Sadia, Perdigão e desnacionalização

A fusão das duas empresas poderia representar um enorme salto de qualidade para o país, dependendo das condições em que fosse realizada. Há que se definir o preço justo. O ideal seria um processo de troca de ações que permitisse a gestão compartilhada. E a defesa dos interesses dos consumidores nacionais e dos produtores.

Agora, não procedem as preocupações levantadas por minha colega Mirian Leitão, de que a fusão poderia abrir o caminho para a desnacionalização, como foi o caso da compra da Ambev pela empresa belga, através de troca de participação acionária.

Na época, fui o primeiro a desmascarar a versão da fusão. Era venda mesmo, na qual os controladores da Ambev se tornaram acionistas da Inbev. O fato de ter brasileiros no Conselho de uma multinacional belga não muda a lógica da empresa.

Não há nenhuma semelhança com o caso Sadia-Perdigão. A Sadia é uma empresa de capital nacional, tradicional, com fortes raízes no país, em um setor onde o Brasil é amplamente competitivo. Já a Perdigão é uma empresa exemplar, mas com controladores financeiros: os fundos de pensão. A lógica dos fundos de pensão -assim como a dos antigos controladores da Ambev—é uma lógica financeira. Nada contra: eles precisam maximizar suas reservas para fazer frente a seus compromissos. Isso significa que, em algum ponto do futuro, poderão fazer uma análise de portfolio e decidir pela venda do controle da Perdigão.

Além disso, pelo fato de ter o controle no mercado, a Perdigão estará permanentemente sujeita a ofertas de compra hostis (na qual o comprador oferece um valor pelas ações sem consultar os gestores). Nos últimos dias, os jornais começam a divulgar intenções de grupos estrangeiros.

A junção das duas empresas tornaria muito mais difícil sua desnacionalização. Para tanto, a Sadia terá que melhorar sua proposta, pensar em uma fusão mesmo, não em uma aquisição hostil.

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