Kátia Abreu e a ampliação das alianças do campo progressista, por Luis Nassif

Um dos desafios maiores será o de ampliação do arco de alianças. E, nesse campo, chamo a atenção para o caso Katia Abreu, a ruralista candidata a vice-presidente na chapa de Ciro.

Há uma resistência dos progressistas a Kátia, acredito que muito mais por incompreensão sobre a atual quadra da globalização.

Recentemente, em um evento da CUT sobre a 4ª Revolução Industrial, lancei a provocação. A precarização do emprego tem estimulado o falso mito do empreendedorismo como saída para o desemprego. É evidente que não é. Mas também é evidente que, cada vez mais, a ampliação da visão tecnológica jogará mais trabalhadores na informalidade, procurando bicos para sobreviver.

Por outro lado, a expansão do capital financeiro está sufocando até os negócios dos pequenos comerciantes. Franquias de bares, de padarias, de lojas comerciais, avançam sobre o comércio tradicional.

Por isso mesmo, todos – pequenos proprietários, trabalhadores, movimentos sociais – estão do mesmo lado do muro. No caso do campo, há evidências de que as pequenas e médias propriedades são mais produtivas que as grandes propriedades. Mas o poder financeiro das grandes, o acesso a fontes inesgotáveis de crédito, provocam o desbalanceamento e a concentração fundiária.

Por isso mesmo, sindicatos de trabalhadores têm que se aproximar de sindicatos e associações representativas dos pequenos e médios proprietários.

Kátia Abreu sempre representou o médio proprietário agrícola contra o poder do agronegócio e dos grandes frigoríficos. É uma ruralista que, sem formação política, passou a representar a modernização da visão social do campo, sem abrir mão da defesa dos seus. Há divergências em relação ao meio ambiente, a aspectos da legislação no campo. Mas há pontos de convergência maiores, na grande resistência à globalização do capital.

Aliás, um dos grandes avanços sociais do governo Lula foi o MEI (Micro Empreendedor Individual). Essa visão abrangente precisa ser recuperada.

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17 comentários

  1. E OS ANJOS DIZEM AMÉM…..

    E começamos a perceber que é muito mais democrática, republicana, vanguardista, propositiva a candidatura Ciro Gomes / Katia Abreu, que qualquer outra que queira preservar uma Política Social importante por parte do Estado. É a Abertura para que o Estado gaste de forma significativa e ininterrupta os Recursos que a Iniciativa Particular produza livremente. Katia Abreu sempre foi contra a Concentração de Mercado por Grandes Grupos. Mesmo numa espécie de Monopólio Brasileiro. Inclusive contrariando o Governo Dilma, que ela pertenceu. Tem tudo para fazer um Governo Histórico ao lado de Ciro Gomes e ser a próxima Presidenta do Brasil. Aí sim, um país mais evoluído, mais estruturado, mais democrático, com o fim da tragédia deste Estado Absolutista implementado no Golpe Ditatorial Civil Militar de 1930.     

    • Bom saber de tantos pontos

      Bom saber de tantos pontos positivos em Katia Abreu, a quem conheci defendendo o uso de agrotóxicos vetados pela ANVISA. Ela dizia em uma entrevista que o pobre tinha que fazer desses venenos parte de sua dieta e que sem isso não poderiam se alimentar. 

  2. Um exemplo interessante sobre o embate

    grandes x pequenos negócios poderia ser o que ocorre atualmente no mercado cervejeiro no Brasil, a partir da constatação da expressão “cereais não maltados” no descritivo da bebida:

    uma AMBEV da vida, concentradora de marcas de cervejas (Brahma, Antartica, Skol, Bohemia, etc.) procura uma exagerada redução de custos onde pode e para isto acrescenta os tais “cereais não maltados” como trigo, arroz, milho etc. ao puro malte.

    Os efeitos destes componentes podem ser conhecidos no dia seguinte: ressaca e dor de cabeça.

    Por outro lado, ocorre que tem surgido inúmeras pequenas cervejas ditas “artesanais” e muitas delas, as mais caras, dispensam estes componentes citados, evitando os problemas do dia seguinte.

    Por analogia, a AMBEV seria assim uma Volkswagen, ao passo que as artesanais seriam produtos melhores e qualidade.

    Talvez este seja o futuro da industrialização pelo mundo: as empresas grandalhonas se dedicariam ao basicão, enquanto as menores cuidariam das produtos com melhores qualidades.

