Juro e Saúva

Meu colega e amigo Celso Ming vem batendo em duas teclas em sua coluna no “Estadão”. A primeira, que seria absurdo fixar metas de crescimento do PIB. A segunda é que a insistência na redução dos juros lembraria o famoso bordão dos anos 30, “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. E sugere acabar com a idéia fixa nos juros.

Dois pontos para o Celsão considerar em suas análises.

O primeiro, o fato de, na prática, o BC trabalhar com tetos de metas de crescimento. Essa loucura do PIB potencial é o quê? O BC monitorando indicadores de crescimento e puxando os juros cada vez que a economia ameaça decolar, mesmo que não haja impacto no índice de preços. Ou seja, uma das famílias de indicadores na qual o BC se baseia para não baixar os juros são os níveis de atividade e de capacidade ociosa da indústria, por conta dessa superstição do “PIB potencial” (que diz, com base em alquimia, que o Brasil não pode crescer mais do que 3,5% ao ano).

A outra é a analogia entre saúvas e juros. Existem três preços fundamentais na economia: juros, câmbio e salários. Além de ser um dos três, a taxa de juros influencia o segundo, que é o câmbio. E ambos influenciam o terceiro, que são os salários. Sem considerar os impactos fiscais.

Até dá para minimizar os efeitos da saúva, não o dos juros sobre a economia.

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