“É um negacionista compulsivo, omisso, que colocou o Brasil na irrelevância”, diz Katia Abreu a Ernesto Araújo na CPI

"Hoje estamos nas mãos dessas pessoas que você atacou com toda força. Você deve desculpas a esse País", afirma a senadora

Jornal GGN – A senadora Katia Abreu disse na sessão da CPI da Pandemia nesta terça (18) que o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, é um “negacionista compulsivo, omisso”, que colocou o Brasil na posição de “irrelevância” e atrapalhou, com seus ataques ideológicos à China e alinhamento ao trumpismo, a compra de vacinas e aquisição de insumos para o envasamento da Coronavac pelo Instituto Butantan.

Ela ressaltou que, enquanto chanceler, Araújo não moveu um dedo para ajudar o Brasil a adquirir vacinas produzidas pela empresa privada Sinovac, e tampouco foi atrás do imunizante desenvolvido pela estatal chinesa Sinofarm. A negociação em torno da principal vacina usada hoje entre brasileiros, segundo o próprio Araújo confirmou à CPI, se deu diretamente entre o Butantan e a Sinovac, sem apoio da União.

“Até abril de 2021, 85% das vacinas aplicadas nos brasileiros vieram da China, e foi a despeito do senhor, porque o Butantan, que é do governo de São Paulo, para contrariedade de muitos, fez uma contratação direta que não teve uma palha de necessidade do governo federal. (…) Foi zero sua interferência como chanceler. Vamos chamar aqui o direitor do Butantan, Dimas Covas para testemunhar a verdade”, comentou.

Representando a bancada feminina na CPI, Katia Abreu lembrou o histórico de hostilidades de Ernesto Araújo e da família Bolsonaro à China, destacando um artigo que o ex-chanceler escreveu em 2020 sob o título “Chegou o coronavírus”. “Chegou o comunavirus? Isso não é ataque? Isso ajudou ou atrapalhou a compra de vacinas?”, indagou a senadora. “O senhor estava ali [no MRE] para defender os interesses dos brasileiros, não as suas posições ideológicas.”

Na CPI, Araújo negou que tenha atacado a China e afirmou que as declarações hostis de Bolsonaro e seus filhos contra o governo chinês em nada atrapalharam a gestão da pandemia e as relações comerciais entre os dois países. Ele também refutou a versão de que, sob sua gestão, o Itamaraty tenha se alinhado aos interesses de Donald Trump na presidência dos EUA, em detrimento de parcerias com a América Latina, China e Europa.

Para Abreu, que participa da comissão especial de relações exteriores do Senado, Araújo não aprendeu que, na diplomacia, “nós não somos amigos de presidentes, somos amigos das nações.” Ela lembrou que Araújo não só atacou a China como ainda disparou contra a credibilidade da OMS, que decide a distribuição de vacinas via consórcio Covaxin. “Hoje estamos nas mãos dessas pessoas que você atacou com toda força. Você deve desculpas a esse País”, disse.

“O senhor é um negacionismo compulsivo, omisso. Você no MRE foi uma bússola que nos direcionou para o caos, para o iceberg, para o naufrágio da política externa brasileira. É voz unânime no mundo inteiro entre seus colegas, o alívio que eles sentiram quando você saiu [do MRE]. Você não só colocou o Brasil como pária. Foi muito pior. Ao invés de pária, você colocou o Brasil na posição de irrelevância. E eu não aceito o meu país ser um país irrelevante”, desabafou a senadora.

Abreu ainda avaliou que fruto da gestão desastrosa de Araújo no Itamaraty foi a reunião da Cúpula do Clima, em abril passado. “O maior vexame que nós já passamos na vida. O presidente da República americana se levanta da cadeira e deixa o presidente do Brasil falando sozinho. Aquela mensagem disse para o mundo: ‘eu não tenho nada para ouvir do Brasil’. Não tem justificativa para aquela levantada de cadeira a não ser a insignificância com que o senhor trabalhou para colocar o Brasil nessa posição.”

Ao final, a senadora requereu à CPI a quebra de sigilo das comunicações internas dos ministérios da Saúde, Casa Civil, Relações Intercionais, Economia, Ciência e Tecnologia, entre outros, com a Presidência da República, sobre as tratativas envolvendo vacinas e medicamentos na pandemia. Ela também quer acesso aos comunicados enviados pelo MRE às embaixadas. “Com isso vamos identificar qual foi o ministro que mais mal orientou o presidente da República”, apontou.

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