    Deve haver mercado para ambos.

    • Sem falar que quem consegue

      Sem falar que quem consegue atender atender a demanda das ambevs da vida, sono agronegocio. Milho transgênico e por aí vai. Ia dizer, na dúvida… mas na certeza, do tomo cerveja puro malte. E nem ê pela ressaca, é pelo sabor. Heinecken é uma delas, das grandes. E tem muitas cervejarias pequenas boas 

  3. Foi expulsa

    por lealdade a Dilma, enquanto o traidor do Cardozo que jogou no campo golpista, desfila nos corredores petistas como se estivesse tudo bem. Não é mole não. A vida que segue.

    • As instituições “republicanas”

      Todas as vezes que me lembro o Zé Cardozo dizendo que a PF é uma instituição que age de maneira “republicana”, a vontade que eu tenho é de beber cicuta.

  4. Uma coisa não se pode negar a

    Uma coisa não se pode negar a Katia Abreu = lealdade, artigo muito raro hoje em dia no cenário político brasileiro. Ficou ao lado de Dilma até o fim, mesmo sofrendo revezes por essa escolha. Isso não significa que concordo com sua visão de mundo, mas não reconhecer isso não é justo. 

  5. Katia Abreu é um erro

    A escolha de Katia Abreu foi um erro cometido pelo Ciro. Ela não tem mais trânsito dentro do setor agropecuário e, por si mesma, independentemente do apoio dado a Dilma (uma questão de lealdade pessoal, e não de ideologia, frise-se), é uma tragédia.

    Relembro texto do Leandro Fortes de alguns anos atrás, tratando do episódio da taça de vinho que ela lançou em José Serra:

     

           Para quem decidiu simpatizar com Kátia Abreu por ela ter enfiado uma taça de vinho na cara de José Serra, um minuto de memória:

           Em 2002, o agricultor Juarez Vieira Reis foi despejado das terras onde vivia, havia 50 anos, no município tocantinense de Campos Lindos, por 15 policiais militares, por conta de uma ação de manutenção de posse acionada por Kátia Abreu.

           Juarez desfilou, sob a mira das armas dos militares, com a mulher e dez filhos, em direção à periferia da cidade, onde ficaram, ao relento, debaixo de um temporal amazônico.

           As terras de Juarez foram retiradas como parte de uma desapropriação criminosa feita pelo então governador Siqueira Campos, do PSDB, para doá-las, em seguida, para amigos e aliados – Kátia Abreu entre eles.

           Por ter tido a coragem de escrever sobre o assunto, baseado em uma matéria minha publicada na CartaCapital, Dom Tomás Balduíno, um gigante moral da igreja católica brasileira, acabou interpelado judicialmente pela agora ministra da Agricultura, na tentativa – vã – de calá-lo, coisa que nem os generais da ditadura conseguiram, diga-se de passagem.

           Dom Balduíno morreu, aos 92 anos, felizmente, sem ver Kátia Abreu tomar posse como ministra em um governo do PT.

           Juarez e a família ainda vivem na miséria.

           Não se enganem: Kátia Abreu e José Serra se merecem.

  6. Um gesto

    Um gesto de boa vontade do Nassif em relação a Kátia Abreu que, como vários outros políticos não petistas que foram solidários com Dilma perante o impeachment. O PDT, que acompanhou em grande parte os golpistas de 2016, tenta emergir agora de cara lavada e mostrando novos quadros, mas, perderam a oportunidade, tanto Ciro como o PDT, de terem composto desde o inicio a chapa majoritária, em favor do Lula. Carreira “solo” com ambição desmedida dá nisso. O PDT foi o partido onde também o Cristovam Buarque quis aparecer como “alternativa”.

  7. Não vejo nenhuma politica

    Não vejo nenhuma politica civilizatoria nessa proposta tão ardentemente defendida por alguns comentaristas. Tempos bicudos, como diz a presidenta legítima Dilma Rousseff.  Haddad tem história no campo progressista, enquanto a dupla Ciro Gomes/Kátia Abreu têm história no campo contrário.

  8. Eu fico de orelha em pé ao

    Eu fico de orelha em pé ao perceber que alas do PT ataca a Katia Abreu. É isso que espera todos aqueles que foram leais ao partido? Uma facada nas costas?

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