O jogo político nos próximos quatro anos

Coluna Econômica

Poupado durante muitos anos, estigmatizado nos últimos, o senador e ex-presidente José Sarney continua sendo um dos mais argutos analistas da política brasileira. Razão, aliás, para sua notável sobrevivência política.

Sua análise do atual momento político é objetiva.

A última legislatura foi extremamente marcada pelo jogo político. Primeiro, porque haveria renovação de dois terços do Senado, a Câmara e a sucessão presidencial, despertando ambições maiores do que em outros períodos.

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SeguSegundo ele, houve um engano capital do PSDB, de achar que vencendo em São Paulo e Minas Gerais inevitavelmente faria a presidência da República. Não avaliou que se pela primeira vez um presidente com raízes muito profundas no povo. E raízes verticais, pegando todas as classes sociais.

Houve mais duas avaliações erradas. Uma, a de julgar que ele, Sarney, era peça importante de suporte a Lula. A segunda, uma campanha contra o PMDB, sem se dar conta de que metade do partido votava com o PSDB. Essas duas ofensivas acabaram por jogar o PMDB no colo de Lula.

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O próximo período será totalmente diferente do período Lula, pois marcado pela prioridade técnica-administrativa. Os primeiros anos do governo Dilma não serão políticos, mas de discussão administrativa sobre os problemas mais prementes do país, prevê Sarney.

O jogo político de apoio a Dilma terá dois personagens centrais. Na parte da macro-política, Lula; no varejo político, Antonio Pallocci,.

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Dilma colherá resultados positivos na melhoria da qualidade da aplicação de recursos públicos. Dilma não terá liderança política, que será substituída por um senso de autoridade inédito na cena política do país. Já colocou ordem no Ministério, para não ter brigas internas, e também na classe política.

Seu estilo – já claro desde os primeiros dias – será de coordenação, controle e fiscalização mas, sobretudo, de cobrança.

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Nos próximos anos, prevê Sarney, a oposição ainda será prejudicada pela divisão imposta pelo ex-governador paulista José Serra, que pretende ser candidato permanente à presidência, fundado em uma discutível analogia com Lula: se este perdeu três eleições e venceu a quarta, logo…

Mas Sarney considera que Aécio Neves já é o novo líder da oposição. Minas Gerais sempre teve enorme potencial no quadro político nacional, mas nas últimas décadas padeceu da falta de lideranças fortes.

Nesse período, o PSDB emergiu como partido eminentemente paulista, jamais perdendo a origem de ter sido dissidência do PMDB paulista. As consequências dessa disputa continuam. Nos demais estados, PSDB tornou-se apenas partido de registro de candidatos para eleições. Não tem nenhuma densidade fora de São Paulo. Aécio emerge fora dessa disputa original com o PMDB.

Existe ainda o fator Gilberto Kassab. Sarney o considera bom articulador político e julga que, com a morte de Orestes Quércia, poderia ser uma boa alternativa para o PMDB paulista incorporar novas lideranças, algo que nunca ocorreu ao longo de sua história, após o racha com o PSDB. 

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