Jornal Nacional cobra Ciro por fazer parecer “simples” a promessa de tirar endividados do SPC

Combate à corrupção, Lava Jato, Lula, frente de esquerda, Kátia Abreu como vice e problemas de segurança no Ceará marcaram a entrevista do candidato do PDT à bancada do JN nesta segunda (27)

Jornal GGN – Na noite desta segunda (27), a bancada do Jornal Nacional tentou enquadrar Ciro Gomes (PDT) por fazer parecer “simples” a promessa de campanha que repercutiu após os debates entre presidenciáveis, que é retirar milhares de brasileiros do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) por meio de uma espécie de refis, programa de refinanciamento de dívida.

Os apresentadores insinuaram que a simplicidade com que Ciro trata o tema seria uma forma de enganar a população, pois o eleitor poderia pensar que o candidato teria condições de, sozinho, “eliminar a dívida dele”, desconsiderando o papel dos bancos privados nesse processo. “Você fica tranquilo com essa interpretação?”, questionou William Bonner.

Ciro respondeu que a promessa só ganhou projeção por conta do modo como passou a ser tratado por adversários políticos, que “ficam pirados” quando alguém promete “qualquer coisa para pobre”. “Eu honro a minha palavra. A palavra que eu digo é essa: eu vou ajudar a tirar seu nome do SPC”, reafirmou Ciro.

Segundo o presidenciável, há cerca de 63 milhões de brasileiros com o nome sujo e isso mostra que há um problema sistêmico. Em sua visão, é possível reduzir a 12% os juros exorbitantes praticados em cima dos passivos, que chegam a 500%, disse. Como o valor médio das dívidas é de R$ 4 mil, com negociações, poderia cair para R$ 1,2 mil e ser pago em prestações de R$ 40. 

Ciro disse que essa proposta é necessária para reativar o motor da economia e gerar emprego. Ele ainda ironizou a perplexidade com que alguns setores tratam do refis para endividados quando há “refis de dívida de rico e ninguém diz nada.”
 
O presidenciável ainda entregou, “em primeira mão”, um livreto explicando a proposta com mais detalhes, preparado por sua equipe de campanha. William Bonner recolheu o documento e Renata Vasconcelos usou da situação para reafirmar a opinião da bancada do jornal, dizendo que, de fato, não se trata de uma promessa “tão simples” de tirar do papel, “”tanto é que precisa de um livreto”.
 
CORRUPÇÃO, LAVA JATO, LULA, KÁTIA ABREU
 
A entrevista de Ciro ao JN foi marcada, nos primeiros minutos, por uma série de perguntas envolvendo combate à corrupção, Lava Jato, reforma do Judiciário, denúncias contra o presidente do PDT Carlos Lupi e Lula.
 
Logo na abertura, o JN repercutiu, sem citar fonte, a entrevista concedida com exclusividade por Ciro a Luis Nassif, no canal do GGN no Youtube. Ela ganhou repercussão na grande mídia porque o pedetista afirmou que receberia a turma da Lava Jato “à bala” se fosse alvo de abuso de autoridade. Na entrevista, Ciro explicou que o Direito brasileiro permite que qualquer cidadão reaja em legítima defesa quando acusado de crime que não cometeu. No JN, ele esclareceu que essa fala vem sendo usada fora de contexto.
 
Os apresentadores do JN também se esforçaram para fazer parecer que a proposta de Ciro de reformar o papel do Ministério Público e do Judiciário vai na contramão da opinião pública, porque “os brasileiros” demonstram “apoio” às institutições por causa da popularidade da Lava Jato.
 
O pedetista disse que é um homem com ficha limpa e que apoia a investigação. Mas ressaltou que a Lava Jato “tem que ser equilibrada, e do lado do PSDB não tem nenhum na cadeia” e o povo já percebeu isso. Ele também afirmou que a força-tarefa comete “muitos abusos”. “Você não tem ideia da destruição de reputações que se faz sem nenhuma consequência.”
 
Ciro negou que redesenhar as atribuições do Ministério Público Federal e do Judiciário seria intervir indevidamente em outro Poder. Ele também disse que não ofereceu nenhum cargo a Carlos Lupi, mas reforçou que ele é homem de sua confiança mesmo após Bonner ter afirmado, para a “surpresa” do candidato, que o dirigente é “réu” em Brasília, além de ter sido delatado por supostamente receber propina.
 
Sobre Lula, Ciro admitiu que vem dizendo em entrevistas que alertou o ex-presidente sobre corrupção na Petrobras. Questionado sobre o motivo de não ter levado as denúncias às autoridades competentes, ele respondeu que não poderia arcar com o “ônus da prova” e, por isso, optou por se reportar ao seu “chefe”, quando era ministro.
 
Apesar de dizer que Lula não fez nada a respeito de seu alerta sobre corrupção na Petrobras, Ciro frisou que o petista foi o melhor presidente que o Brasil teve, gerando emprego e distribuindo renda. O pedetista disse que Dilma derrubou todas essas conquistas no seu último mandato, mas isso não o impele a negar os feitos de Lula e muito menos “comemorar” que ele tenha sido preso.
 
Acerca da frente de esquerda, ele disse que não nunca se iludiu com a possibilidade de o PT abrir mão de candidatura própria para apoiá-lo na corrida presidencial. Ainda assim, reafirmou a intenção de ver a esquerda e o centro-esquerda unidos no segundo turno.
 
Ciro também defendeu a escolha de Kátia Abreu para vice, elogiando a atuação e fidelidade da senadora, a despeito das pautas que não agradam tanto a “esquerda”. Ele comparou com a chapa Lula e José Alencar e amenizou a resistência lembrando que Abreu militou contra o “golpe” em Dilma Rousseff.
 
Ele também prometeu tirar a Polícia Federal de tarefas burocráticas para que atue mais em investigações e serviços de inteligência, disse que quer uma “nova reforma trabalhista”, que respeite o trabalhador. Respondeu que vai trabalhar contra o narcotráfico e as facções criminosas – inclusive no Ceará, após o JN afirmar que lá as quadrilhas cresceram durante os governos de aliados do PDT – porque isso é atribuição de presidente, não de governador.
 
O candidato também disse que pretende ver a esquerda unida no segundo turno e que, nesta eleição, “precisamos encerrar essa luta odienta que está transformando em violência a luta de coxinhas e mortadelas.”
 
Sobre governabilidade, ele minimizou a crítica de que está isolado na disputa eleitoral, sem alianças e com uma chapa puro sangue. Ele disse que Jair Bolsonaro e Marina Silva também são de partidos pequenos e estão à frente nas pesquisas. Qualquer problema para governar, segundo Ciro, seria contornado com discussões e transparência em relação às pautas enviadas ao Congresso.
 

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