Kátia Abreu e a ampliação das alianças do campo progressista, por Luis Nassif

Um dos desafios maiores será o de ampliação do arco de alianças. E, nesse campo, chamo a atenção para o caso Katia Abreu, a ruralista candidata a vice-presidente na chapa de Ciro.

Há uma resistência dos progressistas a Kátia, acredito que muito mais por incompreensão sobre a atual quadra da globalização.

Recentemente, em um evento da CUT sobre a 4ª Revolução Industrial, lancei a provocação. A precarização do emprego tem estimulado o falso mito do empreendedorismo como saída para o desemprego. É evidente que não é. Mas também é evidente que, cada vez mais, a ampliação da visão tecnológica jogará mais trabalhadores na informalidade, procurando bicos para sobreviver.

Por outro lado, a expansão do capital financeiro está sufocando até os negócios dos pequenos comerciantes. Franquias de bares, de padarias, de lojas comerciais, avançam sobre o comércio tradicional.

Por isso mesmo, todos – pequenos proprietários, trabalhadores, movimentos sociais – estão do mesmo lado do muro. No caso do campo, há evidências de que as pequenas e médias propriedades são mais produtivas que as grandes propriedades. Mas o poder financeiro das grandes, o acesso a fontes inesgotáveis de crédito, provocam o desbalanceamento e a concentração fundiária.

Por isso mesmo, sindicatos de trabalhadores têm que se aproximar de sindicatos e associações representativas dos pequenos e médios proprietários.

Kátia Abreu sempre representou o médio proprietário agrícola contra o poder do agronegócio e dos grandes frigoríficos. É uma ruralista que, sem formação política, passou a representar a modernização da visão social do campo, sem abrir mão da defesa dos seus. Há divergências em relação ao meio ambiente, a aspectos da legislação no campo. Mas há pontos de convergência maiores, na grande resistência à globalização do capital.

Aliás, um dos grandes avanços sociais do governo Lula foi o MEI (Micro Empreendedor Individual). Essa visão abrangente precisa ser recuperada.

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