A censura de professores sob pretexto de “ensino ideológico”

Grande queima de livros pelos nazistas em 1933

Do Viomundo

Grupo da USP denuncia Abril, Globo e projeto tucano de censura a professores

Grupo de Estudos sobre Marx (GMarx) – USP *, sugerido por Antônio David e Carlos Quadros

O que seria o “ensino ideológico”? O que seria o “assédio ideológico”?

Estas duas questões se colocam com a tramitação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei (PL) 1411/2015, o qual prevê condenação ao “assédio ideológico” no ensino no Brasil. O PL é de autoria de Rogério Marinho (PSDB). Nas suas palavras: “A escola e o ambiente acadêmico precisam ser blindados de qualquer assédio ideológico e partidário, um crime covarde. É preciso garantir a liberdade de aprender”.

No Rio de Janeiro, o Deputado Flavio Bolsonaro já tinha apresentado em 2014 o PL “Escola sem Partido” para defender o “direito dos pais a que seus filhos menores não recebam a educação moral que venha a conflitar com suas próprias convicções“.

Sabemos que certos “moralistas” querem mesmo é um homeschooling homofóbico e racista. O ridículo das propostas costuma levá-las ao esquecimento em condições “normais”, mas num ambiente político em que o Congresso Nacional reverte até direitos trabalhistas e sociais que também julgávamos conquistados, qualquer pantomima fascistoide de um parlamentar nos preocupa.

O ambiente escolar e acadêmico são alvos privilegiados do assédio ideológico e partidário, ao menos nas gestões tucanas em São Paulo e no Paraná.

O aparelhamento (e sucateamento) da Universidade de São Paulo após vinte anos de governo do PSDB é notável, como, ademais, se dá em outras instâncias do estado. Estão frescas na memória de muitas e muitos as cenas bárbaras protagonizadas pela polícia de Beto Richa nas ruas de Curitiba contra os professores em greve. Não houve qualquer panelaço revoltado em seu nome!

A PM de Alckmin não fica para trás: a forte repressão das greves estudantis de 2009 e 2011 na USP com direito a cavalaria, esquadrão anti-bombas, choque e soldados suficientes para cercarem homem a homem o prédio da reitoria e o CRUSP foi digno da ditadura militar, deixando claro um dos mecanismos de funcionamento da democracia racionada.

Tampouco estes estudantes tiveram qualquer solidariedade, antes sofreram represálias da grande imprensa e dos sensacionalistas! A tática do governador agora é, para além da repressão, a negação da existência da greve de professores (assim como o faz com a crise hídrica). A negação é um dos estágios do luto…

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Outra expressão da manipulação ideológica no ambiente acadêmico se dá através dos critérios das agências de fomento à pesquisa.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo, também é uma instituição dos vinte anos de aparelhamento do estado pela direita tucana.

A seleção ideológica de direita ali se vale de camuflagem científica, a qual se opera através da desqualificação de estudos marxistas, os quais são acusados de não serem científicos por conterem princípios ideológicos.

Misturam-se a ignorância e a má fé nesta argumentação!

Toda e qualquer abordagem científica carrega ideologia em seu bojo. O referencial teórico marxista é caracterizado por um severo grau de cientificidade, justamente por reconhecer e assumir que é construído através de uma visão de mundo e com vistas a uma intervenção neste mundo.

Retornemos ao “ensino ideológico”.

De acordo com a direita brasileira, todo e qualquer ensino questionador, orientado teoricamente, com posição política do docente assumida, seria ideológico.

Ora, reproduzir o senso comum e impedir que as coisas mudem, não é um assédio ideológico? Não é uma posição política? A manutenção do status quo, ainda que dissimulada por um falacioso discurso de neutralidade, é sem dúvida um assédio ideológico. A ideologia, como a política, está em tudo!

Na justificação do PL 1411/2015, assim escreveu o deputado Rogério Marinho:

