#DebatecomLula tenta sanar ausência de propostas do PT em debate


Foto: Ricardo Stuckert
 
Jornal GGN – Enquanto o primeiro debate presidencial da TV nas eleições 2018 converteu o nanico Cabo Daciolo (Patriota) em polêmica estrela de repercussão nas redes sociais, dedicou boa parte de seu tempo às propostas do tucano Geraldo Alckmin e abafava a participação de Boulos (PSOL), raramente consultado por seus adversários ou por jornalistas da Band, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila traziam voz ao Plano Lula para presidir o país.
 
E quando milhões de brasileiros estavam sintonizados na Band, para acompanhar as propostas dos presidenciáveis exceto Lula, Haddad e Manuela, o único participante a lembrar e mencionar a ausência forçada do ex-presidente na sabatina foi Guilherme Boulos: “Boa noite ao ex-presidente Lula, que deveria estar aqui, mas está preso em Curitiba enquanto Temer está solto em Brasília”, disse.
 
Em evento paralelo, o PT tentou sanar a ausência do ex-presidente ou do próprio vice, Fernando Haddad, nos estúdios da Band. Com uma produção que incluía vídeos de Lula em entrevistas sobre diversos temas e comentários de Haddad, Manuela, da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e do coordenador-geral da campanha Sergio Gabrielli, o #DebateComLula reproduzido nas redes sociais iniciou com a leitura de uma carta de Lula, criticando o seu impedimento de participar do debate da Band.
 
“De acordo com o Código Eleitoral, com a Constituição, o candidato, ainda que tenha contestada a candidatura, deve gozar de todos os direitos dos demais candidatos. Não é um favor, é uma prerrogativa legal”, leu Haddad. “Querem tirar Lula da disputa e nós vamos até as últimas consequências para levar Lula ao terceiro mandato”, mencionou o candidato a vice, em outro momento.
 
Sobre a ausência de Lula e o impedimento forçado do ex-presidente de participar da disputa eleitoral, Manuela D’Ávila também comentou que “o povo vai percebendo que Lula está preso porque todo mundo sabe que ele vai ganhar a eleição”. “Serão milhares de Lulas nas ruas”, acrescentou.
 
Apesar de as perguntas para Haddad e Manuela não estarem sincronizadas com os temas levantados no programa de televisão, o primeiro bloco da Band teve como predominância perguntas sobre reformas fiscais e economia. 
 
“Para reaquecer a economia, a proposta de Lula é retomar o que ele já fez: aumentar o crédito, gerar emprego, retomar as obras paradas em todo o país. Gerar emprego faz a economia rodar, e o país sai da crise”, lembrou Haddad no debate paralelo. 
 
Foi quando surgiu o tema da PEC do Teto, promulgada pelo atual governo Temer, que congelou os gastos públicos por 20 anos, incluindo investimentos sociais, em saúde e educação. “Congelar investimentos não funciona. Nesses dois anos de golpe, Temer e seus aliados fizeram o test drive das propostas deles, à força, e não deu certo”, apontou Manuela.
 
Também em contraponto ao que havia sido dito nos estúdios da Band, como o defendido por Bolsonaro, Alckmin e Meirelles, Haddad rebateu que “o contrário do que pensam outros candidatos, é possível gerar empregos e manter direitos trabalhistas”. 
 
Relembrando que entre as declarações mais polêmicas da televisão, a de Bolsonaro logo no início do debate afirmando que “o trabalhador vai ter que decidir um dia: menos emprego e mais direitos ou mais emprego e menos direitos”, Haddad contrapôs minutos depois: “Os governos do PT geraram 20 milhões de empregos, reativando a economia e fazendo-a crescer”.
 
“O Lula me dizia: ‘Haddad, se você lucrar e dar crédito, você faz uma revolução no país. Se não fizer a riqueza circular, a coisa não prospera. Você educa e dá crédito, você resolve qualquer problema”, continuou. “Foi justamente patrocinando uma melhoria nas condições dos mais pobres que fizemos a economia crescer. Sem precisar cortar nenhum direito dos trabalhadores.”
 
Outro tema central foi a saúde, levantado com o dado de que a mortalidade infantil cai 45% entre 2002 e 2015, durante a gestão do PT, e que estes níveis voltaram a crescer com o golpe. Um trecho de entrevista de arquivo de Lula defendendo o Farmácia Popular, o Brasil Sorridente e outros programas foi inserido.
 
A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, chegou à entrevista realizada pelo partido momentos depois, justificando que havia ido ao Debate na Band para protestar contra a ausência de Lula. “A TV não pode achar que é normal que o candidato que está na frente das pesquisas seja proibido de participar nos debates. Isso é censura”, disse, ao retornar.
 
Passado pouco mais de uma hora do início do debate na Band, quando os próprios telespectadores começaram a criticar nas redes sociais a monotonia das declarações, Haddad falou sobre as cargas tributárias, tema recorrente na televisão. “O pobre no Brasil paga mais imposto que o rico, proporcionalmente. Vamos inverter. Vamos voltar a cuidar do pobre no orçamento e mudar a composição da carga tributária. Lula está propondo que quem ganha até 5 salários mínimos não pague imposto de renda”, apontou.
 
Ao mencionar políticas de comércio exterior, foi a vez de Gleisi ressaltar os resultados do ex-presidente: “Fortalecemos nossas relações com a América Latina, África, China e a Rússia. Lula respeita e é respeitado internacionalmente”. 
 
Ao citar os programas de enfrentamento da violência doméstica e familiar e dos investimentos nas políticas para as mulheres, programas sancionados pela Lei da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a Lei Maria da Penha, Gleisi criticou o fim desses investimentos com Temer. Para Manuela D’Ávila, o problema é mais grave: “Defende a reforma trabalhista? Então, não defende as mulheres. Defende a PEC do Teto, então, não nos defende. Defende as mulheres quem luta por creches, empregos, escolas”, resumiu.
 
Sobre educação, Haddad lembra que desde as gestões petistas a “universidade mudou de cara, a educação básica melhorou”, e disse que o Plano de governo Lula vai recuperar o ensino médio, que estagnou. “Ele quer começar com as 500 escolas com condições mais precárias, fechando acordos de cooperação”
 
“Foi uma honra de ter sido ministro da Educação do Lula. Ele chegou dizendo que não tinha diploma, que não teve acesso e se tornou presidente. E dizia: ‘Haddad, imagina a revolução que vai ser quando essa molecada tiver diploma?'”. Já para a Educação Superior, uma das propostas é mudar a Lei do Estágio para favorecer negros e mulheres, “e também mudar a regra de bolsas da pós graduação”. “O que o Lula quer é incidir na porta do mercado de trabalho”, completou.
 
Acompanhe como foi o debate:
 
https://www.youtube.com/watch?v=E0BF4urVZKU width:700 height:394
 
A íntegra das propostas do governo Lula foi disponibilizada no Plano de Governo do ex-presidente. Acesse aqui.
 
 
 

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