USP perde liderança em ranking de universidades da América Latina

Sugerido por Lenilson

Do Estadão

USP perde liderança em ranking das melhores da América Latina

Instituição ocupa agora o segundo lugar; nova líder é a Pontifícia Universidade Católica do Chile

SÃO PAULO – A Universidade de São Paulo (USP) perdeu a primeira posição no ranking de universidades latino-americanas do grupo Quacquarelli Symonds (QS) University Rankings, uma publicação britânica que faz alguns dos principais rankings universitários do mundo. Quem tomou a liderança neste ano foi a Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC). A USP – que vinha ocupando a primeira posição desde que o ranking da América Latina havia sido criado, em 2011 – neste ano aparece em segundo lugar.

Segundo o QS, embora a USP se destaque no número de pesquisas publicadas, UC liderou neste ano por causa do impacto das pesquisas, com citações de artigos em publicações internacionais. A UC também apresentou um bom número de alunos em sala de aula por professor e teve bons índices de citação na internet (Webometrics).

As outras universidades mais bem no ranking colocadas são a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que se manteve no 3º lugar, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que saiu do 8º em 2013 para o 4ºlugar em 2014, e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), que saiu do 11º lugar no ano passado para o 9º neste ano. As universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio Grande do Sul (UFRGS) empataram em 10º lugar neste ano. A UFMG estava em 10º lugar no ano passado e a UFRGS em 14º.

Segundo o editor sênior do site de rankings do WS, Danny Byrne, a queda da USP não é uma “indicativa de uma tendência geral para as instituições brasileiras.” O Brasil aparece neste ano com 10 das 20 melhores universidades da América Latina – duas a mais que no ano passado. Ele explica que o indicador em que as universidades brasileiras lideram é o número de artigos por docente, o índice que mede a produtividade em pesquisa.

“As oito melhores instituições neste indicador são brasileiras, com apenas a Universidade do Chile no top 10. A USP melhorou sua posição no QS World University Rankings, nos últimos quatro anos, passando da colocação 207ª, em 2009, para a 127ª posição, em 2013”, pondera Byrne.

O ranking latino-americano lista, ao todo, 300 instituições de ensino. Os países que possuem mais universidades na lista são Brasil (88), México (69), Colômbia (51), Chile (40), Argentina (39), Peru (17), República Dominicana (11), Equador (11), Venezuela (9).

Veja a lista as instituições que ocupam as 10 primeiras posições:

1 – Pontifícia Universidade Católica do Chile
2 – Universidade de São Paulo (USP)
3 – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
4 – Universidade Federal do Rio de Janeiro
5 – Universidade de Los Andes – Colômbia
6 – Universidade do Chile
7 – Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey
8 – Universidade Nacional Autônoma do México
9 – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)
10 – Universidade Federal de Minas Gerais 
10 – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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13 comentários

  1. A USP perdeu liderança porque

    A USP perdeu liderança porque não investe mais há anos, porque?

    A folha de pagamento consome 108% do orçamento, no tempo do Reitor José Goldemberg gastava 80%. Porque?

    São 100.000 alunos, 16.000 funcionarios e 6.000 professores, um funcionario para cada 6 alunos e um professor para cada 17 alunos. Os indices internacionais tem muito menos funcionarios por aluno e  menos professores por alunos. É o velho vicio do empreguismo e burocracia que no Brasil contamina tudo.

    A raiz do mal está na ELEIÇAO do Reitor, uma aberração que não há no mundo.

    O Reitor é eleito por funcionarios, alunos e professores, precisa fazer promessas de atender a todos, não comanda mais nada, NÃO HÁ ORÇAMENTO QUE RESISTA, é o democratismo viciando a Universidade.

     

    • Faltou dizer que o último

      Faltou dizer que o último reitor da USP não foi o ganhador da eleição. Foi o terceiro escolhido pela comunidade uspiana. Na verdade, ele foi o preferido, possivelmente por suas capacidades gerenciais, pelo Governador José Serra.

    • Prezado Motta Araujo,
      A sua

      Prezado Motta Araujo,

      A sua crítica passa a ser sem qualquer fundamento, pois uma das coisas que critica parte do que não é verdade. O reitor não é eleito por funcionários, alunos e professores. Até 2013 a indicação para vaga de reitor vinha apenas do Conselho Universitário onde os funcionários e alunos eram sub-representados. Na última eleição, o do reitor Zago,  houve uma consulta a comunidade para compor a lista triplice, mas quem, de fato, escolhe o reitor continua sendo o governador. Por exemplo, o reitor Grandino Rodas, um dos resposáveis pela séria crise em que a USP passa hoje, não ficou em primeiro lugar pela Conselho Universitário, era o segundo da lista, mas mesmo assim o governador Serra o escolheu para reitor da USP.

      Embora a USP seja uma autarquia, ela não está imune a interferência política.  E, acredite, tem e muita!

      Agora uma questão. Se você acha que funcionário, aluno e professor não teriam legitimidade para eleger o reitor, quem então deveria eleger?

       

    • Disparate

      De onde o Sr. tirou que há eleição para reitor na USP?

      O Conselho Universitário (casa dos nobres) elabora uma lista tríplice para o governador que escolhe o reitor.

      O reitor responsável pela derrocada da USP é o Dr. Rodas, que instaurou a ditadura universitária, recusando-se a dialogar com a comunidade universitária e mandando a tropa de choque para dentro da cidade universitária por duas vezes (em 2009 e 2011) entre outros (e muito piores absurdos).

