Governo suspende vacinação de adolescentes sem ouvir especialistas

Forma como decisão foi tomada causou irritação na Câmara, entre integrantes do PNI e entre secretários de saúde de estados e municípios

Marcelo Queiroga, ministro da Saúde. Foto: saude.gov.br

Jornal GGN – O governo de Jair Bolsonaro decidiu suspender a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos sem comorbidades, em medida que pode ser considerada unilateral – a medida não foi debatida com representantes do Programa Nacional de Imunização, da Câmara Técnica do Ministério da Saúde e sequer com os secretários de Saúde de estados e municípios.

Segundo o Ministério da Saúde, não é recomendada a vacinação de adolescentes sem comorbidades por conta de “evidências científicas que consideram o baixo risco de óbitos ou casos mais graves da Covid-19 neste público”, entre outros fatores. “Entre os adolescentes, de 15 a 19 anos, que morreram por Covid-19, 70% tinham pelo menos um fator de risco. Entre os mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 3,4% têm alguma comorbidade, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Esse número representa cerca de 600 mil jovens nesta faixa-etária”, diz nota divulgada pela pasta.

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“O Ministério da Saúde pode rever a sua posição, desde que haja evidências científicas sólidas em relação à vacinação em adolescentes sem comorbidades. Por enquanto, por uma questão de cautela, nós temos eventos adversos a serem investigados”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira. “Nós temos essas crianças e adolescentes que tomaram essas vacinas que não estavam recomendadas para eles. Nós temos que acompanhar esses adolescentes”.

Reportagem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, destaca a irritação de tais partes por não terem sido ouvidas – embora a consulta não seja obrigatória por lei, ela é feita por conta de seu impacto tanto no esquema de vacinação como no planejamento da imunização.

A decisão de Queiroga contraria o que foi anunciado pelo próprio ministério na segunda-feira (13/09), quando veio a público um “Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação”, elaborado em conjunto com os órgãos consultivos do ministério da Saúde, recomendando inicialmente a vacinação de adolescentes com comorbidades e, depois, os outros. Isso ocorreria depois que população acima de 18 anos fosse imunizada com a primeira dose.

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