Bolsonaro fará qualquer coisa contra Lula. É o que torna o 7 de Setembro “imprevisível”, diz Brian Winter

Para jornalista, o 7 de Setembro bolsonarista será um "tiro pela culatra" se houver violência como no episódio da Invasão ao Capitólio. Neste caso, as instituições podem reagir à altura e destravar o impeachment

Foto: Fabio Pozzobom/Agência Brasil

Jornal GGN – Correspondente internacional, o jornalista norte-americano Brian Winter publicou uma série de mensagens no Twitter a respeito das expectativas para o 7 de Setembro com os atos antidemocráticos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro.

Segundo ele, a marcha é “imprevisível” primeiro porque Bolsonaro fará qualquer coisa para impedir a vitória de Lula na eleição de 2022, mesmo amargando uma rejeição recorde para seu governo. Além disso, não há como prever como os apoiadores do extremista de direita irão se comportar no dia 7.

No último final de semana, durante a segunda edição do CPAC – o megaevento de conservadores de direita que Eduardo Bolsonaro importou dos Estados Unidos para Brasília – a orientação dada aos seguidores de Jari Bolsonaro foi no sentido de manter a ordem durante os atos, para evitar críticas da imprensa ou repressão da polícia.

Os manifestos bolsonaristas foram convocados contra a rejeição ao voto impresso pelo Congresso e para pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. Nos últimos dias, porém, Bolsonaro decidiu passar um “verniz” democrático nos protestos, afirmando que o povo irá as ruas defender “a liberdade”.

Winter e a comunidade internacional estão de olho numa possível reedição da invasão do Capitólio por apoiadores de Donald Trump em janeiro passado. Uma atitude que, para Bolsonaro, seria um tiro no pé, escreveu o analista político para a América Latina, pois poderia destravar uma reação do Congresso – onde descansam mais de uma centena de pedidos de impeachment – ou uma resposta dura do Judiciário – o ministro Ricardo Lewandowski já advertiu Bolsonaro sobre as consequências para quem “atravessa o rubicão”.

“A verdade fundamental do Brasil de hoje é que o Bolsonaro fará qualquer coisa – literalmente QUALQUER COISA – para evitar entregar o poder a Lula em 2022. É o que torna a marcha de amanhã tão imprevisível. Pode ser principalmente uma sessão de fotos do Instagram. Pode ser outro 6 de janeiro. Pode ser muito mais violento”, frisou.

“Bolsonaro nunca foi menos popular, mas sua base continua MUITO mobilizada e acho que você pode esperar milhões nas ruas amanhã. Pode até ser a maior marcha da história do Brasil. Isso tem benefícios e riscos para ele, como sinalizei anteriormente.”

“(…) Poderia sair pela culatra totalmente – se a multidão perde o controle, invade o Congresso ou a Suprema Corte em ecos de 6 de janeiro nos EUA. Isso poderia resultar em acusações criminais (por Lewandowski e outros) e também tirar os legisladores da cerca do impeachment – se eles pensarem que a democracia está em risco iminente.”

Para Winter, “quando você reúne uma multidão assim, você nunca sabe o que vai acontecer, se a mentalidade da multidão assumir o controle – como aconteceu no Capitólio dos Estados Unidos – especialmente se Jair Bolsonaro os incitar. Grande momento pela frente.”

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