Um grande caldeirão de violência e as tantas formas de alimentar o fogo

Comentário ao post: Dilma presta solidariedade a policial agredido em São Paulo

Esse movimento Black Bloc brasileiro cada dia cresce mais, contra todos os prognósticos. Vi as fotos e fiquei muito impressionado com a quantidade de mascarados. Já está mais do que na hora de saber exatamente de onde surge isso e avaliar a legitimidade do movimento com mais seriedade. Para mim, tem influência externa. Com quais propósitos exatamente, eu não sei, mas tudo indica que o projeto é entrar 2014 cada vez mais forte, o bastante para, na época da Copa do Mundo, o movimento atingir proporções que podem representar um seríssimo obstáculo para uma boa organização do evento. Tudo isso tem relações com a eleição ano que vem. Tudo indica isso. Tem gente que, cansada de perder nas urnas, está apelando para a desestabilização. Virou mais do que uma moda. O grupo está cada vez mais articulado e com mais adeptos, ainda que isso não tenha atingido um ritmo mais rápido.

O negócio é mais sério do que se pode imaginar, acaso ocorra uma adesão de mais pessoas ao movimento. Ao que parece, o movimento Black Bloc ainda não tem ou não adquiriu a espontaneidade dos movimentos autenticamente populares. Isso porque, em condições normais de articulação, eles já teriam fortalecido ainda mais o movimento, o que está acontecendo a passos muito lentos. Essa lentidão em angariar mais adeptos mostra uma falta de diálogo com a sociedade e seus setores mais organizados. Ou seja, o Black Bloc brasileiro é desprovido de representatividade, o que imprime um caráter de clandestinidade, de marginalidade (na acepção do termo, de estar à margem da lei) ao movimento.

Cheira aos garotos de Yale, que se mudam para a Virgínia (entenda-se CIA), aprontando das suas na América Latina, especialmente no Brasil, o seu alvo predileto, por razões bastante óbvias. Se isso não fizer parte de um plano de desestabilização gestado no exterior, não sei mais o que seria. China investindo pesado no petróleo brasileiro não é algo que agrade aos EUA. É o poder tentando domar seus subordinados históricos, os quais, nos últimos anos, tentaram caminhar de forma mais independente. E o melhor ano para isso é mesmo 2014, onde o país será sede de um grande evento internacional (Copa do Mundo) e terá eleições para presidente. Estamos na ante-sala do que certamente irá acontecer em maior escala ano que vem. Essa é a tendência.

Eu estou achando tudo muito estranho, inclusive a reação da polícia militar. Para mim, é orquestrado. Estão fazendo caldeirão, jogando mais lenha na fogueira e exacerbando propositalmente o clima de revolta. A foto que eu vi do coronel apanhando é estranhíssima. Um coronel da PM ser espancado assim, no pleno comando da operação é, no mínimo, atípico. Para mim, foi estratégico ou premeditado. Busca uma justificação da radicalização da repressão aos Black Blocs tupiniquins, colocando mais lenha numa situação que já não é nada pacífica. Não encontro, no momento, outra explicação.

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6 comentários

  1. É só reparar no tipo físico,

    É só reparar no tipo físico, idade e modus operandi dos blacks. Tá escancarado que nada tem de movimento popular ali. E eles sempre souberam que a polícia e exército nada fariam de sério contra eles, já que a coisa é bem articulada. Só que, prá quem conhece a história das SA, que foram fundamentais na subida de Hitler ao poder, aqui tb o troço parece estar saindo de controle. Nossos SA e Ernst Rohm também terão que ser dizimados depois que quem os financiam chegarem lá, ou nos trópicos dá-se um jeitinho?

  2. Os “cara pintada”, de preto

    Nos movimentos de rua, de Junho 2013, o PIG pagou mico querendo condenar e depois elogiando esse movimento (Jabor) e, pior ainda, sem poder manipular. A Presidenta Dilma criou diálogo e aprofundou em diversas medidas, como: mais médicos, dinheiro do pré-sal para educação, mais mobilidade urbana, etc. Na época a Globo não conseguiu manipular, mas agora encontrou aqueles meninos mascarados, direitistas e anti-PT e, sem dúvida, o PIG quer montar um novo contingente de “caras pintadas” para tentar romper o jogo democrático, onde simplesmente estão levando de goleada.

