Vencedores do Nobel, economistas criticam livre mercado

Jornal GGN – Ganhadores do Prêmio Nobel, George Akerlof e Robert Shiller afirmam, em seu novo livro “Phising for Phools”, que “mercados competitivos, por sua própria natureza, produzem engano e trapaça”.

Eles argumentam que o mercado incentiva empresas a explorar fraquezas de comportamento, tais como o desejo de gratificação imediata do consumidor em detrimento do longo prazo. Além disso, as empresas que não agem desta maneira correm o risco de serem solapadas por companhas menos escrupulosas. Para Akerlof e Shiller, isso “não é um infortúnio ocasional. Ocorre em tudo quanto é lugar”.

Os dois vencedores do Nobel se especializaram em analisar os efeitos do comportamento humano na economia, e governos tem procurado maneiras de utilizar a economia comportamental para para melhorar políticas e a prestação de serviços.

Do Valor

Economistas premiados engrossam coro de ataque ao livre mercado

por Greg Ip

O mês foi bom para os céticos do livre mercado. No Reino Unido, um socialista confesso é o novo líder do Partido Trabalhista. O papa Francisco, que condena o mercado por promover o “consumismo extremo”, foi recebido, ao chegar nos EUA como um astro do rock. E agora, justo aqueles que supostamente deveriam sair em defesa do mercado, os economistas, estão aderindo ao ataque.
 
“Mercados competitivos, por sua própria natureza, produzem engano e trapaça”, escrevem dois ganhadores do Prêmio Nobel, George Akerlof e Robert Shiller, em seu novo livro, “Phishing for Phools”, que deve ser lançado no Brasil pela Alta Books.

 
Com base em lições da economia comportamental, os autores sustentam que o mercado incentiva empresas a explorar fraquezas comportamentais, como o desejo do consumidor de gratificação imediata em detrimento do bem-­estar de longo prazo. Empresas que se negam a descer a esse nível seriam sobrepujadas pelas menos escrupulosas. E isso “não é um infortúnio ocasional. Ocorre em tudo quanto é lugar”, escrevem. 
 
Com a crise financeira global ainda fresca na memória das pessoas, e numa semana em que a Volkswagen foi acusada de fraude deslavada de testes de emissão de poluentes, críticas duras como essas estão fadadas a repercutir. 
 
Mas há uma boa distância entre reconhecer que o mercado às vezes falha e sustentar que ele é inerentemente falho. Autoridades monetárias que partam da segunda hipótese correm o risco de fracassar por enxergar falhas no mercado onde não elas não existem e ignorar seus próprios vieses de comportamento, em ambos os casos deixando as pessoas em situação pior. A confiança da sociedade no livre mercado não mudou muito nos EUA nem no Reino Unido em relação a níveis pré­-crise, e até na Argentina do papa a opinião não é muito pior do que era em 2009.
 
A economia sempre reconheceu que, às vezes, o mercado falha. Fábricas, por exemplo, têm incentivo para poluir, pois é a sociedade, e não os donos da fábrica, que arca com o custo para despoluir o ar e a água. O mercado pode ainda premiar desproporcionalmente quem tem sorte e talento, agravando a desigualdade.
 
A economia comportamental vai além, sustentando que as pessoas tomam, sistematicamente, decisões tidas como irracionais por economistas. Elas poupam muito pouco para a aposentadoria, comem muita comida gordurosa e não se exercitam o suficiente, porque atribuem pouco valor ao futuro. Elas pagam preços inflacionados ou aceitam produtos inferiores devido a vieses pessoais, a informação limitada ou à inércia.
 

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