O Raio X da indústria automobilística em julho, por Luis Nassif

Ontem, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Autoveículos) divulgou os dados referentes ao mês de julho.

Aqui vai um raio X do setor, preparado pelo jornalismo de dados da Agência Dinheiro Vivo:

Produção x Exportação

Aqui se utilizaram dois indicadores: o número de licenciamentos de veículos nacionais e a produção total. A diferença entre ambos corresponde às exportações.

Especialmente de julho de 2016 para cá, as exportações compensaram a queda no mercado interno.

 

Desempenho das exportações

Quando se traça uma linha do acumulado de 12 meses em relação ao acumulado do mês anterior, percebe-se uma perda de dinamismo da produção mais que proporcional ao do licenciamento de carros nacionais. Sinal de que as exportações estão perdendo o ritmo.

A linha vermelha mostra o comportamento das exportações no acumulado do ano, em US$ bilhões. Continua subindo no acumulado até julho.

Porém, quando se compara com o acumulado de 3, 6 e 12 meses atrás, se percebe a perda de vigor.

Ou seja, continuarão crescendo por mais algum tempo, em ritmo mais lento, até estacionarem.

Como comparação, em julho de 2013, a produção acumulada em 12 meses bateu em 3,7 milhões de veículos contra 2,9 milhões em julho passado.

Quando se analisa o acumulado do ano, mês a mês, em relação ao mesmo período do ano anterior, percebe-se mais nitidamente essa desaceleração.

Produção e emprego

 

 

De julho de 2015 a julho de 2018, a produção acumulada de 12 meses cresceu 2% contra uma queda de 5,6% no emprego das montadoras. No caso dos auto veículos, o aumento foi de 4,8% contra uma queda de 8,2% no emprego.

 

Vamos aproveitar o database da Dinheiro Vivo para alguns levantamentos curiosos:

 

De julho de 1990 a julho de 2018 houve um aumento de 248,4% na produção total de veículos, de 306,8% na produção de auto veículos contra quedas no emprego de respectivamente -7,4% e -4,4%. Em parte se explica pela automação e pela terceirização de funções.

 

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5 comentários

  1. É importante destacar que os

    É importante destacar que os centros de desenvolvimento e engenharia nas montadoras aqui instaladas estão minguando:

    Uma montadora reduziu drásticamente as atividades de desenvolvimento de novos veículo no Brasil.

    Outra montadora está para fechar uma planta no ABC paulista.

    Outra montadora no Paraná contrata engenheiros como “analistas de engenharia”.

    Uma planta no Vale do Paraíba “periga” fechar também.

    Com esse terrível encolhimento nas montadoras, imaginem o tamanho do impacto na cadeia de fornecedores de autopeças.

    Temos muitos engenheiros com experiência na industria automobilística desempregados. Os mais sortudos estão ainda empregados ou estão buscando emprego na industria “overseas”.

    O mais triste: a vasta maioria dos tais engenheiros são coxinhas, bateram muita panela e saíram de verde e amarelo atrás de um pato. Hoje provam o gosto amargo da consequência da suas ignorâncias e pior, ainda não aprenderam.

    • Fábrica de engenheiros e peças de reposição

      A educação humanista dos nossos técnicos é zero.

      São programados para exercer o seu papel na cadeia de produção capitalista, com todas as suas consequências.

      Possuem acesso privilegiado ao mercado de trabalho graças ao modelo excludente de reprodução da classe média, que forma os trabalhadores intelectuais e exclui a massa do sistema educacional, que vai compor o operariado e a “ralé” de excluídos.

      Os engenheiros e os profissionais liberais são fabricados por uma indústria que funciona do mesmo jeito que as indústrias onde eles trabalham. Separa os produtos por classe e função.

      • Muitos vestiram a carapuça de

        Muitos vestiram a carapuça de mera mão-de-obra especializada.

        São meros robôs – por isso os Ricardos Amorins da vida nadam de braçada no Linkedin.

        É fácil ver muitos engenheiros que simplesmente caçoam de qualquer coisa que venha da área de Humanas.

        Muitos engenheiros no Brasil são meros “yuppies”, muitos deslumbrados com as bem prováveis experiências internacionais (vida no exterior, contato com engenheiros de outros países).

        Entretanto, é revelador o quão ignorantes em economia ou alguns tópicos de exatas são nossos bacharéis de direito: o resultado disso está por exemplo, na atuação dos Dallagnóis da Lava Jato.

        É desolador.

  2. 1930. 1.o PASSO AO QUINTOMUNDISMO. ANTICAPITALISMO DE ESTADO

    A Indústria Automobilística é uma TETA Maravilhosa. Compramos Carroças a Preços de Ouro. Jornalista Norte-Americano já fez matéria-escárnio pelos preços que pagamos por Automóveis que eles mesmos fabricam. Até os Beneficiários ficaram abismados com tamanho da imbecilidade. 4.o Maior Mercado Produtor e Consumidor de Automóveis. Não temos Fábricas. Importamos tudo, de Tecnologia, às Licenças, aos Impostos e Empregos Especializados. Apertamos parafusos. Indústria de Medicamentos é outra festa. Farmacias ao lado de Farmacias. Preços Estratosféricos. Produção e Tecnologia nacional é absoluta raridade. Entendemos o porque de Legislação tão restritiva e criminal sobre atividade econômica. A defesa tupiniquim dos Interesses Internacionais. Indústria da Pobreza. Nisto somos  a vanguarda nestes 88 anos.  O mais absurdo e inacreditável é que a séria Presidenta Dilma Roussef teve a oportunidade de alterar tal realidade, quando do encerramento dos Benefícios à tal Indústria. Não pediu nem transferência de tecnologia ou compartilhamento estratégico. Pediu uma elevação no padrão dos Automóveis nacionais. recebeu um redondo NÃO !! Quase ficamos em AIr-Bags por mais 10 anos. Isto com a China clamando por Parceria. Vejam os Celulares Chineses, o tamanho da tecnologia e a diferença de preços com os Celulares que importamos da Coréia ou EUA. Multipliquem isto, por todas cadeias produtivas que se degladiam por um Mercado de mais de 200 milhões de pesoas. Por acesso às reservas minerais, tecnologicas, cientifícas, energéticas, de mão de obra que SOMENTE NÓS temos à disposição. Absurdo e Imbecilidade. Relamente encontrarm a sua Pátria depois de Golpe Militar Fascista de 1930. Somos amadores e de muito fácil explicação.  

  3. Efeito China

    A questão é a China.

    A China está atraindo as fabricantes tradicionais de automóveis com a mesma intensidade que atraiu os fabricantes de eletroeletônicos há duas decadas. As matrizes estão fechando as departamentos de engenharia das filiais com autonomia para desenvolvimento de produtos, Ford e GM, por exemplo, não desenvolvem mais carros no Brasil. A VW diminui progressivamente a capacidade de criação local. Apenas a FCA (Fiat-Chrysler), que não tem presença importante na China, mantém um importante cento de engenharia e design no Brasil.

    Arrisco dizer que  no futuro do setor automobilistico manterá fabricação local apenas para caminhões, ônibus e outros veículos e máquinas comerciais pesadas. Os automóveis de passeio passarão a ser importandos completos, se forem caros, ou em CKD no caso dos mais baratos.

    Seria o momento perfeito para uma revolução no transporte coletivo no Brasil

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