    As campanhas são tão acirradas que conheço muita gente que manifesta que o PT deveria acabar, que está roubando muito, que o Lulinha é dono disso e daquilo; tudo isso criado e espalhado diariamente nas redes sociais. Embora, sem nenhuma contrapartida.

    Não existe mais ano eleitoral e ano para trabalhar. Todos os dias são eleitorais para o PIG e, também, todos são dias para tentar impedir que o Governo trabalhe. A luta é enorme e devemos estar de olhos abertos.

    Devemos manter o jogo democrático, exaltando as virtudes do Governo e da sua opção pelo social e pelo planejamento e desenvolvimento nacional, no qual muitos acreditamos, e fazer o contraponto perante a opção global neoliberal representada pelos tucanos e pelo sistema dominante mundial. O nosso alvo é esse poder oculto e, cada vez que seja preciso, chamar ao debate sobre o que está por trás. O povo precisa saber qual é realmente a opção política hoje definida apenas como anti-PT.

     

  3. ArgoloOs movimentos de rua

    Argolo

    Os movimentos de rua têm crescido em todo o mundo, e não é contra todos os prognósticos, como você supõe.

    O que você conclui: “o Black Bloc brasileiro é desprovido de representatividade, o que imprime um caráter de clandestinidade, de marginalidade (na acepção do termo, de estar à margem da lei) ao movimento.”, está dentro das características da maioria dos grupos anarquistas.

    Argolo, o seu último parágrafo é perfeito:

    “Eu estou achando tudo muito estranho, inclusive a reação da polícia militar. Para mim, é orquestrado. Estão fazendo caldeirão, jogando mais lenha na fogueira e exacerbando propositalmente o clima de revolta. A foto que eu vi do coronel apanhando é estranhíssima. Um coronel da PM ser espancado assim, no pleno comando da operação é, no mínimo, atípico. Para mim, foi estratégico ou premeditado. Busca uma justificação da radicalização da repressão aos Black Blocs tupiniquins, colocando mais lenha numa situação que já não é nada pacífica. Não encontro, no momento, outra explicação.”

    Apenas acrescento que a procura de justificação da radicalização da repressão não se dá apenas em relação aos Black Blocs e sim para toda e qualquer manifestação.

    O gás de pimenta jogado na cara dos professores no Rio de Janeiro, sentados e sem oferecer riscos, desferido por um major da Polícia exemplifica esta afirmação. A tentativa de se forjar um fragrante de um menor, que os vídeos que circularam na internet mostraram, de oficiais colocando “na cena do crime” rojões e incriminando o menor, idem.

     

  4. Assunto: (Nassif, pra que esse título nos comentários?)

    O que esses tais de bleque boques estão fazendo (sem saber, é óbvio), é provocando o fim das manifestações de rua. Porque toda vez que o professor, o estudante, o trabalhador pensar em organizar uma manifestação vai saber que vai ter essa confusão toda. Para o governo, a longo prazo é até bom, pois justifica-se a repressão policial e inibe a criação de movimentos legítimos de protesto de rua.