“A forma mais eficiente do totalitarismo para dominar uma Nação é fazer a cabeça de suas crianças e jovens. Quem almeja o poder total, o assalto à Democracia, precisa doutrinar por dentro da sociedade, estabelecer a hegemonia política e cultural, infiltrar-se nos aparelhos ideológicos e ser a voz do partido em todas as instituições. Para eles, é preciso calar a pluralidade, a dúvida saudável e substituir a linguagem, criando um ambiente onde proliferam mitos, inversões, clichês, destruição de reputações e conflitos desnecessários. Para o totalitarismo vingar, é preciso destruir a coesão social e as tradições da sociedade. Por isso, partidos autoritários necessitam calar a imprensa e os meios de comunicação, dominar o sistema de ensino, estabelecer a voz única, enfim, a hegemonia decantada por Antônio Gramsci (filósofo e político Italiano – 1891-1937). Esse expediente estratégico foi utilizado para a conquista e manutenção de poder dos fascistas, nazistas, comunistas e ditadores por várias nações. Hegemonia política significa que a voz do partido deve ser ecoada em todos corações. Por isso, a propaganda desonesta, o marketing mentiroso, a idolatria por indivíduos, a falsificação da realidade e a tentativa de reescrever a História, forjando o passado.” Narciso apenas consegue enxergar o seu espelho!

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O projeto de lei deste parlamentar tucano não se caracteriza, justamente, por calar a “pluralidade” e a “dúvida saudável” ao censurar os profissionais formados para suscitar o espírito crítico na escola, seu lugar de excelência?

Talvez a tarefa de pensar e intervir na sociedade para o deputado caiba apenas aos meios de comunicação amigos de seu partido. O pensamento único se manifesta neste assédio ideológico que é tal PL!

É a “falsificação da realidade” que Marinho acusa. Assalto à democracia através da mentira e deturpação conceitual (comentar a sua leitura capciosa de Gramsci seria desperdício de tinta).

A Revista Veja, anos atrás, veiculou matéria denunciando o que chamou de “doutrinação marxista”.

Quando tentaram restringir a sala de aula brasileira de “conteúdos políticos”, em nome da defesa nacional contra “o perigo vermelho”, o que se viu foi a exclusão da Filosofia e da Sociologia do currículo, bem como a deturpação da disciplina de História, em nome das intervenções ideológicas, travestidas de disciplinas escolares, chamadas de Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira.

Duplo assédio: ideológico no colégio, físico e direto nas ruas! Aquelas disciplinas só serviram a um fim: produzir livros didáticos de baixa qualidade escritos por militares que se locupletaram juntamente com empresas editoriais.

A Rede Globo, com as palavras de Ali Kamel, também denunciou “conteúdo subversivo” em seus órgãos. Os interesses da Editora Abril e da Globo conseguem ser menos nobres ainda do que os dos setores golpistas em 1964!

A sua estratégia macarthista, para além de agradar o gosto de seu público imbecilizado, corresponde aos interesses de grandes grupos produtores de material didático, em que se incluem os próprios conglomerados citados, tendo em vista retirar de mercado livros já consolidados no Ensino de História.

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A escola também é, por definição, um espaço de formação, tal qual a família ou a religião do aluno (para aqueles que professam alguma fé). E formação é um momento de construção de pensamento crítico.

Enganam-se, e enganam aos outros, aqueles que acreditam que a liberdade de aprendizado se opera em uma sala de aula censurada. A ideologia hegemônica não é imposta por professores e professoras, de resto espancados e mal pagos, mas sim por organismos midiáticos que, apoiados em concessões públicas ou em vultosas assinaturas para distribuição de seus escritos no ensino básico, possuem a plena liberdade para a mentira. Eis o real assédio!

Contra a escola sem partido, preferimos a sala de aula sem censura!

PS do Viomundo: O Gmarx surgiu em 2009 como grupo de pesquisa com o objetivo de discutir os vários marxismos no âmbito da Universidade. Ele congrega estudantes de graduação e pós-graduação, professores universitários, mas também estudantes ou autodidatas de fora da universidade.

O Gmarx se posiciona publicamente na defesa dos valores humanistas, da educação pública gratuita para todas as pessoas, a favor de cotas e procura integrar prioritariamente mulheres e negros, reconhecendo suas dificuldades em atingir tais objetivos.

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22 comentários

  1. Lavagem cerebral.

    Parece que a sociedade toda passou por uma lavagem cerebral, projetos com os mais absurdos conteúdos são propostos sem a menor resistência e discussão séria. Intelectuais, professores e alunos pouco reagem a tanta estupidez. Parece que o mercado é o Grande Irmão, idolatrado pela mídia putrefata e partidos mesiânicos fundamentalistas, onde tudo que discorda dessa sopa é corrupto e pervertido. 

  2. Escolas privadas costumam

    Escolas privadas costumam ensinar empreendedorismo e gestão financeira (algo como “cuide de seu dinheirinho”), antes de participação democrática política, a seus alunos desde o 1o. grau. Conheço algumas assim. Se isso não é ideologia, não sei o que é…

    •  Ensinar empreendedorismo

       Ensinar empreendedorismo também não seria  “doutrinação ideológica”? Isso pode?

