situação como essa. Era o caso de se levantar da cadeira e encher de sopapos este sujeito escroto. Duvido que o elemento tenha coragem de fazer o mesmo com Collor ou Sarney em seus territórios. Se fizesse, já estaria morto.

  3. Deplorável…

    Mais um comportamento deplorável de um mauricinho pitbul e paneleiro!  Que geração é essa? Quem a formou?  Como não reconhecer a importância dos feitos de Padilha? Que desânimo… A mídia, conseguiu formar um bando de midiotas.

  4. Se eu estivesse no

    Se eu estivesse no restaurante, daria a maior vaia no idiotazinho. Dá um desânimo , Não é Sergio ? Como esses babacas gostam de aparecer ! como se acham inteligentes e conhecedores de política. Não passam de papagaios s/ idéias próprias. Pelo jeito deve ser um médico, daqueles que vaiaram os cubanos e nem sabem disfarçar ou nem se preocupam com a falta de educação demonstrada.

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