    E esses bleque boques achando que estão tentando “mudar o mundo”…

  5.    Um dos fundamentos do
       Um dos fundamentos do Estado é a repressão. Teoricamente ela visa a preservação da legalidade e só pode ser realizada dentro dos limites fixados pela lei. Os abusos cometidos pelos agentes de segurança contra os cidadãos podem e devem ser reprimidos. Na prática, entretanto, a repressão sempre foi um instrumento político nas mãos do governante para preservar as suas ilegalidades e para eliminar a desobediência civil (mesmo quando está é legitima). No Brasil, a repressão estatal sempre foi exagerada e tendeu a reduzir as liberdades políticas. Não raro os abusos cometidos pelos agentes de segurança ficaram impunes em virtude do sadismo, racismo e elitismo daqueles que acreditam ter o privilégio de mandar e de legitimar abusos contra a população. O resultado desta oposição entre a “teoria do Estado” e a “prática repressiva” sempre foi e é a “naturalização da violência”. Em todos os episódios de crise, o Estado brasileiro reagiu com extrema brutalidade e preservou a impunidade daqueles que mataram, torturaram e espancaram pobres para supostamente preservar a ordem. Os exemplos são muitos e vem desde os tempos da Colônia: massacra de tupinambas durante a Confederação  dos Tamoios (1554/1567), destruição do Quilombo dos Palmares (1694),  combate aos Cabanos (1835 a 1840), aos Malês (1835), aos Farrapos (1835 e 1845),  aos Balaios (1838 a 1841), aos  Quebra Quilos (1874/1875),  aos habitantes de Canudos (1896/1897) e, mais recentemente, aos comunistas (Estado Novo a partir de 1937, Ditadura Militar após 1964). Em todos estes episódios os revoltosos também utilizaram violência contra os agentes da repressão, legitimando o crescimento da mesma por causa do apoio dos colonos, dos aristocratas, dos brasileiros “bem nascidos” e católicos.  Nos últimos meses temos visto as PMs paulista e carioca reprimirem de maneira extremamente brutal manifestações populares organizadas por causa da incompetência e desonestidade de Sérgio Cabral e Geraldo Alckimin. Para cada PM machucado dezenas, as vezes centenas de pessoas, são agredidas, espancadas, intoxicadas com gás e atingidas com tiros de borracha disparados pelos agentes de segurança. Os abusos policiais tem sido frequentes e só despertam verdadeira reação da imprensa quando um jornalista é atingido. Em geral, a mídia tem desqualificado os manifestantes, legitimando a “naturalização da violência” policial. Alguns jornalistas clamam por mais repressão, por mais violência estatal e acusam os governadores de serem muito tolerantes. Na sexta-feira passada, 25/10/2013, durante um conflito de rua o  Coronel da PM paulista Reynaldo Rossi  foi agredido e sofreu uma grave lesão. Os autores da agressão foram mascarados supostamente ligados ao Black Bloc. A imprensa noticiou fartamente o ocorrido enfatizando a brutalidade cometida contra o policial e se esquecendo da violência praticada sob seu comando. Sempre critiquei a violência policial e lutei pela punição dos agentes de segurança que cometem excessos. Nem por isto vou dizer aqui que a violência praticada contra um coronel da PM é legítima. Apesar de compreensível (em razão raiva que os abusos impunes cometidos por policiais paulistas despertam nos manifestantes), a agressão contra Reynaldo Rossi foi ilegal e certamente produzirá consequências indesejadas pelos manifestantes. Mesmo que o autor da agressão não seja localizado e pessoalmente punido (mediante acusação, processo, condenação e prisão), o episódio será doravante utilizado nos quartéis da PM para instigar os policiais contra os manifestantes e na imprensa para legitimar maior e mais eficiente repressão contra os mesmos. Prisões em massa irão ocorrer nas próximas manifestações, agressões mais graves serão praticadas pelos policiais e o uso de armas de fogo contra os manifestantes e membros do Black Bloc é uma possibilidade que não pode ser descartada. Os exemplos da História do Brasil acima citados autorizam esta interpretação. A violência popular contra agentes do Estado nunca foi tolerada e nos últimos 500 anos sempre acarretou mais violência repressiva e maior impunidade dos abusos cometidos em nome de uma suposta preservação da lei e da ordem. É por isto que não creio que o episódio de sexta-feira seja um indício de revolução. No limite ele apenas demonstra a obediência do Black Bloc ao sistema repressivo brasileiro, na medida em que seus membros forneceram ao Estado o pretexto que o mesmo precisava para destruir as manifestações e limitar ainda mais as liberdades políticas da população. 

  6. Concordo plenamente com a

    Concordo plenamente com a análise , mas o objetivo mnão é a Copa, o objetivo são as eleições de 2014,

     a destruição da Copa será uma forma de tentar melar as eleições, ou fazer algum fantoche de interesses escusos tipo BlaBlarina ganhar as eleições. Nenhuma democracia séria do mundo ficaria parada enquanto movimento tipo Black Bloc vão destruindo seus fundamentos.

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