      Para a turma do Escola Sem partido pode, né? Só não pode  ideologia de esquerda. 

      Santa hipocrisia, Batman!

  3. Educação moral e Cívica

    Se fosse só a ideologia que quisessem retirar dos curriculuns escolares, ainda estava bem. Retiraram tudo. Hoje em dia a função de uma escola parece só ser ensinar a ler e a escrever.

    Se o leitor atento, perceber, a violência nas escolas começou a explodir, após terem tirado do currículum matérias como Educação Moral e Cívica. Apesar de ser uma matéria muito criticada pelas esquerdas, ela dava alguns parâmetros para se conviver em sociedade. Respeito a hierarquia, aos mais velhos, respeito à autoridades, às leis. Tudo isto é essêncial, para que se consiga ter uma Civilização. Senão voltamos à barbárie, onde não existem leis, ou cada um faz o que quiser. Ou seja,  estamos rumando para isto, infelizmente.

    Se o aluno não aprende regras de moralidade em lugar nenhum, como podemos cobrar deles que saibam?

    Hoje em dia, um aluno termina o ensino médio sem saber ler direito, interpretar um texto, ou fazer contas. Pior ainda, não sabe fazer um curriculum vitae, não sabe se portar em uma entrevista de emprego, e muitas vezes nem parar em um emprego, pois isto implica respeitar autoridade, e conhecer regras de civilidade.

    Talvez também isto explique porque temos tantos viadutos caindo, por erros de engenheiros, tantos erros médicos, tantos prédios desabando por erros básicos de cálculo de engenheiros mal formados, e por que temos tantos políticos que nada sabem sobre administração se atrevendo a administrar um país de dimensões continentais como o nosso.

    O que falta neste país é Educação. São órfãos de pais vivos, órfãos de um, sistema que proíbe de educar.

    Nada a estranhar. Num país, onde o legislativo proíbe professores de ensinar sobre religião e sequer citar ideologia sob pena de ser preso, a educação que nossos jovens e adolescentes estão recebendo é nenhuma. Principalmente no que diz respeito a preceitos morais. Na época da ditadura, pelo menos tinhamos educação moral e cívica nas escolas mas hoje tiraram até isto do povo.

    Há um vácuo de poder, na educação, e nenhum vácuo de poder fica vazio por muito tempo.

    Os pais não ensinam, a escola não ensina, o sistema não ensina, o governo não ensina, e aida proíbe de ensinar. No fim quem acaba educando a juventude são os bandidos, são os traficantes da rua.

    Por incrível que pareça, a mídia incentiva o retrocesso da educação, como se fosse maravilhoso proibir os professores de falar, de ensinar, de educar. Nem na idade média tivemos tamanho retrocesso, pois naquela época, ensino religioso e de moral ainda existia.

     

    “Quem abre uma escola, fecha uma prisão”

    Victor Hugo

      • Não concordo

        Cara Lúcida.

        Não concordo. Já assististe alguma das aulas de Educação Moral e Cívica que haviam naquela época?

        Eu assisti, e muitas, sou daquele tempo. Primeiramente, nenhum patriotismo é idiota. Veja a falta de patriotismo do PSDB de hoje, entregando o pre sal para a Chevron. com certeza, o patriotismo neste caso faz uma falta imensa, e por mais que eu deteste a ditadura, na minha opinião, o patriotismo é bom sim.

        Nas aulas de Educação Moral e Cívica, falavam muito contra as drogas; Falavam sobre respeito a hierarquia, respeito À autoridade; aos mais velhos; respeito  às mulheres. Ensinavam valores, educação, convivência civilizada. O que se pode, e o que não se pode fazer em sociedade. Ensinavam parâmetros.

        A sociedade começou a decair na barbárie coletiva, a partir da retirada deste tipo de matéria dos curriculuns. A partir daí que alunos começaram a espancar professores em sala de aula, antigamente, isto era inadmissivel. Antigamente, bulling era proibido dentro do colégio, era o “te pego na saída”. Hoje em dia batem nos colegas dentro da sala de aula mesmo, e não dá nada. Antigamente, havia suspensão, expulsão para quem desafiasse a autoridade, hoje em dia, professor não tem autoridade alguma, é um zero a esquerda. Acha isto bom?

        Não sei se tive um bom professor de Educação Moral e Cívica e a maioria não teve, mas eu amava esta matéria.

