Após negar pedidos de SP e RJ, Moro compartilha provas a pedido da Lava Jato

Jornal GGN – O juiz federal Sergio Moro decidiu compartilhar com o Ministério Público de São Paulo informações coletadas em investigações contra o empresário Adir Assad, alvo de inquéritos sob a acusação de lavar dinheiro de esquemas de corrupção envolvendo obras de mobilidade e infraestrutura no estado governado por Geraldo Alckmin (PSDB).

Moro aceitou a transmissão de dados a pedido de procuradores do Ministério Público Federal no Paraná, após a Lava Jato descobrir que a concessionária SPMAR (administradora dos trechos Sul e Leste do Rodoanel) e a Usina São Fernando Açúcar e Álcool – ambas envolvidas com o Grupo Bertin – pagaram R$ 6,2 milhões à Legend Engenheiros Associados, uma das várias empresas de fachada de Assad.

Em seu despacho, Moro diz que os dados da Lava Jato podem ajudar a instruir um inquérito civil na 8ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público, que apura irregularidades nas obras em São Paulo.

Moro usou como justificativa decisão do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Cezar Peluso, que admitiu que dados coletados na Operação Hurricane fossem transmitidos ao Conselho Nacional de Justiça para instauração de processos disciplinares contra magistrados acusados de venda de sentenças.

Quando o pedido de compartilhamento de dados provém de procuradores de outros estados que não atuam na Lava Jato, porém, Moro vem negando o acesso às informações.

Em junho de 2016, o promotor Marcelo Milani, da Promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público de São Paulo, pediu informações acerca de um documento apreendido pela Lava Jato na chamada Operação Acarajé, que estava em posse do então executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior, o BJ, e citava possível pagamento de propina em obra da rodovia Mogi-Dutra.

BJ, hoje, tem preenchido páginas de jornais com denúncias envolvendo pagamento de caixa dois eleitoral ao PSDB a pedido de Aécio Neves.

O documento de interesse do procurador paulista apontava cartel e fraude em licitação sob a gestão Alckmin, envolvendo as obras da rodovia Mogi-Dutra, iniciada em 2002. Há, ainda, a suspeita de que 5% do valor das obras foram pagos em forma de propina ao “santo” da lista da Odebrecht.

Moro, à época, disse que o compartilhamento das informações seria “prematuro” porque a Lava Jato ainda não havia concluído as investigações.

Em novembro de 2016, foi a vez do Ministério Público do Rio solicitar acesso a provas da Lava Jato, mais precisamente das operações 23 a 26, que tinham o marqueteiro João Santana na mira.

De acordo com o MP, as informações ajudariam a instruir 16 procedimentos de investigação, entre eles processos relativos ao Parque Olímpico, Maracanã, Linha 4 do metrô e redes de esgoto. Moro, porém, disse que não eram claras as intenções do MP e, por isso, não poderia avaliar se o compartilhamento das provas seria realmente necessário.

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