O PMDB e o apoio parlamentar

Do Valor

Adesão do PMDB pouco afetou apoio parlamentar

Caio Junqueira, de Brasília
08/06/2010 

A formalização da coligação entre PMDB e PT garantirá à candidata petista a presidente, Dilma Rousseff, o maior tempo disponível entre todos os partidos no horário eleitoral gratuito, mas pode não assegurar a tranquila governabilidade idealizada pela campanha da ex-ministra da Casa Civil, caso ela seja vitoriosa nas eleições de outubro.

Um estudo sobre o grau de fidelidade dos partidos nas votações de interesse do governo na Câmara mostra um irrisório aumento do apoio do PMDB entre a legislatura passada e a atual, de 56,9% para 59,9%. Isso a despeito de, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os pemedebistas da Câmara assumirem uma postura de “independência” em relação ao Palácio do Planalto, transformado em adesão após a reeleição de Lula, inclusive com a ampliação para seis do número de ministérios (Agricultura, Comunicações, Defesa, Integração Nacional, Minas e Energia; e Saúde). Antes disso, apenas o “PMDB do Senado” era governista e, em troca, chegou a ter três Pastas (Comunicações, Minas e Energia e Previdência).

O levantamento também mostra que, mesmo tendo ampliado a base governista na Câmara de aproximadamente 270 para 370 deputados, a taxa média de fidelidade caiu entre os dois mandatos, de 52,6% para 50%. Os dados, da consultoria Arko Advice, registram todas as votações em que o governo tem interesse explícito no assunto, seja uma medida provisória, proposta de emenda constitucional ou projeto de lei. “Duas constatações chamam mais a atenção. O fato de o PMDB não refletir nas votações a condição de aliado preferencial do governo e a falta de correlação entre ampliação da base aliada e apoio em votos na Câmara”, diz o cientista político Cristiano Noronha, autor da pesquisa.

Somados os oito anos da era Lula, o partido mais fiel ao governo foi o PT (71,5%), seguido pelo PCdoB (66,5%), PR (64,4%), PTB (63,8%) e PSB (62,4%). Dividindo-se os números entre o primeiro e o segundo mandatos, verifica-se uma diminuição, entre as duas legislaturas, no apoio dos partidos que protagonizaram o escândalo do mensalão: PTB, PP e PR.

No mesmo período, vê-se que a sigla que mais aumentou o apoio ao governo nas votações na Câmara foi o PDT, que passou de 43,7% para 64,5%. Isso é resultado da concessão do Ministério do Trabalho ao presidente licenciado da legenda, Carlos Lupi. Esses dados refletem ainda a inflexão que Lula fez após o mensalão, no sentido de garantir o apoio de sua base sindical e colocar as principais centrais no mesmo campo político. Nas eleições de 2006, tanto Paulo Pereira da Silva quanto Lupi apoiaram o candidato adversário, Geraldo Alckmin (PSDB).

O comportamento da oposição nos últimos oito anos também merece destaque, uma vez que nesta legislatura houve maior antagonismo de seus deputados em relação à composição anterior. PSDB e DEM tiveram, entre 2003 e 2006, taxas médias de apoio na faixa de 19,4%. Já entre 2007 e 2010 elas foram, respectivamente, de 11% e 12,8%. “No primeiro ano do primeiro mandato, a oposição até ajudou o governo, pois havia uma agenda comum e Lula estava com o apoio da oposição. A partir dali isso não mais ocorreu. A oposição passou a obstruir mais as votações”, afirma Noronha. 

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