        A questão é a seguinte, se não ensinarmos aos jovens sobre regras de convivênca, de civilidade, e de respeito, eles não saberão. Os país com certeza não ensinarão, em sua grande maioria. Por fim, quem acaba educando eles, é a TV, são os colegas de escola, é o traficante da esquina,

        • Infelizmente tb tive que sofrê-las

          Comentando outras coisas que vc disse:

          1) Nacionalismo é uma coisa, patrioteirismo (hino, bandeira, caralho a quatro) é outra muito diferente. Patrioteirismo só serve para favorecer militarismo.

          2) Respeito à hierarquia? Vc acha mesmo que isso é tao bom? Discordo bastante. Uma coisa é respeito humano, de uns para outros, quaisquer que sejam esses outros. Outra, tb muito diferente, é respeito a “superiores”, otoridades, etc.

          3) Aulas nao têm poder mágico de transformar pessoas. As causas da diferença de comportamento hoje e antes na escola sao muitas, têm a ver com mudanças na sociedade, e nada têm a ver com a existência de uma disciplina.

          • Respeito a sua opinião

            Respeito a sua opinião, cara Lúcida, embora discorde. Sei, você é anarquista, então deve acreditar num mundo sem hierarquia.

            1 Sim, nacionalismo e patriotismo são diferentes. Mas um influencia o outro. Patriotismo é uma religião quase, que impede os poderes e as instituições de tramar contra o próprio país. Realmente isto não existe mais no Brasil, tudo está sendo entregue aos estrangeiros. O patriotismo é a manifestação física do nacionalismo. Ficaria difícil ensinar o nacionalismo, então inventaram uma espécie de religião, chamada patriotismo. É ista religião  também que impede militares de se amotinarem contra seus superiores.

            2 Poderia contra argumentar, que nehuma civilização, mesmo as mais antigas, como os Incas, ou grandes Impérios, viveram ou vivem sem hierarquia. Na verdade nem uma comunidade tribal vive sem uma hierarquia, a anarquia é uma utopia. Sem hierarquia viveria-se uma barbárie. Mas respeito sua opinião.

            O caos instalado no Brasil, sob o nome de “republicanismo” onde todos tem poder para fazer o que quiserem, mas “misteriosamente” escolhem atacar sempre o PT, nada mais é do que uma lamentável falta de hierarquia. Ministros do STF, Ministerio Público, PF,  etc, todos vivendo numa independência  constante, que termina sempre na queda do governo de esquerda do poder, para retomar a hierarquia de direita. Acha isto bom?

            Imagine um quartel com todo mundo armado, sem hierarquia. Parece perigoso? Ou deveriamos banir os quarteis? A Líbia fez isto antes de Kadafi morrer, acabou com seu exército, e hoje após a queda do Governo, o país está num caos tão grande que nem há mais país. Não tem mais exército para unificar o país, e vários grupos terroristas disputam o poder a tiros na Capital do país. Parece assustador.

            3 Aulas não tem poder sozinhas de transformar ninguém, mas influenciam. Sim, a sociedade mudou, perdemos o respeito à hierarquia, a autoridade, à moral e bons costumes, mas de pequenas mudanças como o banimento de Educação Moral e Cívica, junto com dezenas de outras pequenas mudanças tivemos uma grande mudança para pior, na sociedade.

            Nenhuma pequena mudança é desprezível para melhorar um país.

             

             

             

          • Me desculpe, Zé, mas vc está preso a velharias sem sentido

            Nao estou falando que princípios sao velharia, de jeito nenhum. Mas esse tipo de manifestaçoes externas, e o discurso que vc está proferindo, sao.

          • Arcaico vs novo

            Não tem de que se desculpar, cara Lúcida. É a sua opinião, eu respeito.

            A minha opinião, é que o mundo não se divide entre costumes antigos, e costumes modernos, mas entre costumes que funcionam, e que não funcionam. Num país onde todas as instituições, estão em crise, a sociedade está caminhando para  um caos e para a barbárie, se os costumes antigos funcionarem, então também serão válidos. O importante é resolver. O rótulo é de menos.

             

             

  4. o que eles realmente querem

    O que a direita quer é um rebanho de gente que não questiona nada e aceita tudo como verdade.

    Que servam somente para dar lucro!

    O estrago já esta feito e ainda querem amplia-lo.

    È so ver o esta acontecendo na maioria das familias e no ambiente de trabalho. Como tem gente mediocre e com baixa cultura! Como é lamentavel !