      O Dr. Rodas era o terceiro colocado na lista tríplice produzida pela elite universitária, mas foi escolhido pelo governador Serra. Tradicionalmente o governador escolhia o primeiro colocado da lista. Ou seja, além de não haver democracia na universidade, até o simulacro de autonomia universitária representado pela lista tríplice não foi respeitado.

      É ridículo o Sr. querer colocar a culpa da situção falimentar da universidade em um inexistente “excesso de democracia” quando na verdade a causa é justamente o oposto.

      Também não acredito que o número de professores e funcionários seja a causa dos problemas financeiros da universidade. Nem todos os docentes e funcionários recebem salários iguais. OS que dão aula e trabalham efetivamente para manetre a Universidade funcionando recebem salários baixos. Mas há uma casta de privilegiados (que não trabalham) que recebem salários, vantagens indevidas e mordomias diversas com valores altíssimos.

      També é notória a existência de “buracos negros” na USP, onde as verbas de ensino, pesquisa, manutenção e obras desaparecem sem deixar vestígios (e de lá não saem nunca mais).

      O problema da USP é falta de transparência e excesso de autoritarismo, não oposto como afirma seu texto.

    • Parafraseando André Araújo

      Parafraseando André Araújo (conhece?): Nada a ver.

      Como já foi fartamente mostrado pelos comentaristas que me antecederam nessa resposta, não há eleição direta para reitor, e sim uma consulta à comunidade. A consulta forma uma lista tríplice que é encaminhada ao governador que, esse sim, escolhe o reitor. E, só para reforçar o que os outros já disseram (mas é que, às vezes, é difícil de entender), o reitor anterior, que fez a lambança pela qual a USP passa agora, não foi o escolhido pela comunidade em primeiro lugar, mas foi o escolhido PELO GOVERNADOR.

      Ademais, esse procedimento também é o realizado pelas universidades federais há muitos anos. Mas não me consta que as federais estejam enfrentando uma crise tal qual a USP. Pelo menos a UFMG, na qual trabalho, e onde há consulta à comunidade para escolha do reitor (e dos diretores de unidade), vai muito melhor agora do que nos nefastos tempos do FHC.

      Portanto, o que uma coisa tem a ver com a outra?

    • Nao se pode comparar laranjas com bananas

      O índice de alunos por professor no Brasil é baixo por 2 motivos: 

      1) Sao os professores que efetivamente dao aulas, respondem dúvidas, corrigem provas, acompanham alunos, etc; no exterior, os professores “mesmo”, efetivos, dao palestras para mais de 100 alunos, e quem dirime dúvidas, corrige exercícios e atende alunos sao os “Teacher assistent” que nao contam no número de professores… Assim é fácil, também quero. 

      2) Boa parte dos médicos que atendem nos hospitais universitários sao contratados como professores (e efetivamente acompanham alunos em estágios, internatos e residências). 

      É bom saber algo sobre o assunto de que se fala antes de comentar… 

  2. Se o estado de SP,

    Se o estado de SP, responsável pela USP, fosse administrado pelo PT por mais de 20 anos, imagina o estardalhaço que seria feito com essa notícia!

  3. como sempre, uma boa notícia com aquela manchete pinçadinha

    O ranking que importa é o de publicações indexadas nos grandes periódicos, preparado pela Scopus e pela Thomson-Reuters. Da última vez que vi, o Brasil estava em 15, 14o. mundial, muuuuito à frente dos demais latino americanos e de fato em todo hemisfério sul. No MCTI tem algo: 

    http://www.mcti.gov.br/index.php/content/view/8499/Numero_de_artigos_brasileiros_da_America_Latina_e_do_mundo_publicados_em_periodicos_cientificos_indexados_pela_ThomsonISI_e_Scopus.html

    De qualquer forma, a boa noticia está, límpida, no meio da própria reportagem:

    “Segundo o editor sênior do site de rankings do WS, Danny Byrne, a queda da USP não é uma “indicativa de uma tendência geral para as instituições brasileiras.” O Brasil aparece neste ano com 10 das 20 melhores universidades da América Latina – duas a mais que no ano passado. Ele explica que o indicador em que as universidades brasileiras lideram é o número de artigos por docente, o índice que mede a produtividade em pesquisa.

    “As oito melhores instituições neste indicador são brasileiras, com apenas a Universidade do Chile no top 10. A USP melhorou sua posição no QS World University Rankings, nos últimos quatro anos, passando da colocação 207ª, em 2009, para a 127ª posição, em 2013”, pondera Byrne.

    Agora, pro pessoal que não acredita mesmo em estatísticas, reportagens e opiniões positivas sobre o Brasil de autoria de brasileiros, vai um link para um recente, longo relatório que coloca o Brasil como um new kid on the block da ciência mundial, elaborado pelo mais reconhecido think tank dedicado ao tema:

    http://interest.science.thomsonreuters.com/forms/ThomsonReutersAccessShort?doc=http://sciencewatch.com/sites/sw/files/sw-article/media/grr-brick.pdf&rt=Marketing&sbu=SSR&cid=70170000000Tpl4&cn=SSR%20-%20201106%20-%20GRR%20-%20Combination%20Campaign&redir_url=http://sciencewatch.com/sites/sw/files/sw-article/media/grr-brick.pdf

     

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