    Felizmente estudei em escolas em que podiamos discutir todos os assuntos. O ambiente familiar também ajudou, é verdade.

    NUNCA teve assuntos proibidos

    PS – concordo plenamente o descrito sobre o estado lastimavel da USP e demais estaduais, Para um ex-uspiano ( com muita honra) é lastimavel o que esse mediocres estão fazendo.

     

     

  5. Quanta ‘gente boa’ apoiou o

    Quanta ‘gente boa’ apoiou o Nazismo!
    Quanta ‘gente boa’ apoia o golpe sem se dar contas.

  6. Um absurdo

    Esse projeto que democraticamente garante ao jovem o acesso ao conhecimento, que disciplina que professores a serviço do Estado tenham que explanar, de discutir democraticamente os lados positivos e negativos de cada filosofia política, de cada sistema econômico, não se prestando ao papel de propagandistas de suas próprias convicções, sejam elas de qual espectro forem certamente não seria aprovado nem pela Assembléia Popular Suprema da Coréia do Norte e nem pela Assembléia COnsultiva Islâmica do Iran.

    Nenhum ponto do projeto diz que não se pode ensinar Marxismo ou Liberalismo ou qualquer outra coisa, muito pelo contrário, simplesmente que o jovem tem que ter acesso pleno a todo o conhecimento e o direito de formar seu livre convencimento, sem assédio.

    • Isso a escola já faz. Vê-se

      Isso a escola já faz. Vê-se que há muitas décadas você não frequenta uma sala de aula, se é que frequentou um dia.

      Não sei de onde essa turma de desocupados tirou essa ideia maluca que professor  fica “doutrinando” ideologicamente os alunos. Quem conhece a realidade do ensino de hoje sabe que que é um verdadeiro desafio  para o professor fazer o aluno se interessar por qualquer coisa que não seja seu próprio umbigo.  Professor nenhum tem esse poder hipnotizador sobre sua turma. Sim, porque parece que o professor é um hipnotizador malvado que enfia marxismo na cabeça desavisada  de aluninhos bobinhos e indefesos.

      O objetivo de projetos do tipo Escola Sem Partido é promover  caça às bruxas, nada mais. Além da indisciplina, desrespeito, baixos salários, mais um problema para atormentar a vida tão sofrida do professor brasileiro.

  7. A ladeira não termina?

    A escola é uma instituição assediada em todo o mundo para se tornar inútil. Vejam só: os Estados Unidos da América conseguiram destruir seu sistema de ensino, que era um dos melhores do mundo, em apenas 25 anos, a começar em 1968! No Brasil, quem não se lembra do pecado original, o acordo MEC-USAID de 1965 e a reforma do ensino nacional de Jarbas Passarinho (superior em 1967 e básico em 1972), que destruiu completamente o que viria a ser um dos melhores sistemas de educação do mundo, se tivesse sido permitido às sementes plantadas por gente como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo et al. germinar. Hoje, na Rússia, alguns “liberais”, que na verdade não passam de uma quadrilha de criminosos, também estão propondo a destruição do ensino, que até agora mantém alguma qualidade. Até mesmo a Finlândia, que é retratada em todo lugar como o maior êxito educacional do mundo, na verdade não passa de um laboratório de experimentação em políticas de educação (tiram-se as ciências do currículo e se ensina às crianças “economia doméstica”, “vegetarianismo”, “educação sexual”, etc. etc. etc.)

    50 anos de degradação do ensino no Brasil! E por falar em educação, a quantas anda a família brasileira? A escola cumpre menos de 50% do papel educacional. A parcela mais importante da formação é dentro de casa, na família, e também nas demais relações que se estabelece. Que valores “pairam no ar” neste momento em nosso país? As redes de televisão exibem que tipo de programas, edificantes ou bestializantes? Além disso, a juventude quase que inteira está enchendo a cara, se esbaldando em cerveja, em drogas de toda espécie… Nossos governantes se comportam como canalhas diante de toda a população do país, sendo o pior exemplo que poderiam ser para a desmoralização completa de nossa sociedade.

    É, meus camaradas, talvez censurar professores seja a última pá de cal no ensino brasileiro…

  8. tenho sede de conhecimento
    Tenho ainda muito desejo de aprender sobre qualquer assunto,coisa que não tive no decorrer do meu currículo escolar ,por vezes aprendendo assuntos supérflua ou ter total desinteresse ,infelizmente.

  9. + comentários

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